O Troféu Joan Gamper é um torneio internacional organizado desde 1966 pelo Futbol Club Barcelona, que anualmente convida grandes clubes de diferentes países para disputarem a competição. Batizado em homenagem ao seu fundador, Hans Gamper, ele é disputado geralmente na primeira quinzena de agosto e serve para o clube apresentar as novas contratações antes do início de cada temporada.

A edição de 1982 do prestigiado quadrangular despertou enormes expectativas entre a torcida azul-grená por uma razão particular: no remodelado Camp Nou estrearia ninguém menos que Diego Armando Maradona, a contratação mais cara da história do clube até então.

No dia 24 de agosto, quase 110 mil espectadores se reuniram no histórico estádio barcelonista para assistirem, no jogo de abertura, à vitória do Manchester City sobre o Colônia. O resultado foi uma surpresa, já que o time alemão havia vencido a edição anterior do Joan Gamper e, com astros como o goleiro Harald Schumacher e o atacante Pierre Littbarski, prometia voltar a jogar o duelo decisivo com o time anfitrião.

"Hoje a minha equipe jogou bem e mereceu a vitória", afirmou o técnico do clube inglês, John Bond. "Enfrentar o Barcelona na final será uma grande experiência e uma honra", concluiu o treinador, antes da segunda semifinal.

Água colorada no chope culé
No entanto, as palavras do britânico foram precipitadas por descartarem prematuramente o Sport Club Internacional, que dos quatro times era o menos conhecido entre os europeus. Tricampeão brasileiro na década de 1970 e finalista da Copa Libertadores em 1980, o time de Porto Alegre realmente não chegava à capital da Catalunha no seu melhor período. A equipe estava em renovação e era dirigida pelo então jovem Ernesto Guedes.

"Eles não se deram conta de que vínhamos de uma boa excursão antes daquele torneio", relembra com exclusividade ao FIFA.com o uruguaio Rubén Paz, inesquecível meia-esquerda que defendeu o Inter na primeira metade da década de 1980. "A primeira coisa de que me lembro foi o ambiente, pois nunca tinha visto tanta gente em um estádio."

"A partida não foi boa porque sabíamos quem estávamos enfrentando e nos preocupamos mais em marcar do que em jogar", prossegue Paz, que disputou com o Uruguai a Copa do Mundo da FIFA 1986. "Naquela noite quem esteve muito bem foi o Benítez, que não tomou nenhum gol e ainda defendeu uma cobrança na decisão por pênaltis."

O paraguaio José de la Cruz Benítez era um dos remanescentes da equipe campeã brasileira invicta em 1979 e havia se transformado em peça chave ao lado do meia uruguaio. No plantel também se destacava o lateral Edevaldo, que vinha de disputar a Copa do Mundo da FIFA 1982, o zagueiro Mauro Galvão, ainda com apenas 21 anos, e o atacante Cléo, que estava retornando justamente do Barcelona, onde não havia sido aproveitado pelo técnico Udo Lattek.

Paz foi um dos quatro jogadores que acertaram as cobranças na decisão por pênaltis, que terminou em 4 a 1 para o Colorado. Os outros foram Andrezinho, Ademir Kaefer e André Luiz. Para o Barcelona, só quem converteu foi Maradona — Quini acertou o poste, e Alesanco viu o penal ser defendido por Benítez. Para piorar a situação, um dia depois os catalães caíram nos pênaltis contra o Colônia, e aquela foi a única vez em que o Barça perdeu os dois jogos do torneio.

E depois?
Na quarta-feira, 25 de agosto de 1982, exatamente 30 anos atrás, o Internacional derrotou o Manchester City na final por 3 a 1, com gols de Edevaldo (pênalti), Paulo César e Fernando Roberto, todos no segundo tempo. "Naquela noite jogamos um futebol diferente, talvez porque havíamos superado o medo de jogar com o Barcelona, mas atuamos muito bem e ganhamos com merecimento", narra o ex-armador uruguaio, em sintonia com as crônicas da época.

Paz se surpreende ao saber que nenhuma outra equipe de fora da Europa conseguiu ganhar o troféu e não poupa elogios a jogadores que, na sua maioria, ainda fizeram parte do time do Internacional que representou o Brasil no Torneio Olímpico de Futebol em Los Angeles 1984, conquistando a medalha de prata.

"Aquele êxito teve uma repercussão impressionante em Porto Alegre, mas além disso marcou o clube em âmbito mundial até os últimos anos, quando o Internacional ganhou duas Copas Libertadores e uma Copa do Mundo de Clubes", conclui o uruguaio. "Podemos nos considerar pessoas de sorte por termos feito parte daquela equipe, que soube estar no momento certo no lugar certo."