Bolívia entre altos e baixos
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A Bolívia foi do céu ao inferno nas últimas semanas. Se, por um lado, via o técnico Gustavo Quinteros pedir demissão do cargo, na semana seguinte, saboreava uma subida de 27 colocações no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, o segundo maior crescimento de uma única seleção no mês de junho.

Esta é também a segunda maior ascensão da Bolívia em toda a história, atrás apenas dos 28 lugares que ganhou em agosto de 1993. Além disso, a seleção ocupa agora a 83ª colocação do ranking, recuperando um lugar entre as cem melhores equipes do mundo, o que não ocorria desde setembro de 2011 — quando também ocupava o 83º lugar.

É claro que a Bolívia ainda está muito longe do 18º lugar alcançado em julho de 1997, a sua melhor colocação em todos os tempos. No entanto, este avanço já é um grande incentivo para uma equipe que foi ao fundo do poço em outubro do ano passado, quando ocupou a 115ª posição, a pior desde a criação do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. Foram necessários nove meses para voltar ao "Top 100", o que virou realidade por força dos 1335 pontos somados após a vitória por 3 a 1 sobre o Paraguai pelas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

O balanço
Curiosamente, a primeira vitória da Bolívia nas eliminatórias foi também o último jogo de Gustavo Quinteros à frente da seleção. O argentino naturalizado boliviano havia assumido o cargo em novembro de 2010, quando o selecionado do altiplano ocupava o 100º posto no ranking. "A minha meta é atingir o auge de rendimento em outubro de 2011, quando iniciarmos as eliminatórias, contra o Uruguai", disse Quinteros ao FIFA.com ao assumir o cargo. "Para tanto, devemos chegar à Copa América da Argentina com uma ideia de jogo clara", previu.
 
Na Argentina, a Bolívia surpreendeu ao empatar a partida inaugural com a seleção anfitriã, mas não marcou mais nenhum ponto na competição. Em seguida, o selecionado iniciou as eliminatórias para o Brasil 2014 com três derrotas e apenas um empate, casualmente contra a Argentina, em Buenos Aires.

Já em 2012, Quinteros pareceu respirar aliviado após vencer o Paraguai na sexta rodada, mas diferenças com a federação provocaram o pedido de demissão. Ao todo, o ex-zagueiro da Bolívia na Copa do Mundo da FIFA 1994 dirigiu a seleção 18 vezes, obtendo duas vitórias (contra o Paraguai e em um amistoso diante de Cuba), seis empates e dez derrotas.

O futuro
Até a publicação deste artigo, o sucessor de Quinteros ainda não estava definido. O principal candidato, de acordo com a FBF e o próprio treinador, é Xabier Azkagorta. Aos 58 anos, o espanhol foi o responsável pela classificação da Bolívia à Copa do Mundo da FIFA 1994, a terceira e última participação do país na principal competição do planeta. Porém, acabou não treinando o selecionado naquele Mundial.

Olhando para o Brasil 2014, quem assumir as rédeas da seleção terá pela frente uma tarefa complicada, embora não impossível: apesar de estar na sétima colocação das eliminatórias, a Bolívia está só quatro pontos atrás da Venezuela, que hoje estaria classificada para disputar a repescagem. Além disso, apenas cinco pontos a separam do Equador, o próximo adversário e atual dono da quarta e última vaga direta para o Mundial.

Após a partida contra os equatorianos, a Bolívia terá uma rodada de folga, tempo que o novo técnico poderá usar para planejar os confrontos contra Peru e Uruguai em casa no mês de outubro. Só então é que poderemos ter uma ideia mais concreta a respeito do destino desta seleção, que sonha em voltar a jogar uma Copa do Mundo da FIFA.