Após 11 anos defendendo Botsuana, Diphetogo "Dipsy" Selolwane passou por muitos altos e baixos. Poucos estão em melhores condições do que ele para dizer que a seleção do seu país está em "território desconhecido."

O maior astro do futebol do país tem uma visão interessante sobre o esporte mais popular do mundo e adotou uma postura moderada sobre a possibilidade de Botsuana conseguir realmente surpreender a todos e ficar com a vaga para a Copa Africana de Nações 2012.

Curiosamente, o apelido da seleção de Botsuana é justamente "Zebra". O país ocupa atualmente a 93ª posição no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola e há muito tempo é considerado um dos selecionados mais fracos do futebol africano. No entanto, Botsuana está tendo um começo fenomenal nas eliminatórias para o torneio continental que será sediado conjuntamente por Guiné Equatorial e Gabão. Depois de três partidas, a equipe chegou a sete pontos e está na liderança isolada do Grupo K.

Uma vitória contra Togo em casa, na capital Gaborone, no próximo sábado, deixaria Botsuana ainda mais firme na liderança. "Acredito que somos sérios candidatos", disse Selolwane ao FIFA.com. "Já temos sete pontos, mas precisamos ir devagar. Jogar um jogo de cada vez. Mas a cada ponto conquistado estaremos mais próximos de alcançarmos algo que muitos imaginavam que fosse impossível."

"A nossa seleção cresceu e amadureceu muito", continuou o jogador. "Estou defendendo o meu país desde 1999 e, ao ver o potencial dos jovens de hoje, percebo que eles já são bem melhores do que éramos quando tínhamos a mesma idade."

Selolwane vivenciou diversas campanhas frustrantes no passado com a seleção de Botsuana e sabe dar o devido valor à animação despertada pela boa fase da equipe, que tem chances reais de se classificar para o torneio continental. Seria um feito inédito para o país ao sul da África, que conta com menos de dois milhões de habitantes.

Botsuana surpreendeu a todos, inclusive à sua própria torcida, quando começou a campanha nas eliminatórias com uma vitória por 1 a 0 fora de casa sobre a Tunísia. Foi a primeira vez em que o país superou uma das principais potências do futebol africano.

"Quando viajamos para a Tunísia, deixamos o país praticamente incógnitos", comentou o atleta de 32 anos. "Não houve despedida, nem ninguém que mostrasse qualquer interesse. Mas, desde que vencemos os tunisianos, todos estão prestando muito mais atenção em nós. A seleção está voltando a ser badalada. É como se fôssemos heróis que estavam esquecidos. Estamos em território desconhecido, mas temos de ir com calma."

Depois da primeira partida, Botsuana venceu a seleção do Chade e, em seguida, conquistou um importante ponto fora de casa contra Malaui, que disputou a Copa Africana de Nações Angola 2010.

Porém, apesar dos avisos para "ir com calma", o ex-atacante do Chicago Fire e do Real Salt Lake admite que as expectativas por bons resultados estão sendo um peso.

"É importante vencer todos os jogos em casa, mas é mais difícil agora, com as expectativas que estão sendo colocadas sobre nós pela torcida. Os torcedores esperam que ganhemos todas depois que derrotamos a Tunísia. Mas cada ponto que conseguimos fortalece a equipe e nos dá moral e confiança."

Faltando cinco partidas e, portanto, com 15 pontos em jogo, Botsuana ainda tem um longo caminho para chegar à Copa Africana de Nações 2012. No entanto, se as "zebras" continuarem em boa fase e contarem com um pouco de sorte, o país terá tudo para continuar surpreendendo.