Argentina, Alemanha, Inglaterra e Espanha, quatro seleções campeãs mundiais, conquistaram vitórias expressivas nesta quarta-feira e mostraram que estão no caminho certo para fazer bonito na próxima Copa do Mundo da FIFA. No entanto, dois colossos sul-americanos, igualmente vencedores da principal competição do futebol internacional, continuam patinando na estrada para 2014. O Brasil, apesar do enorme potencial de seus jogadores, e o Uruguai, que conta com atacantes excepcionais, ainda preocupam seus torcedores.
O jogo
Inglaterra 2 x 1 Brasil, Wembley, Londres
Gols: Wayne Rooney (26/1ºT) e Frank Lampard (15/2ºT) para a Inglaterra; Fred (4/2ºT) para o Brasil
Em Wembley, Luiz Felipe Scolari se deu conta de que terá muito trabalho para acertar a Seleção Brasileira, que ocupa atualmente a 18ª posição no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, a pior de sua história. A partida começou mal para Ronaldinho, que, em seu centésimo jogo com a amarelinha, viu Joe Hart defender sua cobrança de pênalti e ainda evitar o rebote com astúcia. O meia-atacante não se recuperou mais do lance e sequer voltou para o segundo tempo, substituído por Lucas. Já do outro lado do campo, Wayne Rooney tratou de não desperdiçar uma bola rebatida por Júlio César, que, no mais, teve participação irretocável.
No intervalo, Felipão rearrumou taticamente o Brasil, com Fred no comando do ataque, Neymar aberto na esquerda, Oscar na armação das jogadas e Lucas na direita. A mudança não tardou a dar resultado e, quando os donos da casa ainda se ajeitavam em campo, Fred aproveitou roubada de bola de Lucas e empatou com um forte chute de canhota. O jogo ganhou em equilíbrio, mas a seleção de Roy Hodgson, mais entrosada, acabou retomando a vantagem com um belo chute de Frank Lampard da entrada da área. O Brasil, que perdeu uma invencibilidade de quase 23 anos contra a Inglaterra, voltar a enfrentar o rival em amistoso no dia 2 de junho, desta vez no Brasil.
As outras partidas
França 1 x 2 Alemanha
A França, que vinha embalada por ótimos resultados, levou um balde de água fria de uma Alemanha extremamente sólida em todos os setores. O destaque da partida foi o jovem Ilkay Gündogan, do Borussia Dortmund, que controlou todas as bolas no meio de campo. Apesar da ausência de diversos titulares, os visitantes pressionaram durante todo o jogo e decretaram a segunda derrota para a seleção de Didier Deschamps. Os Bleus contaram com boa atuação de Franck Ribéry e chegaram a sair na frente com o baixinho Mathieu Valbuena, que aproveitou um momento de indecisão da defesa alemã e completou de cabeça. No segundo tempo, porém, Gündogan roubou a bola no meio e abriu para Thomas Müller avançar nas costas da retaguarda francesa e igualar o marcador. A 15 minutos do fim, foi a vez de Mesut Özil fazer um lançamento espetacular para seu companheiro de Real Madrid, Sami Khedira, que tocou com categoria na saída de Hugo Lloris. Com a vitória, a Alemanha devolveu na mesma moeda os 2 a 1 sofridos para a França, em casa, no ano passado.
Espanha 3 x 1 Uruguai
No gramado de Doha, que parecia um campo de golfe, os campeões mundiais e europeus tiveram trabalho para bater o Uruguai, vencedor da última Copa América e tão perigoso no ataque quanto frágil na defesa. Sem poder contar com vários titulares, lesionados, Vicente Del Bosque escalou uma equipe com sete jogadores do Barcelona, entre eles, Cesc Fàbregas, que marcou o primeiro gol do jogo graças a uma falha grosseira de Fernando Muslera e deu um passe no melhor estilo Messi para Pedro anotar o terceiro.
Antes, o atacante do Barça já tinha marcado o segundo da Fúria em contra-ataque rápido. O Uruguai criou diversas oportunidades com Luis Suárez e Edinson Cavani, além de Cristian Rodriguez, autor do gol de empate. Mas as lacunas defensivas da Celeste explicam em parte as dificuldades encontradas nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da FIFA. Vale destacar ainda que Vicente Del Bosque, no cargo desde julho de 2008, chegou a 68 partidas à frente da Espanha, igualando o recorde de Ladislao Kubala (1969-80). O técnico tem um retrospecto espetacular com a Fúria: 57 vitórias, 5 empates e apenas 6 derrotas.
