A concorrência é grande, mas isso não significa que Stefan Kiessling vá facilitar a vida do técnico Joachim Loew no que diz respeito ao comando de atauqe da seleção alemã. Excluído do time desde a participação na Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010, o artilheiro do Bayer Leverkusen mantém seu sólido rendimento ano após ano e já ganha apoio em sua missão. 

Muitos especialistas estão pedindo que o treinador volte a convocar o jogador. "O Stefan é um símbolo do Bayer", declarou ao jornal alemão Bild o diretor esportivo do Bayer Leverkusen, Rudi Voeller, campeão mundial em 1990 e um dos melhores atacantes já produzidos pelo futebol alemão. "A sua forma de jogar e marcar gols é impressionante. Se ele mantiver seu desempenho, ficará cada vez mais difícil para o Loew não chamá-lo. O objetivo do Stefan precisa ser a Copa do Mundo de 2014. Ele ainda é jovem demais para encerrar a carreira na seleção."

Kiessling sabe da importância de um elogio como esse, vindo de um personagem tão importante do futebol alemão, mas mantém os pés no chão. "Esse elogio foi um belo atestado para o meu trabalho e o meu desempenho", reconhece em entrevista ao FIFA.com. "O decisivo para a minha boa fase é acima de tudo o preparo físico. Quando o meu corpo e a minha cabeça estão preparados, marco muitos gols. Mas preciso continuar prestando atenção em mim e seguir tendo boas atuações. Todo o resto não depende de mim."

Consistência
É muito difícil parar uma verdadeira máquina de fazer gols como Stefan Kiessling. Há anos que ele é um dos atacantes mais constantes do futebol alemão. Desde que se transferiu do Nuremberg para o Bayer Leverkusen, em 2006, o jogador de 28 anos balançou as redes 78 vezes em 194 partidas pela Bundesliga. Além disso, o centroavante de 1,91 metro de altura também ajudou a equipe dando 33 assistências no período e se comportou sempre como um exemplo de dedicação dentro de campo. 

O jogador nascido na Baviera sabe da sua capacidade, mas também tem consciência de que não será fácil deixar de ficar à sombra dos seus dois principais concorrentes, Miroslav Klose e Mario Gomez. "A Copa do Mundo na África do Sul foi uma grande experiência com lados positivos e negativos", avalia o centroavante. "Fiquei muito tempo longe da minha família e não tive muitas oportunidades de entrar em campo. Por isso, o meu principal objetivo não necessariamente é disputar o Brasil 2014, e sim conquistar um título pelo Bayer Leverkusen."

A declaração deixa claro que o atacante prefere continuar estabelecendo pequenos objetivos, como sempre fez desde a sua estreia como profissional. Afinal, Kiessling não é um homem de muitas palavras, preferindo deixar as atuações dentro de campo falarem por ele. Graças aos seus sete gols nas primeiras 11 partidas da temporada atual, o Bayer está muito bem tanto na Bundesliga quanto na Liga Europa. O clube é o quinto colocado do campeonato nacional e o segundo do Grupo K no torneio continental.

"Acredito que podemos ficar satisfeitos com os números", comenta, tipicamente evitando a euforia. "Obviamente, sou capaz de fazer uma autocrítica e perceber que não fui tão bem em algumas partidas. Preciso ser mais constante no futuro." No entanto, a constância é justamente uma das características mais positivas do jogador. Poucos atacantes da Alemanha têm uma média de gols tão boa quanto a dele.

Sem esquentar a cabeça
Acontece agora que Gomez seguirá afastado por vários meses devido a uma lesão no tornozelo, e supostamente Loew não tem nenhuma grande alternativa para Klose, pensando em um autêntico artilheiro. Seria o momento certo para o camisa 11 do Bayer continuar brilhando, depois de já ter marcado 18 gols em 23 jogos pela Bundesliga no ano de 2012.

Mas ao falar sobre isso, Kiessling prefere adotar a costumeira postura reservada. "Na verdade não quero ficar pensando muito na minha volta à seleção", diz ele. "A minha opinião sincera é que, mesmo estando fora, continuo contente quando estou em casa e posso passar tempo com a minha família. Mas é claro que eu ficaria alegre em voltar a ser convocado."

No entanto, até quando falamos sobre o seu faro de gols, que pode tirar o sono dos defensores da Bundesliga, o atacante se manteve humilde. "Isso é o resultado principalmente de muito trabalho", explica. "Já houve fases em que a bola não ia para onde eu queria. Obviamente, a sorte também desempenha um papel nisso."

Kiessling parece mesmo ser o único que não fica convencido da própria qualidade. Mas não importa que ele siga sendo exageradamente discreto: se continuar balançando as redes sem parar, em breve poderemos vê-lo novamente com a camisa da seleção alemã.