
Existem empates que têm gosto de vitória. Prova disso foi a alegria dos torcedores de Malta ao verem a sua seleção deixar o campo após um 0 a 0 com a Suíça, no dia 9 de fevereiro. Vale lembrar que o 156º colocado do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola acabava de segurar um adversário que participou da última Copa do Mundo da FIFA e que está 133 posições à frente na lista — uma atuação e tanto.
O goleiro maltês Justin Haber foi um dos destaques daquele empate, defendendo dois pênaltis cobrados por Alexandre Frei e Gökhan Inler. "Estou muito contente, e não só pelas defesas que fiz, mas porque a gente deu o melhor para conseguir um bom resultado diante de um adversário assim", resumiu o arqueiro do clube húngaro Ferencvárosi. "Afinal, a Suíça derrotou a Espanha na Copa", lembrou.
Retomando o orgulho
Mas analisando bem, o resultado "bom para o moral", como Haber descreveu, não foi exatamente uma façanha. Na verdade, a demonstração de bravura dos malteses faz parte de uma dinâmica positiva que teve início depois que o selecionado chegou ao fundo do poço, em junho do ano passado. Naquele mês, Malta aparecia na 169ª colocação do ranking, a pior da sua história. Com o orgulho recobrado, o país avançou sete posições na edição mais recente da lista, publicada em março.
"Os jogadores de Malta, tanto os do passado quanto os do presente, têm em comum um sentimento de orgulho", explicou ao FIFA.com John Buttigieg, que defendeu a seleção em 97 oportunidades como jogador e se tornou o primeiro técnico maltês a comandar a equipe nacional desde Pippo Psaila, que ocupou o cargo entre 1991 e 1993. "Enfrentar as grandes nações do futebol é sempre difícil para um país pequeno como o nosso."
Um breve retrospecto ilustra o comentário do treinador. Depois de derrotar a Geórgia por 2 a 0 em um amistoso realizado em meados de 2009, Malta nunca mais saboreou uma vitória. Foram 14 partidas sem nenhum triunfo. "Às vezes é um pouco desestimulante, mas conhecemos as nossas limitações", analisa Buttigieg. "Tentamos fazer o nosso melhor e manter a cabeça erguida. Por outro lado, não existe fórmula mágica. Precisamos trabalhar duro e dar 100% dentro de campo. E de vez em quando conseguimos resultados excelentes."
Em busca do sucesso
Um deles foi o empate sem gols com a equipe comandada por Ottmar Hitzfeld, além do 1 a 1 com a Macedônia em agosto de 2010. "Jogamos unicamente para vencer, mas é claro que não se pode tapar o sol com a peneira: quando enfrentamos países de maior tradição, fica muito difícil cumprir a palavra", diz Buttigieg. "Buscamos, antes de mais nada, fazer uma boa apresentação. Isso pode se traduzir em empate ou não. Contra a Grécia, por exemplo, há poucos dias, infelizmente perdemos nos últimos instantes da partida."
No jogo válido pelas eliminatórias para a Euro 2012, no último dia 26 de março, foi preciso esperar pelos acréscimos para ver os gregos fazerem 1 a 0 com Vasilis Torosidis e relegarem Malta à lanterna do Grupo F. "Devemos ser realistas: não podemos mais sonhar com a classificação", reconhece Buttigieg. "Mas vamos manter o mesmo objetivo, que é fazer o nosso melhor e dificultar a vida de todo adversário que encontrarmos."
No torneio classificatório para a última edição da Eurocopa, em 2008, a seleção maltesa comandada pelo eslovaco Dusan Fitzel venceu uma única partida. Com dois gols de André Schembri, atual homem de referência do ataque de Malta, o país derrotou a Hungria por 2 a 1 e comemorou a sua primeira vitória em torneios oficiais em 15 anos. Agora, a equipe de Buttigieg tem mais cinco jogos para reduzir essa espera a apenas três anos. Uma meta dura, mas não impossível quando existe dedicação e empenho para buscar a evolução.




