O atacante Wilfried Bony vem marcando uma série de gols com a camisa do Vitesse na primeira divisão holandesa, confirmando o imenso talento revelado no ano passado na Holanda e na seleção da Costa do Marfim. O jogador explicou as razões do seu sucesso com exclusividade ao FIFA.com, e no topo da lista está o trabalho. "Dou duro nos treinamentos, com sessões individuais suplementares diante do gol", conta o artilheiro da Eredivisie. "Mas também precisamos da sorte e da motivação cotidiana", acrescenta Bony, revelando os três ingredientes da sua exitosa receita.
Faz quatro meses que o marfinense está cumprindo as expectativas que despertou na temporada anterior, quando marcou 17 gols em 32 partidas. Surpreendentemente, o Vitesse é o atual vice-líder do campeonato. A equipe do técnico Fred Rutten, ex-mago do PSV, continua colhendo os frutos da confiança depositada no antigo goleador do Sparta Praga, contratado em janeiro de 2011, aos 21 anos, por quatro milhões de euros. "Há fases em que a sorte e a habilidade sorriem para um atacante, e é preciso aproveitá-las", comenta Bony.
Entre os dias 6 de outubro e 25 de novembro, ele acumulou 12 bolas na rede, com direito a três só na partida contra o Heerenveen, além de outros dois contra o Ajax em Amsterdã e o gol da vitória sobre o PSV, também fora de casa. "Quando marcamos gols contra grandes equipes, a expectativa da imprensa e do público necessariamente aumenta", diz o atacante. "As defesas prestam mais atenção em você, também. Hoje jogo com dois ou três zagueiros em cima de mim. Preciso me ajustar, continuar positivo e aprender a jogar de forma mais simples e precisa", elabora.
Da terceirona ao estrelato
Bony contribuiu para a mais recente vitória do Vitesse dando passes decisivos para o placar de 3 a 0 em casa contra o Roda, e vem desenvolvendo o seu arsenal ofensivo com a lucidez do azarão que se transforma em favorito. "Estou trabalhando nos passes para me adaptar à marcação", justifica o simpático jogador. "Todas as outras equipes querem impedir que eu faça gols, portanto tenho de pensar no coletivo e dar o passe quando não puder colocar a bola na rede", acrescenta, antes da visita ao Venlo no próximo domingo.
Nascido em Bingerville e criado em um bairro conturbado de Abidjan, a maior cidade da Costa do Marfim, Bony descobriu a paixão pela bola no futebol de rua. Após disputar torneios escolares e municipais, decidiu voltar à terra natal para frequentar a academia do ex-zagueiro Cyril Domoraud, onde passou três anos. Em 2007, fez testes no Liverpool e em dois clubes da elite irlandesa, mas não foi contratado. A primeira chance na Europa só viria na terceira divisão da República Tcheca.
Depois de defender o Issia Wazi durante duas temporadas na Costa do Marfim, o atacante foi emprestado à equipe reserva do Sparta Praga. Com o título da terceira divisão nacional no currículo, acabou assinando contrato com o clube da capital tcheca. Em dois anos e meio, acumulou 22 gols em 59 partidas. Em seguida, chamou a atenção do Vitesse.
Humildade e ambição
O primeiro gol do marfinense na ultramoderna arena de Arnhem aconteceu no dia 20 de fevereiro, e a chegada de Rutten ao comando do time holandês prolongou a boa fase de Bony. Na opinião do atacante, o Vitesse divide a ponta da tabela com o Twente graças à estabilidade mantida pela diretoria na intertemporada. "Houve alguns reforços, mas o time é praticamente o mesmo", afirma. "Para um jogador de futebol, a estabilidade é um fator de confiança."
Mesmo com o moral em alta, porém, Bony mantém os pés no chão em relação às ambições do clube. "Não temos medo de cair do cavalo, porque o Vitesse não é um favorito natural como as grandes equipes da Holanda", diz. "Não temos nada a temer. Precisamos manter a cabeça no lugar, sem esquecer de onde viemos para saber aonde vamos. A cobrança será maior no segundo turno, portanto precisamos somar o máximo de pontos agora para mantermos o rumo", completa o admirador de Didier Drogba.
Pela seleção marfinense, Bony teve a oportunidade de entrar em campo nas quartas de final da última Copa Africana de Nações, perdida contra a Zâmbia. No dia 5 de janeiro, ele dará início à preparação para a próxima edição do torneio continental, que será disputada na África do Sul. O clima é de otimismo. "Permanecendo em boa forma física e dando continuidade ao trabalho, posso continuar nesse nível por muito tempo", avalia, sem vaidade. Afinal, a evolução regular do artilheiro fala a seu favor, e o desafio sul-africano sob as ordens de Sabri Lamouchi, o novo técnico dos Elefantes, poderá consolidar o seu novo status.

