Ivica Olic é um lutador. O atacante croata sempre dá tudo de si no gramado, corre atrás de todas as bolas e nunca se importa de correr pelos companheiros. É o tipo de jogador que qualquer técnico gostaria de ter no seu elenco. Radicado na Alemanha há cinco anos, levado ao país pelo Hamburgo e depois contratado pelo Bayern de Munique, Olic sempre mostrou um excelente desempenho em gramados alemães. Agora, ele vestirá a camisa do Wolfsburg.

E obviamente, Olic também deixou a sua marca na seleção da Croácia, disputando 78 partidas com o uniforme nacional e marcando um total de 15 gols. Em novembro do ano passado, ele pavimentou o caminho do selecionado croata rumo à UEFA Euro 2012 ao abrir o placar na primeira partida da repescagem contra a Turquia. No entanto, acabou ficando de fora do torneio continental devido a uma contusão.

O FIFA.com realizou uma entrevista exclusiva com Olic, quatro vezes eleito o Jogador do Ano da Croácia. O atacante falou sobre a sua carreira, o novo desafio de atuar pelo Wolfsburg e o sonho de participar da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

FIFA.com: Já conseguiu superar a decepção de ficar de fora da Eurocopa?
Ivica Olic: Fiquei muito decepcionado e foi uma pena que não disputei o torneio. Mas isso já é passado. Sem a Eurocopa, pude me recuperar completamente da minha lesão.

Houve rumores de que você poderia encerrar a sua carreira pela seleção. Isso é verdade?
Deixei isso em aberto. Já conversei com o novo técnico da seleção. Ele disse que se eu jogar no nível que até eu próprio espero jogar e puder continuar ajudando a seleção, a porta seguirá aberta para mim. Jogar pela seleção é um dos grandes desejos de toda criança. Tive a oportunidade de fazer isso por quase dez anos. Sou muito grato por isso.

Você disputou 78 jogos pela seleção croata, com 15 gols marcados. Quais são as melhores lembranças?
O primeiro gol que marquei pela seleção. Foi na Copa do Mundo 2002 contra a Itália. A partida ficou empatada em 1 a 1 com o meu gol e então acabamos vencendo por 2 a 1. Entrei no jogo quando faltavam 30 minutos. Como eu ainda estava em início de carreira, foi algo especial. Mais tarde, também balancei as redes contra a Alemanha, contra a Inglaterra na Inglaterra e contra a Turquia na repescagem das eliminatórias para a Euro 2012. Podemos dizer que não marquei muitos gols, mas os que marquei foram importantes.

Agora, o próximo grande torneio será a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. Nas eliminatórias, a Croácia está na chave de Bélgica, Escócia, Macedônia, País de Gales e Sérvia. O que você acha do grupo?
É um grupo difícil e com certeza não será simples nos classificarmos. A Croácia é favorita, mas precisamos comprovar isso. A Sérvia é a nossa principal concorrente. Jogar com Bélgica e Escócia também é difícil. Qualquer um pode ganhar de qualquer um. No entanto, acredito que no final a nossa qualidade vai prevalecer. Precisamos conseguir.

De fato, os duelos contra a Sérvia têm tudo para serem explosivos. Quais as suas expectativas para esses confrontos?
Em primeiro lugar, obviamente é um adversário difícil. Em segundo lugar, isso dá uma motivação extra aos jogadores. É mais do que um jogo. Eu próprio conheço muitos jogadores e tenho até bons amigos sérvios. Que vença o melhor. É o que desejo. Acredito que ficaremos na frente da Sérvia e que vamos vencê-la. Mas se os sérvios vencerem, parabéns para eles. Na minha opinião, as duas equipes têm qualidade o bastante para chegarem à Copa do Mundo. Seria o mais legal.

A Copa do Mundo da FIFA 2014 seria uma boa ocasião para você encerrar a sua carreira?
(risos) Sem dúvida! As eliminatórias para a Copa do Mundo são o próximo objetivo da seleção. O resto veremos depois.

Atualmente, a Croácia está entre as dez primeiras seleções no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola e costuma ser cotada entre as que correm por fora nos torneios de que participa, mas nem sempre consegue corresponder totalmente às expectativas. Por quê?
Em 2008, tivemos azar nas quartas de final contra a Turquia. Por isso, as expectativas eram muito altas na Eurocopa deste ano. Queríamos ter chegado mais longe, mas havia adversários muito difíceis no nosso grupo. Espanha e Itália acabaram chegando à final do torneio. No fim das contas, tivemos um pouco de falta de sorte, porque poderíamos ter vencido o jogo contra os espanhóis. Mostramos que sabemos jogar futebol, mas não foi suficiente para ficarmos satisfeitos. Não é fácil. A Croácia é um país pequeno. É um grande problema para nós se dois ou três dos nossos jogadores se machucam.

E quais são os objetivos com o seu novo clube, o Wolfsburg? Você afirmou anteriormente que quer marcar 15 gols na temporada...
Eu quis dizer que ficaria satisfeito se conseguisse fazer isso. Mas prefiro deixar para lá objetivos pessoais. Para mim, a equipe está sempre em primeiro lugar. Quero me classificar com o Wolfsburg pelo menos para a Liga Europa, ou se possível para a Liga dos Campeões. Voltar a disputar torneios internacionais é o primeiro e principal objetivo do time.

Você assinou um contrato de dois anos com o Wolfsburg. Após esse período, você terá 34 anos. Depois disso, será hora de pendurar as chuteiras?
É difícil planejar quando ficamos mais velhos. Se eu me sentir bem, poderei seguir jogando. Mas se eu perceber que não tenho mais condições de alcançar os meus objetivos, então vou parar. Até lá, quero jogar bem por mais dois anos no Wolfsburg e depois veremos.

Você já vivenciou grandes conquistas ao longo da carreira. O que mais seria possível alcançar?
Na teoria, estou muito satisfeito. Mas claro que eu gostaria de ter vencido uma das duas finais de Liga dos Campeões que disputei com o Bayern de Munique. Dificilmente terei mais uma chance dessas. Mas ainda gostaria de disputar uma Liga Europa pelo Wolfsburg, pelo menos. Este ano será o primeiro dos últimos dez que não vou jogar um torneio internacional. Já tive muitas conquistas, mas ainda tenho muita força e vontade para o futuro.

Você é famoso pela sua combatividade e raça, por ser um jogador que nunca desiste e dá tudo de si até o final...
Sou conhecido por essas características e talvez por isso eu tenha tido uma boa carreira. Se não fosse isso, eu seria apenas um jogador normal. Esses foram os meus principais pontos fortes.