Dois centros de poder surgiram na Inglaterra às vésperas do início da temporada 2012-13 do campeonato nacional, que começa neste sábado, 18 de agosto.
Os dois clubes de Manchester lutaram palmo a palmo pelo troféu do Campeonato Inglês em 2011-12, mas a metade azul-celeste da cidade foi quem fez a festa com a conquista do título nos descontos do último jogo da temporada. No entanto, desta vez a hegemonia do City será questionada por mais três concorrentes: Arsenal, Chelsea e Tottenham.
Os três clubes de Londres investiram de forma inteligente nas férias de verão europeias e aumentaram ainda mais a qualidade de seus times titulares, além de reforçarem o banco de reservas. Por outro lado, tanto Manchester City quanto Manchester United chegam à competição sem o costumeiro pacote de novos nomes de peso, principalmente quando se comparam aos clubes da capital inglesa, que anunciaram craques como o espanhol Santi Cazorla e os belgas Eden Hazard e Jan Vertonghen.
Com o Liverpool tentando se reerguer mais uma vez sob o comando de outro técnico novo, vários times buscando deixar as posições intermediárias da tabela e alcançar a zona de classificação para os torneios continentais, e três clubes que já frequentaram a elite voltando para a primeira divisão, a temporada 2012-13 do Campeonato Inglês tem potencial para ser tão emocionante quanto sua predecessora. O FIFA.com traz todos os detalhes do que vem por aí.
Os favoritos
Após interromper um jejum de 44 anos e levar a taça há três meses, o Manchester City não tem intenção nenhuma de se acomodar com a conquista. O técnico Roberto Mancini mostrou uma passividade incomum no mercado de transferências até o momento, já que o promissor meia Jack Rodwell foi o único a chegar até agora a Eastlands, vindo do Everton. Apesar disso, o elenco comandado pelo italiano continua cheio de jogadores de qualidade.
O influente capitão Vincent Kompany acaba de assinar um contrato de longa duração e Carlos Tévez é novamente bem-vindo ao grupo, após sua briga com Mancini na temporada passada. O argentino foi um dos autores dos gols da vitória do City sobre o Chelsea na Supercopa da Inglaterra no domingo passado.
Talvez seja fácil esquecer que o Manchester United só deixou escapar seu 20º título nacional em 2011-12 – o que seria um recorde no país – no saldo de gols. Perder o título para seu arquirrival no último minuto da competição deve apenas ter servido para reforçar a determinação de Alex Ferguson de aumentar o número de troféus em sua formidável coleção. Ainda assim, o técnico escocês também andou reticente na hora de investir pesado na pausa de verão na Europa até fechar a contratação de Robin van Persie, astro do Arsenal.
Outro atacante que chegou a Old Trafford foi aponês Shinji Kagawa, após ser destaque do bicampeonato do Borussia Dortmund na Alemanha, mas Ferguson continua depositando grande parte de suas esperanças no xodó da equipe, Wayne Rooney, em um Ryan Giggs que parece nunca envelhecer e em Danny Welbeck, um craque em franca ascensão. Os Diabos Vermelhos, no entanto, podem se animar ainda mais com o retorno do zagueiro sérvio Nemanja Vidic, após um longo afastamento por lesão.
As mudanças estão sem dúvida na ordem do dia no Chelsea. O italiano Roberto Di Matteo foi nomeado técnico permanente da equipe depois de conquistar a Copa da Inglaterra 2012 e obter um emocionante e dramático triunfo sobre o Bayern de Munique na decisão da Liga dos Campeões da Europa em maio. Com isso, pôs fim a uma longa odisseia do russo Roman Abramovich, dono do clube, em busca da consagração continental.
No campeonato nacional, a última campanha do clube azul passou despercebida, já que o sexto lugar na classificação final está abaixo de sua média. Assim, a diretoria reagiu com duas contratações de peso. O meia de criação Hazard escolheu o Chelsea como destino, após ter sido cobiçado pelos principais clubes europeus. Quem lhe fará companhia será o jovem Oscar, que acaba de deixar o Internacional após boas atuações na Seleção Brasileira em Londres 2012.
O Arsenal também deve estar satisfeito com as contratações que fez, ainda que sua preparação para a nova temporada tenha sido ofuscada pela saída de Robin van Persie no clube. No início de julho, o holandês havia deixado clara sua intenção de não renovar devido a desentendimentos em relação à "maneira como o Arsenal deveria seguir adiante". Acabou transferido para o United.
O técnico Arsène Wenger já tinha certo que contaria com os serviços do alemão Lukas Podolski e do atacante francês Olivier Giroud antes do anúncio da decisão de Van Persie e realizou uma bela jogada ao conseguir assinar com Santi Cazorla, ex-Málaga, no início de agosto.
A regularidade mostrada nas recentes campanhas contribuiu para que o Tottenham fosse considerado um dos candidatos à taça não só na fase preliminar da Liga dos Campeões, como também no Campeonato Inglês. O técnico Harry Redknapp deixou a equipe perto da consagração na temporada 2011-12, mas uma queda de rendimento fez que os Spurs terminassem na quarta colocação, o que acarretou a demissão do treinador.
Apesar das dificuldades que enfrentou durante a curta passagem no comando do Chelsea, o português André Villas-Boas foi indicado como substituto de Redknapp. Foi ele o responsável pelas chegadas do talentoso meia islandês Gylfi Sigurdsson e de Vertonghen, ex-capitão do Ajax e Jogador do Ano no futebol holandês em 2011-12. Além disso, neste momento o clube mantém negociações para a contratação definitiva do togolês Emmanuel Adebayor, que, emprestado, marcou 17 gols pelo clube na temporada passada.
Correndo por fora
O terceiro técnico diferente em três temporadas assumiu o comando do Liverpool em junho. Brendan Rodgers, escolhido a dedo pelos donos do clube, foi contratado após surpreender o país à frente do Swansea City. Agora, o norte-irlandês tem por diante a dura tarefa de levar o time de Anfield de volta à Liga dos Campeões. Figurinhas carimbadas como Craig Bellamy, Dirk Kuyt e Maxi Rodríguez deram adeus ao elenco. Em compensação, Rodgers trouxe dois jogadores do Swansea – Joe Allen e Fabio Borini – consigo.
No rival do Liverpool, o Everton, David Moyes continua tendo que fazer o que é possível com o reduzido orçamento do clube. Desta vez, porém, sua habilidade de improvisar parece ter chegado ao máximo. Rodwell deixou o time acompanhado de Tim Cahill. Em compensação, Steven Naismith foi trazido de graça, enquanto Steven Pienaar, queridinho da torcida em Goodison Park, está de volta de uma curta passagem pelo Tottenham. O que é mais importante: o Everton conseguiu segurar Leighton Baines e o goleador Nikica Jelavic.
Por sua vez, o Newcastle ainda pode contar com os serviços de seus principais jogadores da temporada passada. Papiss Cissé e Demba Ba devem formar uma poderosa dupla de ataque. O técnico Alan Pardew e sua equipe pegaram todo mundo de surpresa ao terminarem em quinto em 2011-12. Agora, com o francês Yohan Cabaye e o marfinense Cheik Tioté formando a base do meio-campo, o time deve ser um adversário de respeito.
Os novatos
Reading, Southampton e West Ham são os clubes promovidos da segunda divisão inglesa em 2012. O trio espera agora repetir o feito de Norwich, Queens Park Rangers e Swansea, três times que se juntaram à elite nacional no ano passado e evitaram o rebaixamento.
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