Nem é preciso lembrar Mixu Paatelainen de que a Finlândia nunca se classificou para nenhum torneio importante. Afinal, ele passou a maior parte dos seus 15 anos como jogador tentando mudar esse fato. Porém, apesar dos 70 jogos que fez pela sua seleção, não conseguiu acabar com essa longa espera.
Agora, como técnico, o seu primeiro desafio é uma eliminatória para a UEFA Euro 2012 que, conforme ele mesmo admite, já é uma causa perdida. Quatro derrotas em seis jogos deixaram os finlandeses 12 pontos atrás da líder Holanda e nove da Suécia, segunda colocada. Por isso, Paatelainen pensa agora no futuro.
"Esta campanha evidentemente não saiu de acordo com o plano", disse o técnico da seleção finlandesa, que voltará à ação nas eliminatórias nesta sexta-feira, contra a Moldávia. "É por isso que houve a troca no comando do selecionado e agora estou onde estou. Vamos nos preparar para o futuro, ou seja, para a Copa do Mundo de 2014, a Euro de 2016 e o que vier depois."
"Atualmente, temos uma seleção muito jovem e inexperiente, mas a única maneira de ganhar experiência no futebol é jogando", analisou Paatelainen, que, na seleção, foi companheiro de craques nacionais como Jari Litmanen e Sami Hyypiä. "Daremos essa oportunidade aos garotos. A ideia é fazer o grupo evoluir agora, para que nos próximos torneios tenhamos a chance de dar um passo além e nos classificarmos. Isso seria o máximo para nós. Adoramos o futebol na Finlândia e sempre sonhamos em chegar a um torneio importante. Já estivemos perto disto no passado. Tomara que o dia em que isto finalmente aconteça não demore em chegar."
O compromisso de Paatelainen com a nova geração é admirável, mas ele sabe bem que a sua jovem seleção é recebida com algum ceticismo. Na verdade, muita gente acredita que o desafio de conduzir a Finlândia a um torneio importante provavelmente nunca foi tão difícil, já que o atual selecionado ficou enfraquecido com a aposentadoria de vários dos seus jogadores de peso. Mas, apesar de saber o quanto esses atletas eram influentes, o técnico ainda assim se diz entusiasmado com as possibilidades para o futuro do conjunto.
"É um projeto de longo prazo", explicou ao FIFA.com. "Sabia disso quando assumi e estou animado com o desafio. O importante é que não nos concentremos demais no passado. Já tivemos alguns craques do futebol europeu vestindo a camisa da nossa seleção, mas eles já se aposentaram. Precisamos seguir em frente. Temos de priorizar os jovens que vêm chegando, porque alguns deles são excelentes. A única coisa que falta, acho, é a experiência necessária para termos êxito no cenário internacional. E, como disse antes, é exatamente isso que pretendemos dar a eles. É uma nova era para a Finlândia e estou empolgado com a ideia de transformar a seleção em um adversário que tem de ser levado em conta", contou o técnico, que chamou Hyypiä, ex-zagueiro do Liverpool e do Bayer Leverkusen, para ser seu assistente.
Para os dirigentes do futebol finlandês, convencer Paatelainen a assumir o comando da seleção foi o primeiro e decisivo passo para esse processo de renovação. Centroavante robusto e de jogo físico nos tempos de atleta, ele fez do futebol ágil e atraente a sua marca como técnico, o que lhe garantiu inúmeros admiradores para as equipes que comandou.
Um exemplo é o Kilmarnock, da Escócia, clube que treinou até março, quando foi chamado para a seleção da Finlândia. Com o seu trabalho, o treinador de 44 anos transformou uma equipe destinada ao rebaixamento em uma aspirante cheia de estilo a uma vaga nos torneios continentais — esforço que foi recompensado com dois prêmios distintos de "técnico do ano". E, apesar de algumas pessoas terem questionado se ele se manteria fiel aos seus princípios puristas à frente do selecionado nacional, Paatelainen se mostra inflexível quanto ao fato de esta filosofia estar na base do renovado conjunto.
"Isto é certeza absoluta", garantiu. "Pergunte a qualquer jogador e ele lhe dirá que gosta de jogar bom futebol, de pôr a bola no chão, de tocá-la, de ser ofensivo e de sair para o jogo. Acho que esta é a única maneira de fazer isso e, em longo prazo, o único modo de chegar ao sucesso."
Estilo e conteúdo em abundância serão sem dúvida necessários caso os finlandeses pretendam se classificar à próxima Copa do Mundo da FIFA, principalmente depois de um sorteio que os colocou em um grupo com a França e a Espanha, atual campeã mundial. "Foi um sorteio interessante e também positivo, apesar de não ser exatamente o que eu esperava", admitiu Paatelainen, cuja seleção também terá pela frente a Geórgia e a ascendente Bielorrússia. "Teria preferido um grupo com seis países, para podermos jogar mais e ganharmos mais experiência."
Com a sorte jogando contra desta maneira, não seria surpresa alguma se Paatelainen passasse a desejar profundamente um retorno ao futebol de clubes, no qual vinha ganhando uma fama que chegou a suscitar propostas de equipes inglesas. No entanto, ele descarta a sugestão, insistindo que o seu atual trabalho — que é também a realização de um sonho pessoal — lhe oferece um desafio não só empolgante, como gratificante.
"A federação finlandesa não me colocou apenas à frente da seleção", explicou. "Também me pediu para cuidar da formação de técnicos e de reunir os responsáveis pelos clubes e pelos outros selecionados de base. É uma questão de melhorarmos no conjunto e de fazer algo que nos beneficie nas próximas décadas. Estou gostando de fazer isto. Sinto um pouco de falta da proximidade com os jogadores no dia a dia dos treinos, mas não muita. Não me arrependo. Há muito trabalho a ser feito por aqui e estou muito orgulhoso de ser o encarregado disto."

