Três antigos vencedores da Copa do Mundo da FIFA cujo talento iluminou o planeta bola no final do século 20 e nos primeiros anos do novo milênio se despediram do futebol em 2011. Em luta contra o próprio físico, o atacante brasileiro Ronaldo, o meia francês Patrick Vieira e o zagueiro italiano Fabio Cannavaro penduraram as chuteiras depois de terem dado muitas alegrias a milhões de torcedores.
Jogadores como Claude Makelele, Paul Scholes, Mathias Almeyda e Marcelo Gallardo também deram adeus aos gramados após longos anos de bons serviços prestados ao esporte. O FIFA.com preparou uma lista de futebolistas que se aposentaram este ano, muitos dos quais agora trabalham como treinadores.
Emoção na despedida do Fenômeno
A aposentadoria mais célebre de 2011 certamente foi a de Ronaldo Luis Nazário de Lima, o inconfundível Ronaldo. Segundo maior artilheiro da história da Seleção atrás de Pelé (62 gols em 98 compromissos), maior artilheiro de todas as edições do Mundial (15 gols), autor de 367 gols em 531 partidas pelos clubes que defendeu, dos quais 104 em 177 jogos só pelo Real Madrid, o Fenômeno venceu a Copa do Mundo da FIFA em 1994 e em 2002, disputou a final em 1998 e foi três vezes eleito Jogador do Ano da FIFA, em 1996, 1997 e 2002.
Com arrancadas de tirar o fôlego, dribles desconcertantes e um faro de gols particularmente desenvolvido, o ex-camisa 9 construiu um longo e bem-sucedido currículo e permanece no coração do torcedor brasileiro como o grande sucessor de Pelé.
No dia 14 de fevereiro, o centroavante de 34 anos anunciou o fim da carreira profissional revelando sofrer de hipotireoidismo, distúrbio metabólico que estaria na origem da sua dificuldade em emagrecer. "Muitos aqui devem estar arrependidos das chacotas que fizeram em relação ao meu peso", explicou Ronaldo. "Não guardo mágoa de ninguém. Esse anúncio é como a minha primeira morte. É muito duro abandonar algo que me fez tão feliz", emocionou-se um dos melhores jogadores de todos os tempos.
O Muro de Berlim e o Rochedo do Arsenal
Exatamente cinco anos após a vitória da Itália na final da Copa do Mundo da FIFA Alemanha 2006, conquista que lhe rendeu o apelido de "Muro de Berlim", Fabio Cannavaro encerrou a sua trajetória esportiva no Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, em função de uma lesão no joelho. Paradoxalmente, o jogador de 37 anos — que estreou no Napoli aos 18 — deixou os gramados sem nunca ter vencido o Campeonato Italiano, mesmo tendo disputado 16 temporadas da Série A com as camisas de Napoli, Parma, Internazionale e Juventus. Aos olhos da torcida italiana, porém, ele continuará sendo o emblemático capitão do tetracampeonato mundial da Azzurra e recordista absoluto em número de jogos pelo selecionado, à frente de Paolo Maldini e Dino Zoff.
Derrotado por Cannavaro e cia. em 2006, mas vitorioso em 1998, o francês Patrick Vieira também encerrou um capítulo importante no mês de julho. O volante de 35 anos se despediu do futebol tendo disputado 651 partidas em clubes prestigiados como Arsenal, Milan, Juventus e Manchester City. Pela França foram 107, ao longo das quais ele foi uma das referências do selecionado campeão mundial em 1998 e europeu em 2000. Aliás, apenas três atletas do elenco gaulês que conquistou o mundo em 1998 continuam em atividade: Thierry Henry, Robert Pires e David Trezeguet. Trabalhando agora nos bastidores do Manchester City, Vieira diz estar "dividido" entre as novas funções. "Como ainda não sei no que vou me especializar, passo tempo em todos os departamentos do clube para aprender e observar", contou o ex-capitão do Arsenal.
Ainda na França, o incansável volante Claude Makelele se aposentou dos campos no dia 29 de maio. O jogador de 38 anos acumulou 880 jogos nos sete clubes por onde passou, além de ter disputado 71 partidas com a camisa francesa. Makelele foi campeão nacional com o Nantes em 1995, com o Real Madrid em 2001 e 2003 e com o Chelsea em 2005 e 2006. Ele pendurou as chuteiras no Paris Saint-Germain, onde agora trabalha como conselheiro.
