Ao abrir as portas da seleção a várias promessas do futebol italiano na lista de 32 pré-convocados para a Euro 2012, o técnico Cesare Prandelli mostrou que continua a impor seu estilo e sua filosofia ao processo de renovação gradual da Azzurra.

Embora na defesa ele tenha recorrido à experiente formação da Juventus, a menos vazada do Campeonato Italiano, no ataque o treinador decidiu arriscar, apostando no impetuoso Mario Balotelli.

Vencer jogando bonito
A filosofia de Prandelli continua a mesma. "Precisamos ter confiança na nova geração", pregou. "Os jovens trazem otimismo e entusiasmo. O meu objetivo é conquistar os resultados jogando um futebol bonito. Mas, como nos oito últimos meses nós disputamos apenas duas partidas, teremos de recomeçar do zero."

Na lista, que conta com sete jogadores da Juventus, embora nenhum atacante, além de quatro jovens estreantes na seleção, a surpresa aparece no setor ofensivo, onde Prandelli resolveu ser um pouco mais radical. Assim, Pablo Osvaldo, Alessandro Matri, Giampaolo Pazzini, Alberto Gilardino, Fabio Quagliarella e Marco Borriello, nomes que costumam aparecer entre os favoritos dos torcedores, terão de assistir à competição continental pela televisão.

"Não quero atacantes estáticos, fixados em determinada área do campo", explicou o treinador. Alguns desses antigos frequentadores da seleção não foram convocados por terem perdido espaço nos clubes por onde atuam, outros por não possuírem o perfil desejado. O caso do atacante Osvaldo, da Roma, é diferente. Expulso duas vezes por atitudes antidesportivas, ele foi vítima do código de ética instaurado por Prandelli.

Por outro lado, Mario Balotelli, que andou pecando um bocado nesta temporada, escapou de punição, assim como Daniele de Rossi, que se desculpou por suas faltas. "Mario tem um talento que queremos ajudar a desenvolver ao máximo e acreditamos que podemos consegui-lo durante esta Eurocopa. Além disso, todo o ambiente o ajudará a manter a concentração exclusivamente na seleção", comentou o técnico, que aposta na dupla Antonio Cassano e Balotelli, tão explosiva quanto assimétrica.

Ainda no ataque, um setor especialmente deficiente na última Copa do Mundo da FIFA, Prandelli promoveu o retorno do experiente Antonio di Natale, que marcou uma média de 27 gols nas últimas três temporadas com a Udinese e que, aos 34 anos, ainda coloca o coração na ponta da chuteira quando veste o uniforme da Azzurra. "Prefiro um jogador como ele a outro mais jovem e condicionado, mas que não tenha amor à camisa", destacou o comandante.

Experiência e juventude no meio
A lista italiana de pré-convocados inclui ainda nada menos que 11 jogadores do meio de campo. Velhos conhecidos da seleção, como Andrea Pirlo, Thiago Motta e De Rossi, aparecem em meio a muitas caras novas: Emanuele Giaccherini, da Juventus; Ezequiel Schelotto e Luca Cigarini, da Atalanta; e a jovem promessa do Pescara, Marco Verratti, que está saindo da segunda divisão para jogar na Juventus. Claudio Marchisio, cuja parceria com Pirlo tem feito a alegria dos torcedores da Velha Senhora, encontra-se entre as duas faixas etárias e é outro nome que pode atingir o auge na Euro.

Vale destacar que, além de Verratti, o elenco conta ainda com um segundo jogador da Série B italiana, o zagueiro do Torino Angelo Ogbonna, que estreou pela seleção em fevereiro, contra a Polônia. "Eles foram convocados não só porque merecem, mas também porque eu quero mostrar que qualquer jogador pode ser chamado, mesmo atuando na segunda divisão", defendeu Prandelli.

Na defesa, por fim, diante de um Gianluigi Buffon completamente recuperado da operação de hérnia de disco, os nomes habituais, desde Salvatore Bocchetti a Leonardo Bonucci (Juventus), passando por Andrea Barzagli e Giorgio Chiellini, estão todos pré-convocados para o desafio europeu, ainda que Chiellini, lesionado, seja dúvida.

O técnico italiano divulgará a lista definitiva de 23 jogadores no dia 29 de maio, data limite estabelecida pela UEFA. "Os nove excluídos do grupo irão se sentir vítimas de uma injustiça. É natural, mas a escolha será exclusivamente técnica", disse Prandelli. Perguntado sobre até onde espera chegar com essa nova equipe, dois anos após a campanha decepcionante na África do Sul 2010 e num momento em que a Itália ocupa apenas a 12ª posição no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola, o comandante foi curto e direto. "Não sou o tipo de treinador que estabelece um objetivo mínimo. A minha ideia é montar uma seleção e conquistar o título europeu."