Uma nova força na África
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Embora a evolução da República Centro-Africana nos últimos dois anos seja notável - e um dos talentos revelados pelo futebol local tenha acabado de conquistar um importante campeonato nacional na Europa -, o país espera mesmo dar um passo ainda maior nas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, nas próximas semanas. Com a possibilidade de sucesso viria também a certeza de mais ascensão no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, em que o selecionado se encontra na 123ª colocação, com alta de oito postos no último bimestre e um salto de 79 posições em 21 meses.

No ano passado, enquanto se manteve na briga por uma vaga nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações e chegou à última fase com chances de se classificar à competição pela primeira vez, a República Centro-Africana alcançou o 90º lugar do ranking, o seu melhor resultado da história. Considerando que o país era o 202º do mundo há apenas dois anos, o avanço é expressivo e sinaliza o potencial de um conjunto que desenvolveu a fama de adversário perigoso.

O futebol vem ganhando espaço na República Centro-Africana, país de cerca de cinco milhões de habitantes cuja preferência nacional é o basquete. Agora a nação tem levado equipes a competições internacionais com regularidade e está começando a se beneficiar da maior participação no esporte. Nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações 2012, o selecionado obteve alguns dos seus melhores resultados até hoje. A vitória em casa contra a Argélia, que participou do Mundial na África do Sul, e os dois empates com o badalado Marrocos alimentam a crença de que a equipe pode continuar surpreendendo as grandes forças do futebol africano.

O teste da Copa
Os resultados em campo e o salto na classificação mundial também ajudaram os centro-africanos a evitarem a fase preliminar no início da jornada rumo ao Brasil 2014, entrando diretamente na fase de grupos. Eles estreiam no Grupo A recebendo Botsuana no dia 2 de junho e enfrentam a Etiópia uma semana mais tarde. A África do Sul é favorita para vencer a chave, mas os confrontos prometem ser equilibrados. Além disso, no final de junho a República Centro-Africana enfrenta o Egito em dois jogos pelas eliminatórias para o Campeonato Africano de Nações, competição continental reservada aos atletas que atuam no próprio continente.

Esta é apenas a segunda vez que o país está participando da competição classificatória para a Copa do Mundo da FIFA e ainda precisa comemorar a primeira vitória, já que foi derrotado pelo Zimbábue nas duas partidas que realizou na campanha preliminar de 2002. Dez anos se passaram, e a confiança em torno da seleção mudou para melhor nesse período.

Nos dois próximos compromissos, a República Centro-Africana levará a campo uma equipe recheada de jogadores que atuam em clubes do exterior, mas será difícil encontrar um atleta com a habilidade e a força do zagueiro Mapou Yanga-Mbiwa. Nascido na capital Bangui e vivendo na França desde os oito anos de idade, ele foi pré-convocado para integrar a seleção francesa na Eurocopa do meio do ano. O jogador de 23 anos, que nunca vestiu a camisa galesa, foi o capitão do Montpellier na campanha do título do Campeonato Francês, conquistado no último domingo. Da noite para o dia, ele se tornou o futebolista mais conhecido jamais revelado pela nação africana.

Mas ele não foi o único boleiro saído de Bangui para fazer sucesso em gramados europeus nas últimas semanas. O meia David Manga também acaba de levantar a taça com o Partizan de Belgrado. O jogador de 23 anos fez uma temporada memorável na Sérvia em 2011/12, mas estreou na seleção em 2010 e voltará a vestir o uniforme centro-africano ao lado de outros atletas que vêm se destacando. Um deles é o zagueiro Eloge Enza-Yamissi, que acaba de ser promovido à elite francesa com o Troyes e é irmão de Manasse Enza-Yamissi, que joga pelo Amiens na segunda divisão do país. Outro talento em ascensão na Ligue 2 é o forte atacante Momi Hilaire, que vem ganhando ritmo de jogo no Le Mans e poderá ser o novo parceiro de Habib Habibou, que joga no futebol belga, no comando de ataque da República Centro-Africana.

Infelizmente, nem tudo tem saído conforme o planejado. Esta semana, o técnico Jules Accorsi deixou o comando da seleção alegando falta de pagamento. O experiente treinador francês de 64 anos era visto como o principal responsável pela evolução recente da República Centro-Africana. Agora, resta ver se a equipe conseguirá manter a reputação que conquistou.