Foi uma quarta-feira de muitos gols e grandes jogos em gramados europeus. Nada menos que trinta amistosos foram realizados, e a grande maioria deixou lições interessantes para o futuro.
As equipes da América do Sul se saíram bem. O Brasil se recuperou da decepção olímpica de cinco dias atrás goleando a Suécia por 3 a 0, enquanto a Argentina de Lionel Messi comprovou a sua evolução fazendo 3 a 1 na Alemanha, cuja defesa acusou mais de um problema. Já o Uruguai mostrou solidez diante da França, que teve a estreia do técnico Didier Deschamps, mas seguiu mostrando dificuldades no setor ofensivo. Resultado: empate sem gols com os sul-americanos diante da torcida.
O dia também ficou marcado pela revanche da Inglaterra sobre a Itália, pela eficiência de belgas e suíços — ótima notícia para os torcedores desses países às vésperas das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, que começam no próximo mês — e por outra queda da Holanda. O FIFA.com resume os pontos altos da rodada desta quarta.
O jogo
Suécia 0 x 3 Brasil 0:3
Gols: Leandro Damião (32/1ºT) e Alexandre Pato (39/2ºT e 41/2ºT, de pênalti)
Cinco dias após o revés na decisão do Torneio Olímpico de Futebol em Londres, o Brasil reencontrou os gols e recuperou o moral na vitória contra a Suécia, que sentiu a ausência de Zlatan Ibrahimovic. Com a volta de nomes como David Luiz e Daniel Alves, a defesa se mostrou mais sólida, enquanto Neymar mais uma vez liderou o ataque ao lado de Leandro Damião — e também de Ramires —, dando o passe para o primeiro gol do atacante colorado. A dupla criou várias outras oportunidades, mas quem roubou a cena no fim foi Alexandre Pato, que saiu do banco para marcar dois gols em três minutos no finalzinho da partida. Com o resultado, a Seleção Brasileira comprovou o seu enorme potencial ofensivo, mas Mano Menezes ainda segue atrás de um melhor conjunto antes do próximo grande objetivo do país: a Copa das Confederações da FIFA 2013.
E o que mais?
Face a uma Itália bastante rejuvenecida, que começou o jogo indo com tudo para o ataque, a Inglaterra esperou a poeira baixar e acabou demonstrando mais objetividade. A pressão inicial da Azzurra de Cesare Prandelli foi recompensada pelo gol de cabeça de Daniele de Rossi, mas a reação inglesa teve início com Phil Jagielka, que mergulhou para cabecear para as redes, e com Jermaine Defoe, que ziguezagueou diante da zaga italiana. A vitória por 2 a 1 foi um resultado justo e que serviu como espécie de revanche da eliminação nas quartas de final da última Euro.
Desfalcada de diversos titulares, a Alemanha passou por um sério sufoco na defesa diante do maestro Lionel Messi, já afinadíssimo para a nova temporada. A equipe do técnico Joachim Löw resistiu no primeiro tempo, apesar de Sami Khedira, pressionado, ter marcado um gol contra nos descontos. E embora Messi tenha tido o seu pênalti defendido pelo goleiro Marc-André ter Stegen, que entrou no lugar de Ron-Robert Zieler, expulso exatamente no lance do pênalti, o craque argentino protagonizou várias ótimas jogadas individuais depois do intervalo, marcando o seu gol habitual e fazendo a bola explodir na trave direita, depois de driblar quatro alemães. Ángel di María ampliou a contagem em um chute seco de fora da área. Messi confirmou que reencontrou o seu futebol após as férias e que está se entendendo muito bem com Sergio Agüero e Gonzalo Higuaín no ataque. A seleção germânica, fiel à tradição, salvou a honra com um gol de cabeça de Benedikt Höwedes, fechando o placar em 3 a 1.
