O espanhol Andrés Iniesta é, segundo os próprios colegas, um jogador perfeito. Inteligente, elegante e letal, ele brilha com a mesma intensidade pelo Barcelona e pela seleção espanhola, com a qual marcou em um lance inesquecível o gol que assegurou o maior título da história do: o da Copa do Mundo da FIFA 2010.

Dez anos após surgir para o mundo da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA nos Emirados Árabes, o meia-atacante natural de Fuentealbilla mantém a mesma ambição que o levou a dividir o pódio de finalista da Bola de Ouro FIFA com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. O FIFA.com conversou com ele sobre as suas inspirações, os ídolos de infância e os desafios que estão por vir com o Barcelona e a Fúria. Acompanhe a entrevista a seguir.

FIFA.com: Tornou-se um costume seu participar da cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA. Que sensações passam pela sua cabeça nesse tipo de evento, levando em conta o passar dos anos? 
Andrés Iniesta: Sensações bonitas, boas. Pensando friamente, é motivo de alegria estar entre os eleitos e receber estes prêmios, ou fazer parte da seleção mundial. É muito bonito quando o que fazemos é valorizado. É algo muito especial, sem dúvida.

Não são poucos os que dizem que "o Messi faz os gols, mas é o Iniesta quem faz o Barcelona se movimentar". O que você acha dessa afirmação?
Acho que o potencial máximo da cada um é o que faz uma grande equipe. O Barça é melhor com o Léo, e o Léo é melhor com o Barça. O futebol não é um jogo individual, é um esporte coletivo em que a soma de todos é o que faz com que as individualidades possam ser muito mais vistas. Eu sou melhor com o Léo, o Léo é melhor conosco, e isso é o que importa: que todos nós sejamos responsáveis por fazer bem as coisas.

Messi disse que seria justo que a Bola de Ouro fosse parar nas mãos de Andrés Iniesta…
Bem… (risos) Vindo do Léo, é um elogio, pois ele é um colega com quem convivo há muito tempo e com quem jogo. É algo muito bonito. Pode ser que eu divida o pódio com ele, mas em nenhum momento ele será um rival. Para mim, segue sendo um colega meu. Estou muito feliz com a quarta Bola de Ouro conquistada pelo Leo.

Relembrando o ano de 2012, no qual você também foi eleito o melhor jogador europeu pela UEFA, qual foi o momento mais memorável de todos? 
Acho que a Eurocopa. Pela importância que o título teve para a equipe, porque nenhuma outra seleção conseguiu resultados como os nossos. Sempre digo que, acima de tudo, fico com a sensação boa de jogar bem, de me sentir feliz, de estar melhor a cada dia. Esse é o maior lucro que posso ter ano após ano.

Em uma entrevista recente, você disse que a sua qualidade em campo é um reflexo do que ocorre fora dele. O que está ocorrendo atualmente na vida pessoal de Andrés Iniesta para que exiba uma qualidade de jogo tão alta? 
O segredo é a estabilidade fora de campo: com a esposa, com a filha, com a família, com as pessoas que estão à minha volta. Mas cada pessoa é diferente… Sempre tem algumas que podem não estar passando por um momento muito bom e resolvem descontar tudo em campo. No meu caso, acho que os dois mundos estão muito unidos.

Em 2012, o Barcelona obteve só um título, o que é uma raridade nos dias de hoje. Ficou um sabor amargo? 
Não, pois vencemos a Copa do Rei e chegamos muito perto no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões. No esporte, ou no Barcelona, temos sempre de sempre lutar por tudo. Foi o que fizemos, e o que nos faltou desta vez nós conseguimos em outros anos. Em 2012, chegamos no limite, onde precisávamos estar para dar esse passo, mas ainda assim faltou um pouco. Neste ano, temos este estímulo para voltar a lutar por tudo.

