O futebol às vezes lembra uma selva: não é raro vermos confrontos eletrizantes entre Leões Indomáveis e Raposas do Deserto, nem Elefantes enfrentarem Águias. Na fauna do esporte bretão, às vezes acontece até de um "Coelho" (Javier Saviola) balançar as redes de um "Pato" (Roberto Abbondanzieri).

Para além dos apelidos que aproximam o retângulo verde do reino animal, de vez em quando o planeta bola é invadido sem cerimônia por bichos de verdade. O FIFA.com convida você para uma visita guiada ao zoo do futebol.

Fiéis companheiros
Comecemos a nossa volta ao mundo honrando os pioneiros do futebol. Por ocasião da Copa do Mundo da FIFA Inglaterra 1996, a Taça Jules Rimet estava exposta em Londres e foi roubada quando faltavam poucas semanas para o pontapé inicial do torneio. Uma semana depois, um cachorro chamado Pickles encontrou o precioso objeto no meio dos arbustos de um jardim da cidade. O herói de quatro patas ficou tão famoso quanto Geoff Hurst e seus companheiros, que poucas semanas mais tarde conquistaram o único título mundial da história do futebol inglês.

O faro de Pickles alimentou a história de amor entre os súditos da Rainha e os cães, que havia começado nas quartas-de-final do Chile 1962. No meio da partida entre Inglaterra e Brasil, um cachorro resolveu passear no gramado do estádio Sausalito, em Viña del Mar. Garrincha — cujo apelido é o nome de um passarinho — tentou apanhar o totó, mas foi driblado. O inglês Jimmy Greaves não teve dúvidas: ficou de quatro, encarou e capturou o intruso. Enquanto era levado para fora do campo, o cãozinho ainda fez xixi na camisa do atacante. "Fiquei me sentindo muito mal", recorda-se o jogador. "Poderia ter criado muitas chances de gol, pois nenhum defensor brasileiro queria chegar perto de mim depois daquilo." Mesmo assim, deu Brasil por 3 a 1.

Outro ícone canino da Inglaterra é Bryn, cão policial da pequena cidade de Torquay, na região do Canal da Mancha, que salvou o clube local do rebaixamento. No meio do jogo contra o Crewe Alexandra, o animal mordeu o jogador do Torquay United, John McNichol, e a partida foi interrompida para que o atleta recebesse atendimento. O árbitro do encontro contabilizou a interrupção, e foi nos acréscimos que os "gaivotas", apelido dos jogadores do Torquay, empataram para salvar a temporada.

De mau agouro
As gaivotas inglesas talvez tenham inspirado o francês Eric Cantona a fazer uma enigmática declaração em 1995. "As gaivotas seguem o barco de pesca porque acham que vão ganhar umas sardinhas." Gaivotas e barcos de pesca é o que não falta no porto de Vigo, na Espanha, onde elas invadiram o estádio Balaídos durante uma partida entre o Celta e o Real Madrid. O juiz foi obrigado a parar o jogo para que as aves fossem retiradas do local. O atacante merengue Fernando Morientes ainda foi atacado por uma delas.

Outros, porém, têm toda uma técnica para agarrar criaturas aladas. Em 2006, quando um pássaro se instalou no gramado do St. James Park durante um encontro entre Newcastle e Reading, ninguém melhor do que Obafemi Martins — atacante do Newcastle, cujo mascote é uma gralha, e da seleção nigeriana, conhecida como os "superáguias" — para conduzi-lo para fora do campo. Menos habilidoso em matéria de caça, o goleiro alemão Sepp Maier precisou agarrar um pato que invadiu a partida entre o Bayern de Munique e o Bochum na década de 1970. O bichinho não escolheu uma hora boa: o time bávaro se preparava para cobrar um pênalti.

No Brasil, os quero-queros também costumam atrapalhar os jogos de futebol. O invocado e imprevisível pássaro, digno dos filmes de Hitchcock, já atacou jogadores e interrompeu partidas país afora. Na semana passada, porém, um quero-quero conseguiu interromper um campeonato inteiro no interior de São Paulo. A ave resolveu fazer o ninho bem no meio do gramado onde seriam disputadas as rodadas iniciais do torneio amador da cidade de Mogi das Cruzes, e o local foi interditado pela Polícia Ambiental até que os quero-queros deixem o campo por conta própria — coisa que só deve acontecer depois que os ovos forem chocados, lá pela terceira rodada da competição.

Já em Portugal, um dos estádios mais célebres do país é justamente o "Ninho da Águia", casa do Benfica. A ave é símbolo do clube lisboeta desde a sua fundação, em 1904, e entra no Estádio da Luz antes de todas as partidas ali disputadas pela equipe. De acordo com o ritual, a águia sobrevoa o estádio e pousa no escudo do time para dar sorte aos benfiquistas.

Bichanos
Quando enterraram sete gatos pretos no estádio do Racing, os torcedores do Independiente esperavam levar má sorte ao grande rival. Eles aproveitaram que o clube argentino disputaria a final da Taça Intercontinental de 1967 no Uruguai para realizar o ato infame. O Racing derrotou o Celtic escocês por 1 a 0 e foi campeão mundial, mas depois disso passou 34 anos sem ganhar nada. Em 2001, o estádio passou por uma reforma e os esqueletos dos bichanos foram encontrados. Poucos meses mais tarde, o Racing foi campeão do Torneio Apertura.

Os estádios de futebol também podem receber visitas repentinas e silenciosas do mundo selvagem. Em outubro de 2009, um impressionante enxame de abelhas se levantou do gramado do Estádio Azteca quando o México se preparava para enfrentar El Salvador pelas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA 2010. A partida começou com atraso devido ao incidente, mas a invasão dos insetos não impediu os mexicanos de golearem o oponente por 4 a 1 e selarem a classificação ao Mundial.

Um gato cinza invadiu o campo durante a final da Copa da UEFA 2009, entre Werder Bremen e Shakhtar Donetsk; um gato amarelo foi conferir o jogo entre Emirados Árabes e Honduras durante a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Egito 2009; um esquilo apareceu na semifinal da Liga dos Campeões da UEFA 2006, entre Arsenal e Villarreal; uma coruja se instalou em uma das traves do gramado onde Finlândia e Bélgica se enfrentavam pelas eliminatórias para a Euro 2008; uma garça causou problemas durante uma partida entre Quênia e Marrocos pelas eliminatórias para a Alemanha 2006  — são muitas as histórias de animais que tentaram roubar a cena em jogos de futebol. Mas provavelmente nenhum causou tanto espanto quanto o filhote de tigre visto no gramado do Obilic de Belgrado antes do confronto com o Bayern de Munique pela fase preliminar da Liga dos Campeões da UEFA, em 1999. A presença do "gatinho", mascote do time sérvio, não deu sorte aos mandantes, eliminados pelos alemães por 5 a 1 no placar agregado.

Conhece alguma história?
E você, se lembra de alguma outra associação entre animais e futebol? Algum outro caso engraçado? História curiosa? Lista de apelidos? Conte para a gente!