Quem olhou a lista de vencedores do Campeonato Saudita nas últimas cinco temporadas teve a impressão de que apenas dois times seriam candidatos ao título no país neste ano. Afinal, nesse período o troféu passou somente das mãos dos jogadores do Al Hilal para as do Al Ittihad. O primeiro, 13 vezes campeão nacional, ergueu a taça três vezes, enquanto o segundo ganhou nas duas ocasiões restantes.

Essa, porém, seria uma conclusão precipitada, já que o Al Shabab, que agora soma seis títulos, decidiu que já era a hora de tirar o protagonismo da dupla, mantendo à distância todos os concorrentes na temporada que acaba de terminar. O FIFA.com faz uma retrospectiva da espetacular campanha do clube de Riad, a capital saudita, que se sagrou campeão invicto.

Longa espera
Depois de chegar à primeira divisão em 1976, o Al Shabab precisou esperar 15 longos anos para conquistar seu primeiro título. Em compensação, assim que pôs as mãos na taça, não houve jeito de pará-lo. Depois do triunfo inaugural na temporada 1990-91, o clube repetiu o feito em 1992 e 1993, tornando-se o primeiro no país a conquistar um tricampeonato. Nos dez anos seguintes, porém, a cena foi dominada pelo trio Al Hilal, Al Nasr e Al Ittihad, mas o Shabab retomou seu espaço ao vencer o campeonato pela quarta vez em 2003-04 e pela quinta em 2005-06.

O êxito na atual temporada foi o primeiro do time com o novo regulamento da competição, que substituiu o sistema anterior – uma fase única que classificava quatro equipes para duas semifinais – pelo convencional "todos contra todos". Mas não fica nisso: o Al Shabab não só terminou invicto a campanha de 26 jogos, como também conquistou o título com um empate no campo do arquirrival Al Ahli.

Receita de sucesso
Por muito tempo, o Al Shabab teve um toque latino no comando da equipe, já que costumava privilegiar técnicos do Brasil, da Argentina e de Portugal. No entanto, o ambicioso presidente da instituição, Khaled Al Batlan, decidiu recentemente mudar de rumo e foi até o norte da Europa buscar o mítico ex-goleiro belga Michel Preud'homme para assumir o conjunto.

Apesar de a primeira tentativa de acertar com o técnico ter fracassado, Al Batlan foi recompensado por sua insistência. No ano passado, o respeitado Preud'homme finalmente foi convencido a assinar com o clube de Riad, depois de ter conquistado títulos tanto na Bélgica quanto na Holanda.

O bom relacionamento com a diretoria do Al Shabab deu ao belga a segurança de que precisava para mudar a situação no clube. Suas primeiras medidas foram melhorar a eficiência no setor ofensivo, ao mesmo tempo em que reforçava a defesa. Isso foi resolvido com a contratação de jogadores altamente qualificados para várias posições do campo.

No início da temporada 2011-12, o Al Shabab trouxe o capitão do Uzbequistão, Server Djeparov – duas vezes eleito Jogador do Ano na Ásia –, além do meia Fernando Menegazzo, ex-Juventude e Grêmio. O ganês Ibrahim Yattara e Wendel, ex-Santos e Cruzeiro, foram contratados para reforçar o jogo ofensivo da equipe, enquanto Marcelo Tavares, ex-Cruzeiro e Avaí, chegou para ajudar na zaga.

O acerto da contratação de tantos estrangeiros ficou evidente ao longo da campanha. Preud'homme pôde armar uma equipe flexível e ofensiva, que somou 19 vitórias e sete empates. O resultado final foram impressionantes 64 pontos marcados, que igualaram o recorde do Al Hilal na temporada passada.

Al Shamrani brilha novamente
Apesar de que grande parte do mérito se deva à astuta estratégia do técnico belga, o craque Nasser Al Shamrani com certeza também merece dividir os créditos. O centroavante de 28 anos manteve sua grande fase dos últimos anos, marcando 21 gols e tornando-se o artilheiro da competição, junto ao ex-botafoguense Victor Simões, do Al Ahli. É a quarta vez em cinco temporadas que o jogador, carinhosamente apelidado de "Terremoto", termina na ponta da tabela de goleadores.

Mas Al Shamrani não marcou só uma chuva de gols – ele também balançou a rede quando seu time mais precisava. Afinal, foram dele os três que a equipe marcou na vitória sobre o Al Ansar na penúltima rodada, o que a manteve na liderança. O toque final veio no último dia de jogos, quando o atacante pôs o Al Shabab à frente do Al Ahli e o ajudou a se sagrar campeão.

"Terminar como artilheiro foi uma bênção, mas meus colegas me ajudaram a marcar esses gols", garantiu o modesto centroavante, ávido por dividir o mérito de seu feito. "Meu objetivo sempre é colocar a equipe em primeiro lugar, mas também dou tudo para terminar na artilharia."

O número
16
– O total de gols que o Al Shabab sofreu em 26 jogos – a melhor defesa do campeonato. Com os 50 que marcou, o clube também foi o melhor ataque da temporada.

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