
Embora o Taiti tenha dominado as manchetes ao vencer a Copa das Nações da Oceania e assegurar presença na Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, o torneio continental disputado por oito seleções nas Ilhas Salomão em junho também serviu para ilustrar os progressos que vem sendo alcançados de forma sistemática pela Nova Caledônia.
Os dois países se encontraram na final da competição, uma partida recheada de oportunidades desperdiçadas nos dois lados do campo que os taitianos acabaram vencendo por 1 a 0. Mesmo com as atenções voltadas para o mais novo campeão do continente, os neocaledônios provaram o seu valor no cenário regional de maneira enfática.
No evento que também valeu pela segunda fase das eliminatórias continentais para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, a Nova Caledônia conseguiu, por exemplo, o que a então campeã mundial Itália falhou em fazer na África do Sul 2010: derrotar a Nova Zelândia. A vitória na semifinal contra a seleção mais tradicional da Oceania certamente entrou para a história do futebol local.
Com o desempenho, a equipe conquistou o seu objetivo principal, que era estar entre as quatro que disputarão a fase final da competição preliminar para o Brasil 2014. Além disso, a Nova Caledônia é o único país a participar da etapa decisiva das eliminatórias nas duas últimas edições do torneio, ao lado da Nova Zelândia, fato que só enfatiza o status do conjunto polinésio na região.
Uma história de orgulho
A nação de língua francesa é membro da FIFA desde 2004, ano em que a sua afiliação foi aprovada no 100º Congresso da entidade máxima do futebol em Paris. Mesmo assim, a Nova Caledônia tem um histórico rico e vibrante no esporte das multidões. A federação do país foi fundada em 1928 e é uma das mais antigas da Oceania. Além disso, é neocaledônio de nascimento o único jogador do continente a vencer a Copa do Mundo da FIFA, Christian Karembeu, que conquistou o título mais cobiçado do futebol internacional vestindo a camisa da França em 1998.
A seleção tem mostrado força regularmente nos últimos tempos. Foi campeã do Pacífico Sul duas vezes, a mais recente em 2011, quando sediou o torneio, e a campanha que quase culminou com um título continental inédito no mês passado em Honiara foi precedida pelo vice-campeonato na Copa das Nações da Oceania anterior, realizada em 2008.
O sucesso que quase veio há quatro anos contribuiu para que a Nova Caledônia alcançasse a 95ª colocação do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, a sua melhor classificação em todos os tempos. Atualmente o país está apenas no 143º posto, mas terá a chance de estabelecer um novo marco histórico nos próximos meses, quando embarcará na reta final das eliminatórias para o Mundial brasileiro.
Os neocaledônios enfrentarão Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Taiti em jogos de ida e volta entre setembro deste ano e março de 2013. O campeão desse quadrangular brigará por uma vaga no Brasil na repescagem intercontinental contra o quarto colocado da América do Norte, Central e Caribe. A partida que abrirá a campanha, diante dos neozelandeses em casa no dia 7 de setembro, será uma das mais importantes já jogadas no país de 250 mil habitantes.
A Nova Caledônia e o técnico Alain Moizan têm à disposição diversas opções para o ataque. Uma delas é Jacques Haeko, artilheiro do torneio nas Ilhas Salomão com seis gols. Moizan montou a equipe em torno do robusto centroavante Bertrand Kai, do zagueiro Judikael Ixoee e do ágil meia Marius Bako. Outro destaque é o experiente meio-campista Olivier Dokunengo e o veloz meia-atacante Georges Gope-Fenepej. Aliás, as atuações de Gope-Fenepej em solo salomônico não passaram despercebidas, rendendo ao jogador um contrato com o Troyes, clube francês recém-promovido à primeira divisão.









