Quando o ano de 1996 chegou ao fim, o Parma somava 13 pontos a menos que a Juventus, então líder do Campeonato Italiano. No entanto, já em 1997, quando a tradicional equipe de Turim entrou na 26ª das 34 rodadas, Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Nestor Sensini, Lilian Thuram, Dino Baggio, Enrico Chiesa, Hernán Crespo e companhia haviam trazido o Parma de Carlo Ancelotti para meros três pontinhos do clube recordista em títulos da Série A, então com 23.

Há exatos 15 anos nesta sexta-feira, 6 de abril, o técnico Marcello Lippi lembrou aos jogadores da Juve que eles simplesmente precisavam vencer a partida marcada para o domingo seguinte para evitar um vexame ainda maior na corrida pelo Scudetto. E, mesmo na liderança, a Velha Senhora era considerada zebra. Afinal, eles não só buscariam a primeira vitória fora de casa na competição, como teriam de fazê-lo sem Alessandro Del Piero — astro inconteste daquela campanha, que estava lesionado. Para piorar, a façanha precisava acontecer no campo do então campeão Milan.

Só que a Juventus não obedeceu o roteiro no San Siro. Naquele domingo, Franco Baresi, Paolo Maldini e Marcel Desailly, três dos maiores zagueiros da história do futebol mundial, amargariam uma rara humilhação.

Um sem-pulo de Vladimir Jugovic abriu o marcador para a Juve. O pênalti de Zinedine Zidane mandou os visitantes para o intervalo em vantagem de dois gols. Lippi certamente teria ficado contente com o resultado parcial, mas as coisas melhorariam — e muito — na volta do vestiário. O chute mascado de Jugovic surpreendeu o goleiro milanista na primeira trave e ampliou para 3 a 0, antes que Christian Vieri aproveitasse o lindo lançamento pelo alto de Alessio Tacchinardi para tranformar a vitória em goleada. Nicola Amoruso estava no lugar certo para marcar o quinto gol de rebote e, embora Marco Simone tenha anotado o de honra aos 31 da segunda etapa, ainda houve tempo para Vieri passar voando por Baresi, a quem havia dado enorme trabalho durante toda a partida, e colocar a bola no fundo da rede para selar o enfático 6 a 1.

Em última análise, se a Juventus não tivesse conseguido os três pontos em Milão, o Parma teria ficado com a taça. Se os homens de Lippi não tivessem aprontado uma surpresa, o Milan não recordaria aquele 6 de abril de 1997 como o dia em que sofreu a sua maior derrota em casa na história do Campeonato Italiano.