Diabos Vermelhos também param
Na Inglaterra, o ídolo do Manchester United Paul Scholes anunciou o seu afastamento dos gramados no dia 31 de maio aos 36 anos de idade. O ex-meio-campista passou a integrar o corpo de treinadores do clube com um cartão de visitas respeitável: foram 66 jogos e 14 gols com o uniforme inglês, além de dez títulos da Premier League com o United, três Copas da Inglaterra, duas Ligas dos Campeões da UEFA e uma Copa Intercontinental. Mesmo longe do retângulo verde, Scholes continua tendo voz ativa no esporte. "Hoje em dia os jogadores da seleção inglesa são tratados como grandes astros nos seus clubes e acho que isso acaba prejudicando a seleção, porque as pessoas são gentis demais com eles", analisa.
Outro pilar dos Diabos Vermelhos que decidiu encerrar a carreira foi o lateral direito Gary Neville, que também marcou época na seleção inglesa. "Fui torcedor do Manchester United a vida toda e realizei todos os meus sonhos no clube", declarou em fevereiro, às vésperas do aniversário de 36 anos, ao comunicar a decisão. "Joguei com e contra os melhores jogadores do mundo e tive a chance de participar dos sucessos do clube. Posso virar a página", completou o jogador cujo irmão Phil, de 34 anos, continua atuando pelo Everton.
Quem completa o trio de craques do Manchester United que deixou os gramados em 2011 é o holandês Edwin van der Sar. Recordista em número de jogos pela seleção do seu país (130) e melhor goleiro da Europa em quatro oportunidades, ele se aposentou do futebol aos 40 anos de idade, assim como o mítico Dino Zoff, alegando ser "hora de dedicar mais tempo à família". Camisa um dos Diabos Vermelhos entre 2005 e 2011, van der Sar esteve debaixo das traves pela última vez no dia 28 de maio, chegando à marca de cem partidas de Liga dos Campeões por ocasião da final perdida por 3 a 1 diante do Barcelona.
A Dinamarca não poderá mais contar com o goleador Jon Dahl Tomasson (52 gols em 112 partidas pela seleção), mas ele continua no esporte como assistente técnico do Excelsior de Roterdã. Mesmo destino teve o finlandês Sami Hyypia, que passou a integrar a comissão técnica do Bayer Leverkusen. Este foi o último clube do zagueiro de 37 anos, após dez temporadas liderando a defesa do Liverpool.
Na Espanha, Iván De La Peña pôs fim a uma carreira discreta, mas pontuada de títulos, que começou sob as ordens de Johan Cruyff no Barcelona. O ex-meia-atacante de 35 anos teve o azar de chegar ao clube cedo demais, antes da febre azul-grená.
Segunda vida para Gallardo
A América do Sul também viveu uma onda de aposentadorias nos últimos 12 meses, especialmente na Argentina, onde uma geração de muito talento deixou as canchas. É o caso do zagueiro Roberto Ayala, imperial no jogo aéreo ao longo dos 115 jogos que disputou pela seleção, e do fantástico Martín Palermo, atacante incompreendido na Europa mas ídolo e maior artilheiro da história do Boca Juniors (236 gols em 404 partidas). Outro exemplo é o volante Matias Almeyda (39 jogos com a camisa alviceleste), que passou de jogador do River Plate à técnico do time no dia seguinte ao histórico rebaixamento para a segunda divisão.
O meio-campista Marcelo Gallardo teve um fim de carreira parecido. Integrante do conjunto argentino que disputou a Copa do Mundo da FIFA em 1998 e 2002, o baixinho de 1,65m anunciou a aposentadoria no começo de junho, após uma última temporada no Nacional de Montevidéu. No dia 30 do mesmo mês, foi contratado como treinador da equipe. E a estreia não poderia ter sido melhor, já que, poucos meses mais tarde, ele ergueu o primeiro troféu de campeão no novo cargo.
Já o jogador da seleção francesa Jérémy Menez, de 24 anos, ainda está longe de cogitar a aposentadoria. Mas, pensando no futuro, ele confiou a gestão das suas economias ao irmão Kevin e pediu que o dinheiro fosse investido em residências especiais para aposentados — retorno garantido!
