"Campeões da Europa!" Foi com este grito que a torcida na Espanha comemorou quatro títulos em apenas três meses. O forte verão do hemisfério norte foi amenizado no país por uma sucessão de triunfos que seguiram a trilha aberta pela seleção principal, atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo da FIFA. Fica claro que, ainda que os estilistas neguem, o vermelho está na moda — principalmente nas camisas de futebol.
A conquista da Europa começou no dia 28 de maio, quando o Barcelona superou o Manchester United com autoridade e categoria na final da Liga dos Campeões. A superioridade do futebol dos comandados de Pep Guardiola foi tamanha que até mesmo o derrotado técnico Alex Ferguson não teve alternativa a não ser se render ao jogo do clube catalão: "É a melhor equipe que já vi", disse o escocês. "Todo mundo reconhece, e eu aceito. Não é fácil assimilar esta derrota. Ninguém nunca nos havia dado um passeio destes. Eles se divertem jogando."
No Olimpo
Com as férias dos clubes e da seleção principal, foi a vez de o selecionado pré-olímpico entrar em cena. A participação na Olimpíada era uma espinha atravessada na garganta desde o ano 2000. Sydney, na Austrália, viu a última geração olímpica do futebol espanhol, com um grupo que continha quatro dos atuais campeões mundiais: Xavi, Puyol, Capdevilla e Marchena. Desde aquela medalha de prata, porém, começou um período de seca para a Espanha nos Torneios Olímpicos de Futebol.
A pressão sobre os garotos do técnico Luis Milla estava ao máximo. Porém, com o mesmo grupo vice-campeão europeu sub-20 em 2010, os espanhóis encararam com confiança o torneio continental sub-21 classificatório para Londres 2012. Como reforço de luxo, dois campeões mundiais: Mata e Javi Martínez. A Espanha, cujo destaque foi a atuação de Thiago Alcântara, última revelação das categorias de base barcelonistas, garantiu a passagem para a Olimpíada com um fecho de ouro: derrotou a Suíça na final e ergueu o troféu europeu. "Esta é uma geração incrível, excelente, das melhores dos últimos anos", disse o filho do brasileiro Mazinho ao FIFA.com.
A maior parte da seleção olímpica é formada por jovens nascidos em 1991. Esses garotos também poderiam ter disputado a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA, mas o técnico do grupo que viajou à Colômbia preferiu contar com talentos mais descansados. Foi uma convocação quase inesperada, sem figuras de destaque. Ainda assim, a Espanha teve uma atuação que chamou a atenção em território colombiano, mostrando em campo o mesmo futebol técnico e de troca de passes que é quase uma marca registrada da Fúria. Mas, em um jogo muito equilibrado nas quartas de final, os espanhóis cruzaram com os brasileiros, futuros campeões, e somente os pênaltis acabaram com o seu sonho de levantar mais uma taça.
Apesar de tudo, algo ficou claro: há talento, qualidade e muitos recursos à disposição de Vicente del Bosque, técnico da seleção principal. "A Espanha tem como objetivo todos os títulos", contou há alguns meses Thiago Alcântara, que já conquistou o seu e agora serve de modelo a quem vem atrás. "É a seleção mais forte do mundo e tem excelentes categorias de base. A estrela de campeã não gera mais pressão, mais sim motivação. Para os jogadores mais jovens, é um estímulo, porque queremos chegar a esse ponto algum dia."
Triunfo também no sub-19
A festa espanhola continua conforme descemos de categoria. No dia 1º de agosto, a seleção sub-19 conquistou o título continental após derrotar a República Tcheca. "O segredo é o trabalho iniciado pela federação em cada região do país", explicou o técnico Ginés Meléndez. "Estes jogadores chegam quando têm 15 anos e aprendem a jogar no mesmo contexto, que não muda nas diferentes faixas etárias e que dura até eles alcançarem à seleção principal."
A Federação Espanhola se orgulha do trabalho constante e consolidado nas distintas faixas de idade. Tudo começou em 1996, sob o comando do técnico Iñaki Saéz, e é mantido com uma filosofia muito clara: as categorias de base fornecem o material humano para a seleção principal. A formação é um trabalho de longo prazo que requer paciência e esforço comum e envolve necessariamente vários participantes: federações regionais, clubes e famílias.
O objetivo é evidente: desde pequenos, os jogadores são educados no mesmo estilo, com os mesmos métodos e a mesma disciplina aplicada aos maiores. Assim, a evolução é mais natural e fluida.
Mulheres no mesmo nível
A seleção feminina da Espanha não fica atrás e se baseia nos mesmos princípios dos seus colegas do masculino. Apesar de o projeto ter começado mais tarde, a mesma maneira de pensar é aplicada.
Os resultados não tardaram. Em 2010, o conjunto sub-17 foi campeão europeu e bronze no Mundial Feminino da categoria, em Trinidad e Tobago. Neste ano, repetiu o êxito continental.
"É algo incrível para a Espanha conquistar o bicampeonato, uma vitória muito importante para o nosso futebol feminino", afirmou o técnico Jorge Vilda, que esteve por trás dos três títulos já mencionados. O pai do treinador, Ángel, comanda a seleção sub-19 e já promoveu 11 garotas do conjunto do filho. Agora, ele tem novas metas: "O objetivo é chegar à fase final de 2012, na Turquia", disse.
Depois do sucesso de 2011, a torcida espanhola vê com otimismo os desafios do ano que vem e concentra o interesse em dois eventos: a Eurocopa, na Ucrânia e na Polônia, e os Jogos Olímpicos de Londres. Será que a festa continuará?
