Durante a década passada, o Shakhtar Donetsk progrediu com passos firmes para se tornar um clube hegemônico na Ucrânia e uma força emergente em toda a Europa, servindo de exemplo para vários clubes da região.

Então, quando o Anzhi Makhachkala acertou a contratação do meia-atacante Willian, uma das mais caras da última janela de transferências, o clube russo não estava apostando apenas no talento dessa revelação do Corinthians. Também estava adicionando ao seu elenco um atleta jovem, de 24 anos, mas já com uma experiência valiosa em seu currículo: o know-how para subir de classe no futebol europeu. “Chego para fazer o mesmo que fiz no Shakhtar: jogar bem, ganhar títulos, levar a imagem do clube ao nível mais alto que puder. O objetivo é de conquistar”, afirma ao FIFA.com.

Curva ascendente
Pelo Shakhtar, Willian conquistou, e muito. Foram quatro campeonatos, três copas e três supercopas nacionais e uma Copa da UEFA. Além disso, participou da melhor campanha da história do clube na UEFA Champions League, alcançando as quartas de final em 2011, perdendo apenas para o poderoso Barcelona.

Agora, no Anzhi, ele tenta replicar esse sucesso, ingressando em um conjunto já em uma curva ascendente. O time chegou à elite do futebol russo há duas temporadas, depois de ter vencido a segunda divisão em 2009. Em seu primeiro ano, terminou a liga em 11º. Depois, já se posicionou entre os cinco melhores. Hoje, ocupa a segunda colocação, disputando a ponta rodada a rodada com o tradicionalíssimo CSKA Moscou, de quem dista apenas dois pontos.

“É verdade. O clube promete muito, pois está contratando, formando um grande elenco, competindo com os mais ricos da Europa, brigando pela primeira posição do campeonato e com chance de ser campeão. Temos um elenco forte”, afirma Willian. E um elenco também entrosado. O brasileiro relata que foi recebido muito bem, tratado com cordialidade. Quer dizer, nem tanto. “Tiveram brincadeiras também. No meu primeiro almoço, me fizeram subir numa cadeira para se apresentar, mas quase não me deixaram falar. Quando falava qualquer coisa, já começavam a gritar. Os jogadores se gostam, dá para perceber isso nos treinamentos. Todo mundo conta com a ajuda dos outros."

Menos brasileiros, mais um craque
Esse clima amistoso foi uma ótima notícia para Willian. Por um lado, a transição da vida de Donetsk para Moscou, onde vivem os jogadores do clube com sede em Makhachkal,  já não seria um problema para o jogador, aclimatado ao leste europeu. “O frio é o mesmo, a língua também”, brinca. Na verdade, a maior oferta de lazer que uma grande capital proporciona foi até bem-vinda para sua família. “Muito mais atrativa”, pontua. Mas, por outro lado, saindo do Shakhtar para o Anzhi, o atleta deixou uma série de amigos para trás, considerando a larga base brasileira do clube ucraniano.

Em sua nova casa, ele tem a companhia de outro ex-corintiano, o talentoso volante Jucilei, além do zagueiro João Carlos, dos quais já se aproximou. Por outro lado, em campo, o reforço do Anzhi deve ficar mais próximo mesmo da figura de maior destaque do plantel: Samuel Eto’o, sem dúvida.

A presença do camaronês de certa forma alivia a pressão diante de Willian e também lhe dá a chance de fazer várias jogadas com o grande astro do futebol africano e alguém com uma lista de conquistas invejável. “Fico muito feliz, é uma honra poder jogar ao lado dele. Ele brinca também, é gente boa. Percebi que é um cara muito inteligente dentro de campo, e isso vai facilitar.”

Logo em sua estreia, o brasileiro mostrou que a parceria pode realmente ser bastante produtiva para o Anzhi. Na vitória do jogo de ida pelos mata-matas da UEFA Europa League contra o Hannover 96 – de virada, por 3 a 1 –, o primeiro gol foi de Eto’o com uma assistência de Willian. “Espero que aconteça mais vezes”, sorri. “Meu objetivo foi sempre deixar o companheiro na cara do gol.”

Vilsumbrando esse potencial, o técnico Guus Hiddink resolveu escalar Willian mais próximo da área, como segundo atacante. “Ele está depositando total confiança em mim. Nesse primeiro jogo joguei de um jeito diferente do que fazia no Shakhtar, mas muito parecido com o que eu fazia no Corinthians, quando surgi.”

Orientado por Hiddink, jogando ao lado de Eto’o, certamente Willian está bem posicionado para justificar o investimento de 35 milhões de euros em seu futebol. “Claro que  vão querer retorno, mas tenho de estar tranquilo: não posso entrar na partida me pressionando. Tem de ser naturalmente, para demonstrar que o que eles pagaram foi um pagamento bem feito”, afirma.

Está bem posicionado também para subir mais degraus pelo Anzhi. “Vamos tentar conquistar tudo: liga, copa e Europa League. Vamos jogar com ambição”, diz. “São campeonatos difíceis, mas pelo que o clube vem fazendo, contratando e montando um grupo forte, com certeza os títulos virão. Quem sabe não saem até mesmo agora?", pergunta Willian, com uma naturalidade, afinal, plenamente justificada. "Foi com isso que me acostumei na Ucrânia."