Markus Babbel foi um zagueiro extraordinário e conquistou vários títulos jogando por grandes clubes, como Bayern de Munique, Stuttgart e Liverpool. Como se isso fosse pouco, ele também fazia parte da seleção alemã que venceu a Euro 1996 na Inglaterra, último grande triunfo do país.

Hoje, aos 39 anos, Babbel trocou de carreira e se tornou treinador. Natural de Munique, ele está desde fevereiro deste ano no Hoffenheim, depois de passagens pelo comando do Stuttgart e do Hertha Berlim.

O FIFA.com entrevistou Babbel com exclusividade na cidade de Füssen, ao sul da Alemanha, onde o Hoffenheim, primeiro clube do país a iniciar a pré-temporada, já se prepara para o próximo campeonato nacional. O treinador falou sobre os objetivos de sua equipe, sobre seu gosto por tatuagens e sobre a Euro 2012. Ele acredita que a seleção alemã será campeã continental e está torcendo para que a final seja contra a Espanha.

FIFA.com: O Hoffenheim foi o primeiro clube alemão a iniciar a pré-temporada. Por que você deu férias tão curtas aos jogadores?
Markus Babbel: Os rapazes vão precisar me desculpar. Infelizmente, tiveram apenas cinco semanas de férias [risos]. Brincadeiras à parte, os planos da preparação para a próxima temporada já haviam sido definidos há muito tempo por meu antecessor. Mas acredito que férias longas demais não fazem bem aos jogadores. Pessoalmente, sempre achei difícil entrar em forma novamente depois de pausas extensas. Por isso, considero importante voltar cedo aos treinos.

O Hoffenheim subiu para a elite do futebol alemão em 2008 e começou bem em sua temporada inicial no campeonato nacional, conquistando o título simbólico de campeão do primeiro turno. Mas depois disso o rendimento da equipe estagnou. Quais são os objetivos do clube para o próximo torneio?
No fim das contas, o único que importa são as vitórias. Por isso, queremos vencer o maior número possível de partidas para ficarmos bem longe da zona de rebaixamento. Precisamos ir bem principalmente jogando em casa, para que nossa torcida fique satisfeita. Vamos dar um passo de cada vez, mas, quanto mais rápido atingirmos este primeiro objetivo, maior será nossa possibilidade de brigar para ficar no topo da tabela.

Para conseguir isso, o Hoffenheim mais uma vez investiu em contratações. Entre elas, estão o goleiro reserva da seleção alemã Tim Wiese e o atacante da seleção suíça Eren Derdiyok. O que você espera dos novos reforços, em especial desses dois?
Muito simples. Eles precisarão mostrar o que são capazes de fazer. O Wiese atualmente é o segundo melhor goleiro da Alemanha. Tem uma enorme experiência internacional e está acostumado a jogar em um alto nível. Ele se destaca por sua grande motivação e esperamos que consiga passá-la para o resto da equipe, pois tem a capacidade de "empurrar" os companheiros. Já em relação ao Derdiyok, espero que ele consiga mostrar todo seu potencial e que ajude a equipe. Obviamente, será avaliado pelos gols que fizer. Todos os dirigentes do clube e eu, como treinador, temos muita confiança no Tim e no Eren.

Pela primeira vez, você foi contratado para exercer uma dupla função de técnico e diretor. Quais os novos desafios deste segundo cargo?
Evidentemente, fiquei orgulhoso pela confiança que o clube depositou em mim ao me encarregar dessas duas funções. É claro que me sinto mais técnico do que diretor, mas justamente por isso tenho uma equipe a meu lado, na qual tenho 100% de confiança. Essa equipe realiza o trabalho dos bastidores e me apoia muito para que eu possa ficar totalmente concentrado no time. E, caso eu tenha um compromisso como diretor, meus assistentes me substituem no trabalho de campo.

Em sua última época como jogador, você tatuou o escudo de seus ex-clubes no braço direito. Por acaso já marcou horário com o tatuador para fazer o distintivo do Hoffenheim?
Farei isso quando achar que é o momento adequado. Até agora não foi possível. Meu tatuador de confiança infelizmente não estava disponível durante as férias de verão. Por isso, a tatuagem do Hoffenheim precisará esperar mais um pouco. Mas não tenho pressa, porque pretendo ficar por aqui bastante tempo.

Suas tatuagens são sinais de uma carreira de muito sucesso e muitos títulos. Mas, como treinador, você ainda não ergueu nenhum troféu. Sente muita falta daquelas conquistas?
Bem, fui campeão da segunda divisão com o Hertha Berlim. Já é um começo. Aos 39 anos, acredito que não é nada anormal não ter conquistado nenhum grande título como treinador. Ainda estou em início de carreira. É preciso se esforçar para ganhar títulos e este é sem dúvida meu objetivo. É para isso que trabalho todos os dias com minha equipe. Tenho ótimas condições aqui no Hoffenheim, o que contribui de forma decisiva para que eu me divirta com o que faço. Isso é ainda mais importante do que ganhar títulos. Mas é óbvio que tenho a ambição de conquistar troféus no futuro.

Ao longo de sua carreira como jogador, você foi comandado por vários técnicos muito experientes. Com qual treinador você mais aprendeu para realizar seu trabalho de fora do gramado?
Tive a sorte de ter trabalhado com vários técnicos muito experientes. Dá para aprender muito com profissionais como Giovanni Trapattoni, Ottmar Hitzfeld ou Matthias Sammer. Mas, nas categorias de base do Bayern de Munique, também tirei muitas lições de meus treinadores. Acredito que é uma mistura de tudo isso que me fez amadurecer nesta função.

Como você, que atuava como zagueiro, enxerga a evolução dessa posição nos últimos anos? Quais os requisitos necessários para um zagueiro hoje em dia?
Atualmente, o zagueiro é o primeiro criador de jogadas. Ele constrói o jogo desde o campo defensivo e, por isso, precisa ser muito forte tecnicamente e saber reconhecer as diferentes situações de jogo. Também tem que ser capaz de dar tanto passes curtos quanto longos. Combatividade e velocidade completam a lista de atributos necessários. Na seleção alemã, vemos como jogadores como Mats Hummels e Holger Badstuber podem ser importantes.

E como você avalia o desempenho da seleção alemã na Euro 2012 até o momento?
Além de Hummels e Badstuber, que estão em perfeita harmonia com Sami Khedira e Bastian Schweinsteiger, o resto da equipe está fazendo uma ótima competição. A seleção alemã definitivamente tem potencial para ganhar o torneio. Isso é algo que já foi percebido pelos outros países, que têm medo da Alemanha e estão jogando de forma muito defensiva contra ela. A final de meus sonhos seria sem dúvida Alemanha x Espanha. E tenho certeza de que conseguiríamos vencer a atual campeã europeia e mundial. Em minha opinião, a equipe do Joachim Löw está tendo um desempenho impressionante. Por outro lado, falta um pouco de ambição à Espanha.

No entanto, antes da decisão a Alemanha precisará enfrentar a Itália na semifinal. Na Copa do Mundo da FIFA 2006, a Azzurra levou a melhor contra a seleção alemã. O que você espera dessa partida?
Eu preferiria ter os ingleses como adversários. Por um lado, porque joguei por vários anos no campeonato do país. Por outro, porque acredito que a Inglaterra seria melhor para nós. Antonio Cassano e Mario Ballotelli são dois jogadores de muita qualidade, mas também muito extravagantes. Costumam deixar os técnicos de cabelos em pé. A Itália pode ser muito perigosa para qualquer seleção do mundo.