Todos os campeonatos nacionais sul-americanos chegaram a seu fim com o encerramento do segundo semestre de 2012. Várias equipes de peso recuperaram a glória perdida, mas, como sempre, teve lugar para os novatos, que vão sentindo o sabor da vitória pelas primeiras vezes. A seguir, o FIFA.com faz uma análise do que aconteceu no continente.
Argentina: Vélez vai se acostumando bem
O Vélez Sarsfield voltou a reivindicar sua condição de grande do futebol argentino ao vencer com uma rodada de antecedência o Torneio Inicial, terceiro título que conquista sob o comando de Ricardo Gareca e nono de sua história. Desta forma, se consolida como o quinto clube mais vitorioso do país. O que foi ainda melhor: contou com um dos artilheiros da competição, o jovem Facundo Ferreyra, que marcou seus 13 gols nas últimas 12 partidas. "Em certo momento, estávamos a cinco pontos do líder, mas conseguimos nos recuperar. Agora sonho com a Libertadores", disse Gareca.
Brasil: Fluminense dá as cartas, Palmeiras sofre
O Flu não deixou dúvidas sobre seu domínio no Brasileirão ao se sagrar campeão com três rodadas de antecedência e conquistar o segundo título em três anos – o quarto ao todo, um a menos do que o arquirrival Flamengo no retrospecto geral. O grande nome do Tricolor carioca foi o atacante Fred, artilheiro do torneio com 20 gols, deixando para trás craques como o são-paulino Luís Fabiano, com 17, e o santista Neymar, com 14. Contra todos os prognósticos, o torneio foi marcado pelo segundo rebaixamento da história do Palmeiras, que já havia caído há dez anos.
Bolívia: The Strongest faz história
O The Strongest conquistou de forma indiscutível o Torneio Abertura e, assim, conseguiu um tricampeonato inédito no futebol boliviano. A principal estrela do time foi o paraguaio Pablo Escobar, autor de 21 dos 52 gols da equipe e vice-artilheiro da competição. "Não temos os melhores jogadores nem sou o mais valioso de todos, mas somos a melhor equipe", disse o atacante e capitão. O clube aurinegro acumula agora nove títulos e é o segundo mais vitorioso do país, atrás do Bolívar, que tem 17.
Chile: Modesto e surpreendente
O Torneio Encerramento coroou um campeão tão inédito quanto inesperado: o modesto Huachipato. A equipe, cujo nome na língua mapuche significa "alçapão", superou na final o favorito Unión Española. A decisão acabou sendo nos pênaltis, depois da derrota do Huachipato na ida por 3 a 1 e a vitória na volta pelo mesmo placar. Foi sua segunda taça em 65 anos de história e a primeira desde 1974.
Colômbia: Tudo azul
O Millionarios, de Bogotá, pôs fim a um longo jejum de 24 anos para voltar a gritar "campeão". E comemorou duplamente. Depois de vencer o Independiente de Medellín na decisão nos pênaltis, conquistou seu 14º título e se transformou no clube mais vitorioso da Colômbia. Além disso, o clube azul voltará à Libertadores em 2013, depois de 15 anos de ausência. "Sofremos e suamos a camisa, mas este merecido triunfo finalmente chegou... Eu o dedico a minha família, a Deus e à torcida, que ficou esperando todos esses anos", disse o atacante Walter Cosme.
Equador: A volta do Barcelona
O popular Barcelona interrompeu uma seca de títulos que já durava 15 anos ao vencer os dois turnos do Campeonato Equatoriano e se sagrar campeão indiscutível da temporada. "Essa má fase foi o que me animou a vir para cá, mas nunca poderia imaginar a repercussão desta conquista", disse o técnico argentino Gustavo Costas. O triunfo permitiu que os "Toureiros" recuperassem sua condição de clube mais vitorioso do país, com 14 estrelas sobre o escudo. Seu principal nome foi o artilheiro Narciso Mina, autor de 40% dos gols do time na campanha. A nota curiosa fica por conta do Emelec, vice-campeão pela terceira vez seguida.
Paraguai: Outra festa do Libertad
O Libertad se sagrou campeão do Torneio Encerramento 2012 e obteve assim seu oitavo título em uma década – o quarto sob o comando do técnico uruguaio Rubén Israel. Com seus 16 títulos, o clube se consolida como o terceiro mais ganhador do país, atrás apenas dos 39 do Olímpia e dos 29 do Cerro Porteño – nenhum dos dois, aliás, sequer terminou entre os três primeiros. O atacante do Libertad José Núñez foi artilheiro do torneio com 13 gols, ao lado de Diego Centurión, do Guarani.
Peru: Sporting Cristal recupera a memória
O tradicional Sporting Cristal foi campeão de 2012 ao vencer os dois turnos do Campeonato Peruano, pondo fim a um período de sete anos sem dar a volta olímpica – o pior momento de sua história pela segunda vez. A 16ª estrela sobre o escudo do clube chegou sob o comando de Roberto Mosquera, um ex-ídolo do clube que assumiu no início do ano. "Quando cheguei, disse que ganharíamos o título por que era preciso compromisso. Agora vão me pedir o bicampeonato, mas não posso prometer!", afirmou o técnico de 55 anos.
Uruguai: Peñarol em busca do título geral
O Peñarol deu um passo importante para tentar conquistar seu segundo título em uma década ao ganhar o Torneio Abertura. Assim, poderá enfrentar o vencedor do Torneio Encerramento – a ser disputado no primeiro semestre do ano que vem – em meados de 2013, na grande final da temporada uruguaia. O clube aurinegro, comandado por Jorge da Silva, não vencia um Torneio Abertura havia 16 anos. "Precisamos comemorar, mas com tranquilidade, porque nosso objetivo é o título geral", lembrou o experiente Marcelo Zalayeta.
Venezuela: O primeiro do Anzoátegui
O Deportivo Anzoátegui precisou de apenas dez anos para conquistar o primeiro título de sua curta história. Os aurirrubros, treinados pelo venezuelano Daniel Farías, conquistaram o Torneio Abertura na antepenúltima rodada, mas no fim terminaram a apenas um ponto do tradicional Caracas. O semestre do novo campeão foi histórico: nenhuma equipe havia conseguido ganhar a Copa da Venezuela e o campeonato nacional na mesma temporada desde a adoção dos torneios de apenas um turno.
