O ano de 2012 vem sendo intenso e de sensações contraditórias para Javi Martínez. O jogador chegou com o Athletic de Bilbao às decisões da Copa do Rei e da Liga Europa, mas não conseguiu conquistar nenhum dos dois títulos. Em seguida, fez parte do plantel espanhol que assegurou o bicampeonato da Eurocopa, apesar de ter atuado apenas 25 minutos.

Com o retrospecto de quem também já havia vencido a Copa do Mundo da FIFA 2010, ele preferiu assumir outra responsabilidade e ser o capitão da seleção olímpica espanhola que, após 12 anos de ausência dos Jogos, voltava com o rótulo de uma das favoritas na briga por uma medalha. Porém, o sonho olímpico foi interrompido cedo demais. Duas derrotas pelo placar mínimo contra Japão e Honduras eliminaram a Espanha antes mesmo do fim da primeira fase. A despedida contra o Marrocos foi melancólica, e os jogadores voltaram para casa com apenas um ponto e sem nenhum gol marcado.

O FIFA.com conversou com Javi Martinez para analisar as causas do fracasso espanhol no Torneio Olímpico de Futebol Masculino.

FIFA.com: Que análise foi feita das duas derrotas iniciais que eliminaram a Espanha dos Jogos Olímpicos?
A nossa conclusão é a de que perdemos uma grande oportunidade, porque havia uma grande equipe e um grande treinador. Mas às vezes o futebol é assim. Não estivemos no nosso melhor nível. Acredito que a equipe jogou bem e merecia muito mais, mas não tivemos a sorte do nosso lado. Por exemplo, no jogo contra Honduras finalizamos 24 vezes, mandamos três bolas na trave e tivemos dez chances claras, mas mesmo assim não fizemos gol. E eles chegaram duas vezes e marcaram um. Contra isso não dá para fazer muito. Contra o Marrocos, como profissionais, mesmo sem valer nada o jogo, queríamos transformar aquela imagem e nos despedir com três pontos, mas não foi possível. Enfim, acho que devemos nos orgulhar da forma como jogamos, especialmente na partida contra Honduras, mas às vezes a bola não quer entrar, e não dá para fazer nada. O que lamentamos é que tanto trabalho tenha sido jogado fora.

Além do azar, você acha que pesou outro fator, como o tático ou o físico?
Não, o futebol é que é assim. Em algumas partidas vamos bem, em outras vamos mal. Não acho que tenhamos jogado tão mal para merecer este resultado. A equipe fez o que tinha de fazer, mas a bola não entrou. E foi isso.

Talvez a melhor lembrança desta experiência seja o clima da Vila Olímpica em Londres e a participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos...
Estar nos Jogos Olímpicos é uma experiência muito especial. A classificação é muito difícil, e a convocação também. No caminho também tivemos muitos momentos bons e ruins. A Espanha não participava havia 12 anos, e isso é algo de que devemos nos orgulhar. Ter participado do desfile na cerimônia de abertura e visitado a Vila Olímpica é uma recordação inesquecível. Tivemos a sorte de conhecer vários jogadores da NBA espanhóis e franceses, e inclusive tiramos fotos com eles. Foi uma pena não ter visto Lebron James, Kobe Bryant ou Usain Bolt, que são atletas que admiro muito.

O verão europeu foi especialmente intenso para você, que chegou à Olimpíada logo depois da Euro 2012...
Uns dias de férias não serão ruins, pois vou poder me desconectar física e mentalmente. A temporada foi longa com o clube, e em seguida vieram dois torneios. Preciso descansar antes de voltar a atuar pelo meu clube.

Na primeira temporada com o técnico Marcelo Bielsa, o Athletic de Bilbao chegou às finais da Copa do Rei e da Liga Europa, mas não conseguiu conquistar nenhum dos dois títulos. Qual é o desafio deste ano?
Sem dúvida, a meta é superar o desempenho do ano passado. O clube, os jogadores e os torcedores estão felizes com o rendimento. Apesar de todas as ótimas sensações, ficamos com uma espinha na garganta por causa das derrotas nas duas decisões. Temos de continuar trabalhando para sermos melhores jogadores e aperfeiçoarmos o nosso futebol.

Apesar do golpe que representou o torneio olímpico, você acredita que as novas gerações das categorias inferiores poderão continuar sustentando o sucesso da seleção principal?
Sem dúvida nenhuma, pois tivemos anos ótimos. Somos campeões europeus sub-21 e sub-19. Temos boas categorias de base, e há total confiança. Todo mundo se acostuma com as coisas boas com facilidade, e muitas vezes em uma boa sequência ou uma boa dinâmica não é dado o valor necessário ao quanto é difícil ganhar. Estes golpes fazem com que a gente pare para pensar e perceba o quanto é difícil. Parece que o último Campeonato Europeu foi conquistado facilmente, mas não foi assim. Experiências amargas como os Jogos Olímpicos fazem a gente compreender que a linha entre o sucesso e fracasso é bastante tênue.