O ano passado foi especial em assuntos extracampo: a saída de Pep Guardiola, o caso de Eric Abidal, a recaída de Tito Vilanova. Como repercutiu isso tudo em um vestiário tão unido há tantos anos? 
A saída do Guardiola foi algo que simplesmente aconteceu: o clube e ele chegaram a esse acordo e, portanto, é uma coisa normal, natural, que acontece em todas as equipes muitas vezes. Os outros dois é que são casos muito pesados, sim. Muito pesados de viver, sobretudo para eles e para as famílias. A única coisa que fizemos foi tentar ficar do lado deles, tirar forças de onde não há e apoiá-los para que, pouco a pouco, possam estar bem e de volta ao grupo. A vitalidade e a força de vontade deste grupo são consequências dos momentos pesados que precisamos superar.

É possível que vejamos Iniesta no futuro com outra camisa que não seja a do Barcelona? 
O meu sonho e a minha esperança, como sempre disse, é encerrar a carreira e me aposentar no clube em que cheguei com 12 anos e que me deu praticamente tudo. É óbvio que essa possibilidade não me passa pela cabeça atualmente, porque estou no melhor lugar em que poderia estar, e também digo que é o meu rendimento que vai definir até onde vou chegar, até o dia em que não me sentir rendendo 100%, pois nunca vou querer enganar o meu clube. Isso é lógico.

Vamos deixar o Barcelona de lado e falar sobre a seleção. A Copa das Confederações da FIFA deste ano será uma revanche após a eliminação na África do Sul 2009? 
Sim, sim… No futebol, sempre há uma segunda oportunidade ou uma chance para voltar a ganhar, ou para recuperar o que se perdeu. Portanto, neste ano, teremos essa oportunidade e entraremos com essa intenção, mas sabendo que jogaremos contra seleções que querem ganhar. Ainda mais por ser no Brasil, anfitrião e campeão do mundo, o que vai proporcionar um cenário muito especial. Vai ser bonito.

Falando do Brasil, o que você tem a dizer sobre as eliminatórias? A chave ficou acirrada com o empate com a França.
Sim, certamente. Apesar de sempre dizermos a mesma coisa, é verdade: hoje em dia é muito difícil ganhar. Seja a seleção que for. E se for a França, fica ainda mais difícil. Em uma partida, quando uma equipe não está tão bem quanto deveria, o adversário ganha ou empata. Isso aconteceu contra a França. Porém, temos plena confiança de poder terminar em primeiro lugar, de superar as partidas e também, por que não, ir à França e conquistar a vitória. A seleção tem capacidade para tanto.

Hoje em dia, todos elogiam o cérebro Andrés Iniesta, mas queremos saber quais eram os jogadores que você admirava quando pequeno. Quem você queria ser? 
Desde pequeno sempre me inspirei muito no Guardiola e no (Michael) Laudrup. Eram os dois jogadores que eu mais queria ser e tentava imitar. Depois, com o passar do tempo, a gente vê que tudo anda bem e, agora, aqueles que têm a idade que eu tinha naquele tempo se inspiram na gente. É um sinal de que as coisas estão sendo bem feitas.

Também é muita responsabilidade. Com os meios de comunicação atuais, tudo o que se faz dentro e fora de campo chega aos ouvidos de todo mundo. Como você lida com isso?
Sim, claro. Tem sempre o outro lado da moeda, não é? Tanto para o bem como para o mal, é algo que acontece muito. Mas a gente leva na boa. Faz parte do trabalho. Não podemos nos esquecer de que não somos só jogadores de futebol, porque muita gente se inspira em nós, quer se parecer conosco ou tentar fazer o que fazemos. É uma grande responsabilidade.

Como despedida, Andrés, gostaríamos de saber: o que você pediu de ano novo?
Saúde. Que eu possa treinar e jogar bem. Isso é o mais importante. Vai depender do destino se as outras coisas vão melhorar ou piorar. Mas, sobretudo, quero estar bem para poder desfrutar do que faço tanto dentro como fora de campo.