A edição inaugural da Liga dos Campeões da CONCACAF, disputada em 1962, se saldou com vitória de 6 a 0 para o poderoso Chivas Guadalajara na soma dos placares contra o modesto Comunicaciones, da Guatemala. De certa forma, o time mexicano deu o tom do que seriam os confrontos decisivos do principal interclubes da América do Norte, América Central e Caribe nos torneios seguintes. Houve um 8 a 2 em 1976, um 9 a 0 três anos mais tarde, 6 a 1 em 1983 e outro 8 a 2 em 1990.
Em 2007, porém, quando o Chivas voltou à final da Liga dos Campeões após o vice-campeonato de 1963, as grandes goleadas já eram coisa do passado. Afinal, a diferença entre os finalistas havia sido de apenas um gol em sete das últimas oito edições do evento.
Reunindo equipes do mesmo país pela quinta vez em seis anos, a final entre Chivas e Pachuca prometia um confronto acirrado. O jogo de ida confirmou as previsões e os dois times empataram em 2 a 2 no Jalisco de Guadalajara, sendo que o critério dos gols marcados fora de casa não havia sido adotado. Há exatos cinco anos nesta quarta-feira, 25 de abril, os rivais mexicanos se encontraram no Estádio Hidalgo para a partida de volta.
Ao final dos 45 minutos iniciais, a impressão era de que os mandantes não teriam maiores problemas para faturarem a Liga dos Campeões pela primeira vez. Com o meia colombiano Andrés Chivita armando as jogadas, o Pachuca teve 11 escanteios contra nenhum do adversário, além de uma série de oportunidades para abrir o marcador. Contudo, nenhuma delas conseguiu superar o goleiro do Chivas, Luis Michel, cuja atuação inspirada continuou na segunda etapa.
Os visitantes até criaram chances, mas o cronômetro chegou ao fim sem nenhuma bola na rede. O tempo regulamentar não bastou para definir o destino da taça, e a prorrogação tampouco seria suficiente. Pela primeira e única vez até hoje, os pênaltis decidiriam o torneio e determinariam o representante da região na Copa do Mundo de Clubes da FIFA disputada em dezembro no Japão.
"Um interclubes mundial é a mais bela competição depois da Copa do Mundo, e estávamos loucos para garantir a nossa vaga", explicou o meia-atacante Damián Álvarez, à época no Pachuca. "Deveríamos ter ganhado no tempo normal, mas o Michel estava fazendo o melhor jogo da vida dele. Isso criou um clima mais tenso para a decisão por pênaltis."
E a tensão só aumentou diante da qualidade das cobranças. O atacante Omar Bravo converteu a primeira penalidade para o Chivas chutando com frieza no alto da rede, enquanto o argentino Christian Giménez respondeu colocando a pelota no canto superior direito. Já o camisa 7 do time de Guadalajara, Gonzalo Pineda, teve a audácia de dar uma cavadinha para enganar o goleiro e fazer 2 a 1. Quando a série estava empatada em 6 a 6, porém, o ídolo do Chivas Alberto Medina viu a sua cobrança explodir na trave.
A chance de selar a vitória do Pachuca coube a Luis Ángel Landín, atacante de 21 anos que havia entrado em campo no decorrer da partida. E o jovem não desperdiçou a oportunidade, mandando a bola no topo da meta de Michel. O campeão continental de 2002 finalmente superava o Chivas, vencendo a decisão mais equilibrada da história da Copa dos Campeões e carimbando passaporte para o Japão.
"Não dá para imaginar uma decisão mais dramática do que aquela", comentou Landín. "Foi realmente enervante para o torcedor, mas o nervosismo valeu a pena no final."
