O alemão Michael Weiss é conhecido por comandar suas equipes com pulso firme e também por saber como motivar seus jogadores a conseguir feitos notáveis. Nos últimos anos, estas características se acentuaram quando ele aceitou o desafio de treinar a modesta seleção das Filipinas. O resultado foi logo visto: sob a sua batuta, o país mostrou grande evolução e, recentemente, superou as expectativas ao terminar na terceira colocação da Challenge Cup, torneio que reúne seleções emergentes da Ásia.
"A conquista da medalha de bronze foi o maior triunfo da história do futebol filipino", afirmou Weiss cheio de orgulho ao FIFA.com. "Os jogadores ficaram imortalizados depois disso. Antes do torneio, ninguém nos levava muito a sério, mas agora conquistamos respeito. Chegou a hora de dar o próximo passo e jogar de igual para igual na nossa região com as equipes que costumam encarar os grandes, como as seleções do Oriente Médio, e, mais tarde, também jogar de igual para igual com Japão, Austrália e Coreia do Sul."
Se as metas são ousadas, ao menos Weiss destaca mudanças importantes na mentalidade dos filipinos nos últimos tempos. Especialista no futebol do Extremo Oriente e da África, ele destaca que o futebol estava longe de ser o esporte mais popular do país, perdendo para o basquete. No entanto, graças ao sucesso recente, a seleção filipina está ganhando cada vez mais popularidade no coração dos cerca de 92 milhões de habitantes do país do Sudeste Asiático.
"Quando jogamos em Manila, os estádios têm ficado completamente lotados", comentou Weiss. "Os torcedores se pintam e tratam os jogadores como astros. O entusiasmo é de tirar o fôlego. Estamos explorando o mundo e trabalhando uma etapa de cada vez em melhorias táticas e para adquirir a mentalidade de vencedor necessária. Percebemos como o reconhecimento está aumentando, assim como a força dos nossos adversários em amistosos. E é justamente isso que precisamos continuar fazendo."
Outro fator importante foi que Weiss logo compreendeu o sistema de funcionamento dos jogadores locais. "É muito importante aceitar a mentalidade existente. Não faz sentido chegar aqui com a mentalidade típica alemã e querer virar tudo de cabeça para baixo", diz. "Mas é claro que é preciso ensinar os jogadores que o sucesso só pode ser alcançado através de muito trabalho e um certo nível de disciplina."
Nesse aspecto, Weiss não está tendo problemas. Cerca de 20 jogadores da seleção filipina jogam em clubes do próprio país. Além disso, o elenco conta há alguns anos com profissionais atuando na Europa e na América, atletas que cresceram em outros países, mas querem continuar ligados às suas raízes filipinas. "Antes dos grandes jogos, chegam jogadores da Inglaterra, Espanha e Alemanha, por exemplo", explica Weiss. "Um dos meus desafios é fazer um primeiro trabalho preparatório para deixar o elenco regular em um certo nível. Depois, isso possibilita que treinemos com eficiência antes dos grandes jogos, quando os atletas do exterior são adicionados à equipe."
Reforços do exterior
O principal craque do futebol filipino na atualidade se chama Stephan Schröck. O jogador de 25 anos vai se transferir dentro de dois meses do Greuther Fürth, que já garantiu vaga na primeira divisão alemã para a próxima temporada, para o Hoffenheim e costuma viajar sempre com muita alegria para defender o seu país. "Quando contamos com o Schröck e com a dupla de volantes formada pelo Manuel Ott, que atua na equipe amadora do Ingolstadt (da segunda divisão germânica) e pelo Jerry Lucena, que joga na Dinamarca, temos condições, em um bom dia, de dificultar a vida de seleções entre intermediárias e fortes da Ásia", afirma Weiss.
No entanto, Weiss também sabe que não faz muito sentido superlotar a equipe com jogadores do exterior. "O objetivo não é alcançar sucesso a curto prazo, e sim conseguir uma evolução da seleção a longo prazo e estabelecer o futebol no coração dos filipinos", comentou o técnico. Pensando nessa missão, os jogadores James e Phil Younghusband têm um valor inestimável. Os dois irmãos aprenderam a jogar bola no Chelsea, da Inglaterra, mas vivem há muito tempo em Manila, capital do país, e atuam por um clube local. "Claramente, eles são duas figuras importantes e que têm muita identificação!"
Mas foi justamente Schröck o responsável por um momento espetacular nas Filipinas. Na segunda fase das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo da FIFA 2014, o selecionado filipino havia sido derrotado por 3 a 0 na partida de ida contra o Kuwait fora de casa. No segundo jogo, em casa, o favorito do público abriu o placar com um belo chute de longa distância antes de ver os visitantes virarem para 2 a 1 no segundo tempo. "Ficamos decepcionados, mas eu falei para os jogadores não baixarem a cabeça, porque aquilo era apenas o começo", lembra Weiss.
Um passo de cada vez
Agora, um dos aspectos que precisam ser trabalhados pelo técnico é evitar que a torcida crie expectativas altas demais em muito pouco tempo. "Enxergo o perigo de que as pessoas queiram muito progresso com muita rapidez", aponta o alemão. "Os primeiros triunfos são sempre ótimos, mas não podemos nos esquecer que é preciso pensar em dar um passo de cada vez." E Weiss realmente age conforme o seu modo de pensar. Alguns jogadores que não estavam preparados para seguirem a sua filosofia foram provisoriamente retirados do elenco.
Mas exatamente até onde seria possível chegar? "Ainda é cedo demais para se falar em classificação à Copa do Mundo, mas estou convencido de que vamos conseguir mais do que alcançar apenas a segunda fase das eliminatórias para o Mundial de 2018", explica Weiss, determinado a aproximar as Filipinas da elite continental. "O nosso grande objetivo é ganhar a Challenge Cup 2014, porque então estaríamos classificados para a Copa Asiática de Seleções em 2015 na Austrália. Esse é um objetivo realista."