Por sua vez, o clássico entre Bélgica e Holanda terminou com o nome de seis goleadores na súmula. A partida cumpriu a promessa de espetáculo, e os belgas tiveram o mérito de reverter o resultado anotando três gols no espaço de cinco minutos no segundo tempo, fechando o jogo em 4 a 2. No entanto, o técnico Louis Van Gaal, que substituiu Bert van Marwijk após a decepcionante participação na Euro, viu que terá muito trabalho pela frente para recuperar o bom futebol da equipe.
Liderada pelo surpreendente Xherdan Shaqiri, que participou de todas as jogadas de perigo no ataque, a Suíça conquistou um resultado inesperado na visita à Croácia, impondo-se também por 4 a 2 e registrando a sua melhor atuação desde a chegada do técnico Ottmar Hitzfeld. Os croatas buscaram o empate duas vezes com o atacante Eduardo da Silva, mas terminaram por ceder aos dois gols surpresa de Mario Gavranovic.
Contra um Uruguai perfeitamente organizado na defesa e bastante objetivo no ataque, a França falhou mais uma vez em encontrar o caminho do gol. Apesar do bom segundo tempo dos franceses, o placar terminou zerado na estreia de Didier Deschamps como treinador. Já Portugal não precisou mostrar todo o seu talento contra o Panamá. A seleção lusa se contentou em fazer 2 a 0 com um tento de Cristiano Ronaldo e outro de Nelson Oliveira, em jogada criada pelo atacante do Real Madrid, que foi substituído no começo da etapa complementar. Para a Espanha, o cenário foi parecido. Os atuais campeões do mundo conquistaram uma apertada vitória por 2 a 1 em Porto Rico, embora só tenham feito a diferença no final do primeiro tempo, com Santi Cazorla e Cesc Fàbregas. Os porto-riquenhos descontaram pelos pés de Marc Cintron, que soube aproveitar uma bola longa alçada pelo goleiro do seu país.
A Costa do Marfim, liderada por um Didier Drogba inspirado, arrancou da Rússia um empate em 1 a 1 em Moscou, apesar de os donos da casa terem saído na frente com o embalado Alan Dzagoev, um dos artilheiros da Euro. O selecionado marfinense de Sabri Lamouchi, que não perdeu nenhuma das três partidas em que comandou os Elefantes, igualaram o marcador com Max-Alain Gradel.
Por fim, vale destacar o bom resultado da Grécia, que obteve uma vitória de respeito sobre a Noruega em Oslo: 3 a 2. Entre os destaques negativos está o tropeço da Zâmbia, atual campeã continental africana, que caiu diante da Coreia do Sul graças a dois gols de Lee Keun-Ho, atacante do Ulsan. Já Gana precisou esperar até os 40 minutos do segundo tempo para evitar uma derrota diante da China. O gol do empate em 1 a 1 foi anotado pelo zagueiro John Boye, do Rennes.
O craque da rodada
Cinquenta e quatro anos depois de ser apresentado ao mundo na decisão do Mundial na Suécia, Pelé voltou ao Estádio Rasunda para dar o pontapé inicial da reedição da final do torneio de 1958, em que balançou as redes duas vezes. Com um toque preciso, o Rei rolou a pelota para Neymar, legítimo herdeiro do camisa 10.
O gol
Croácia 2 x 4 Suíça, Eduardo da Silva (20/1ºT)
O brasileiro naturalizado croata aproveitou um cruzamento vindo da direita, dominou a bola com maestria e finalizou de canhota, na parte inferior do travessão de Diego Benaglio.
O número
4 — A quantidade de técnicos que estrearam no comando de novas seleções na perspectiva das eliminatórias para o Mundial no Brasil. O italiano Fabio Capello dirigiu pela primeira vez a Rússia, enquanto o francês Didier Deschamps e o holandês Louis van Gaal comandaram os próprios países. O único treinador a começar no cargo com vitória foi Marc Wilmots, com a Bélgica.
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