Azerbaijão, o tom da transformação
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Exatamente um ano atrás, em maio de 2011, os azerbaijanos Eldar e Nigar venceram o concurso Eurovision e colocaram o "pequeno" país de nove milhões de habitantes no centro dos holofotes de todo o continente. Para chegar ao topo do cenário musical europeu, a dupla superou candidatos de nações como Inglaterra, Alemanha, Espanha e França.

Já no futebol, se a seleção nacional ainda não é um dos grandes tenores, pelo menos está no caminho para se integrar à orquestra que conta com os grandes nomes do Velho Continente. "Ainda precisamos de quatro ou cinco anos para que o Azerbaijão encontre um espaço no grupo intermediário do futebol europeu, não temos como ir mais rápido que isso", admite o técnico do selecionado, o alemão Berti Vogts. "O futebol por aqui é um esporte secundário. O esporte número um é o xadrez, depois vêm a luta e o halterofilismo."

Atualmente na 109ª colocação, o país do Cáucaso não faz muito barulho quando o assunto é o Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. Oscilando entre a 90ª — melhor do país até hoje, conquistada em novembro de 2010 — e a 120º posições, o Azerbaijão nunca chegou a se instalar de forma mais permanente no grupo dos cem primeiros. Mas muita coisa indica que o melhor ainda está por vir, já que os azeris podem até não ter conseguido a vaga para a Euro 2012, mas também não fizeram feio: venceram a Turquia por 1 a 0 e seguraram um empate em 1 a 1 diante da Bélgica.

O maestro Vogts
"Assumi como técnico quatro anos atrás com a clara intenção de ajudar a federação da melhor forma possível", declarou recentemente Vogts, campeão europeu com a Alemanha como jogador e como técnico. Apostando em revelações como os atacantes Rauf Aliyev e Vüqar Nadirov, ele pensa longe. "Desenvolvemos as nossas próprias estruturas. O país tem grandes ambições e pretende se classificar para a Euro 2016."

Com Vogts no comando, o Azerbaijão reduziu consideravelmente o que ainda havia de desafinado por lá. Depois da injeção de ânimo representada por vitórias sobre República Tcheca, em novembro de 2009, e Albânia, em novembro de 2011 (ambas por 1 a 0), a seleção vem ganhando em regularidade e solidez. Habituados a lutar para não perder, os azerbaijanos começam agora a entrar em campo com o intuito de vencer. Há três jogos o país não sabe o que é o som da derrota.

"O Berti Vogts trouxe disciplina à seleção", avalia Rovnag Abdullayev, presidente da Federação Azerbaijana de Futebol, que renovou o contrato do comandante até 2014. "Acredito que ele conseguiu criar um novo ambiente dentro da equipe", completa. De fato, o Azerbaijão apresentou em fevereiro um recital do futebol em que bateu a Índia por 3 a 0, provando o bom momento.

Astros e estrelas
Outros fatores também demonstram a boa fase que vive o futebol do Azerbaijão. Relativamente desconhecido, o campeonato nacional do país vem abocanhando cada vez mais nomes de peso. O inglês Tony Adams é um deles. O técnico esteve no comando do Gabala por 18 meses até novembro de 2011 e levou com ele o jogador jamaicano Deon Barton. Já o belga Emile M’Penza, que ostenta 57 convocações para a seleção do seu país, defendeu nas duas últimas temporadas o alvinegro Neftchi de Baku.

"Vim livre para o Azerbaijão", contou Adams, antes de deixar o país. "A minha história, o alcoolismo, os 22 anos que passei no Arsenal, nada disso importa para as pessoas por aqui. Sou visto simplesmente como um treinador, uma simples peça. A comida é boa e estou cercado por um bom grupo de rapazes que têm a vantagem de também serem bons jogadores."

O Azerbaijão segue de portas abertas para as sinfonias internacionais. Prova disso é que o país irá sediar a próxima edição da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA, que acontece entre 22 de setembro e 13 de outubro de 2012. Para não sair do tom, o Comitê Organizador Local já anunciou que a estrela Jennifer Lopez será uma das atrações na cerimônia de abertura da competição.