Holanda 1 x 1 Itália
Durante 80 minutos, a Holanda, com uma seleção rejuvenescida, controlou a partida contra a Itália, obrigando Gianluigi Buffon a mostrar todo o seu talento. A Azzurra estava no lucro com a derrota parcial por apenas 1 a 0, em golaço de Jeremain Lens, que limpou um zagueiro e tocou de primeira no canto. Incapazes de abrir uma vantagem mais confortável no placar, os donos da casa acabariam sendo punidos no último minuto, quando o jovem Marco Verratti, meia do Paris Saint-Germain, deixou tudo igual com uma conclusão quase dentro da pequena área. O jogo certamente foi rico em lições para o técnico Louis Van Gaal, que começou a partida sem Wesley Sneijder, Rafael Van Der Vaart e Arjen Robben. Já do lado italiano, a dupla formada Mario Ballotelli e Stephan El Shaarawy não correspondeu às expectativas.
Suécia 2 x 3 Argentina
Quem esperava ver um duelo entre os ex-companheiros de Barcelona Lionel Messi e Zlatan Ibrahimovic acabou assistindo a um show dos merengues Ángel Di María e Gonzalo Higuaín e de Sergio Agüero, do Manchester City. Com uma seleção bem arrumada e entrosada, além de sempre perigosa no contra-ataque, os argentinos controlaram a etapa inicial sem precisar muito de Messi. Di María fez um primeiro tempo quase perfeito, dando duas assistências. Já Ibrahimovic não tentou repetir a incrível reação protagonizada na Alemanha e saiu no intervalo. A Albiceleste teve várias oportunidades para transformar a vitória em goleada, mas pecou na finalização e acabou permitindo que Rasmus Elm descontasse para os suecos já no último minuto.
Portugal 2 x 3 Equador
Terceiro colocado em seu grupo nas eliminatórias europeias para o Brasil 2014, a cinco pontos de distância da Rússia, Portugal ganhou um novo motivo de preocupação ao sofrer uma derrota surpreendente diante do Equador em casa. Luis Antonio Valencia, do Manchester United, abriu a conta para os visitantes, mas Cristiano Ronaldo empatou com um belo gol e Hélder Postiga virou para os lusos. A reação equatoriana começou no gol contra de João Pereira e terminou nos pés de Felipe Caicedo, que deu números finais ao placar aproveitando rebote na entrada da área. O resultado não é nada reconfortante para Portugal, que tem um complicado mês de março pela frente. Já o Equador confirma a grande fase e ganha ainda mais moral para seguir lutando pela liderança das eliminatórias sul-americanas (é o segundo com 17 pontos, três a menos que a Argentina).
Nos outros amistosos, a Bósnia e Herzegovina atropelou a Eslovênia por 3 a 0 fora de casa, enquanto a Macedônia confirmou seu progresso batendo a Dinamarca pelo mesmo placar. Em outra vitória por 3 a 0, mas com dois gols de Shinji Okazaki, o Japão de Alberto Zaccheroni passou pela Letônia. Já a Coreia do Sul foi maltratada em Londres pela Croácia, que goleou por 4 a 0. Por fim, o Chile ganhou do Egito por 2 a 1 e a Sérvia superou o Chipre por 3 a 1, com dois gols de Dusan Tadic, o jogador do Twente que anotou 13 vezes em 33 partidas pela seleção.
O craque
Apagado desde o início da temporada e até criticado pelo técnico José Mourinho no Real Madrid, Ángel Di María fez nesta quarta-feira uma de suas melhores partidas com a camisa da Argentina. Tudo começou a mudar ainda no confronto contra o Valencia, em que os merengues venceram por 5 a 0 e Di María deu quatro assistências. Na Suécia, ele disputou seu 36º jogo pela seleção e, como líder do meio de campo, exibiu aguda visão de jogo e notável habilidade com a bola.
O gol
França 1 x 0 Alemanha, Mathieu Valbuena (44/1ºT)
Jogador mais baixo em campo, Mathieu Valbuena (1,67 m) encontrou uma maneira de abrir o placar enganando dois "gigantes" da defesa alemã: Per Mertesacker (1,98 m) e Mats Hummels (1,92 m). Bem posicionado, o pequeno meia do Olympique de Marselha foi mais esperto que todo mundo e empurrou a bola para as redes, após Karim Benzema cobrar falta no travessão e Moussa Sissoko tocar de cabeça para o meio.
O número
300 – O total de jogos que Ronaldinho, o inglês Ashley Cole e o espanhol Carles Puyol disputaram por suas respectivas seleções, cada um deles somando uma centena de partidas com o uniforme nacional. Cole, de 32 anos, estreou na vitória por 3 a 1 sobre a Albânia no dia 28 de março de 2001. Quatro meses antes, Puyol, de 34, tinha debutado na Fúria batendo a Holanda por 2 a 1 em 15 de novembro de 2000. Enquanto o zagueiro do Barça fez três gols ao longo de seus 100 jogos, o lateral do Chelsea nunca estufou as redes adversárias pelo English Team. Seis jogadores na Inglaterra, mas também na Espanha, já tinham atingido ou superado a marca centenária.
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