A seleção de Botsuana foi uma das maiores surpresas entre as 16 classificadas para a Copa Africana de Nações 2012. O país começou a campanha nas eliminatórias com uma vitória inesquecível na Tunísia e foi ganhando confiança a cada jogo, garantindo a vaga meses antes do fim do torneio classificatório. No total, sofreu apenas uma derrota em dez partidas.
Faltando apenas uma semana para o início da competição no Gabão e na Guiné Equatorial, a seleção debutante tem como objetivo mostrar que merece figurar na elite africana. Mais do que isso, quer provar que a classificação representa o surgimento de uma nova geração que tem como objetivo colocar o país no mapa mundial do futebol.
Os botsuaneses estão na cidade de Douala, em Camarões, para a conclusão dos preparativos que começaram em dezembro e já levaram o grupo a se concentrar em dois lugares diferentes na África do Sul. "Gostaria de ter começado as preparações ainda em setembro, mas não foi possível", destaca o técnico Stanley Tshosane, um oficial do exército que gosta de ser como um pai para os jogadores, quase todos eles de clubes do próprio país.
Tshosane contava com a interrupção do campeonato nacional para reunir o grupo mais cedo, mas sete atletas de clubes da África do Sul só foram liberados às vésperas do Natal. "É igual a ir à escola: se você se prepara bem para as provas, tira boas notas", compara. Mesmo assim, ele sabe que teve mais tempo do que a maioria dos adversários para entrosar a equipe e espera que possa aproveitar essa vantagem em um grupo bastante complicado.
Dia 24 de janeiro, Botsuana estreará contra a seleção de Gana, a melhor representante africana da última Copa do Mundo da FIFA. "A preparação para nos enfrentar não será fácil, já que somos um tanto desconhecidos", afirma Tshosane sobre o adversário. "Éramos uma zebra quando começamos, e ainda somos uma zebra."
Força máxima
Contra um adversário de muito mais tradição, Tshosane poderá contar com um grupo cheio de autoestima e com muita energia e velocidade. Além disso, o plantel construiu um grande entrosamento durante a campanha nas eliminatórias. "A nossa vantagem é que conhecemos os nossos pontos fortes e fracos e vamos trabalhar em cima deles desde o início", ressalta.
Entretanto, o técnico admite que o ataque ainda o preocupa. "Podemos não marcar muitos gols, mas somos disciplinados e também não levamos muitos", observa. "Somos pacientes, jogamos fechados, trabalhamos duro e atacamos quando as oportunidades se apresentam."
Jerome Ramatlhakwane foi um dos artilheiros das eliminatórias, com cinco gols, mas não atua profissionalmente há dois anos. O longo litígio enfrentado com um clube da África do Sul já foi encerrado, mas ele está sem ritmo de jogo. Ramatlhakwane e os demais jogadores são ilustres desconhecidos fora do continente, mas, conforme Tshosane, ainda podem virar astros da bola.
Para o técnico, apesar de ainda enfrentar Mali e Guiné no mesmo grupo, o selecionado está pronto para brigar por um lugar nas quartas de final. Porém, o grande objetivo não é chegar longe, mas sim mostrar um bom futebol. "Queremos simplesmente orgulhar o país durante o torneio", conclui.
