Desde que se transferiu do futebol russo para Old Trafford há seis anos, Nemanja Vidic vem sendo uma peça essencial na defesa do Manchester United. Tanto que na atual temporada ele está fazendo muita falta à equipe de Alex Ferguson.

Em dezembro do ano passado, os Diabos Vermelhos sofreram um duro golpe ao serem eliminados da Liga dos Campeões ainda na fase de grupos, após uma derrota para o Basileia. Para piorar, o zagueiro sérvio sofreu uma contusão no ligamento do joelho que o deixou fora de ação por todo o restante da temporada. Desde então, Ferguson vem precisando confiar nos jovens Jonny Evans, Phil Jones e Chris Smalling, pois sabe que ficará sem o defensor de 30 anos na reta final do Campeonato Inglês.

Eliminado na quarta fase da Copa da Inglaterra pelo rival Liverpool e desclassificado da Liga Europa da UEFA pelo Atlético de Bilbao nesta quinta-feira, ao Manchester só lhe resta tentar o título no campeonato nacional nesta temporada. Apesar de ainda faltar bastante tempo para o final do semestre, Vidic lembrou que o título poderá ser decidido no clássico contra o Manchester City, no próximo dia 30 de abril.

Em entrevista exclusiva ao FIFA.com, o zagueiro falou sobre a genialidade de Ferguson, os motivos pelos quais o Barcelona é o melhor clube de futebol do planeta, sua decisão de não mais defender a seleção sérvia e os planos de ser técnico no futuro.

FIFA.com: Você estava em uma fase excepcional na primeira metade do ano passado e foi escolhido para a Seleção Mundial da FIFA/FIFPro. O que significou para você receber esse reconhecimento por parte de seus colegas?
Nemanja Vidic: Acredito que é a melhor recompensa que uma pessoa pode ter. Ser premiado pelos jogadores tem um grande significado. É difícil explicar a sensação. Parece um sonho que se tornou realidade.

Como você explica os 25 anos de sucesso de Alex Ferguson no Manchester United? O que o torna tão especial?
Sem dúvida, sua experiência e seu conhecimento. Os títulos que ele conquistou ao longo dos anos falam por si só. Acredito que seu melhor aspecto é a sabedoria para entender os jogadores e para saber como lidar com eles. Em minha opinião, não há ninguém como ele pelo fato de ter conquistado tantos troféus e estar no clube há 25 anos.

O Manchester ainda está lutando pelo título do Campeonato Inglês. Você acredita que o segundo jogo contra o Manchester City poderá ser decisivo?
Ainda falta muito para o final da temporada. Pode ser que esse jogo seja decisivo para o título, o que é algo muito bom para os torcedores e para o torneio. E quem ganhar essa partida sem dúvidas merece ficar com a taça também.

Como anda o processo de recuperação do joelho?
Está indo bem, aos poucos ficando melhor. Obviamente, será difícil voltar nesta temporada, mas na próxima espero estar em forma e, com sorte, serei o mesmo de antes da contusão.

Um jogador que vem sendo muito importante nesta temporada é Phil Jones, especialmente agora que você está se recuperando da lesão. Como você avalia a evolução de seu companheiro na temporada atual?
Acredito que ele tem muito potencial. Ele é jovem e ainda tem algumas coisas para aprender. Suas boas atuações no primeiro turno surpreenderam a todos, mas acredito que, se ele continuar assim, terá um grande futuro e será um grande jogador, não apenas no Manchester, mas para o futebol mundial.

Quem é o melhor jogador que já atuou a seu lado e quem é o melhor jogador que você já enfrentou?
O melhor jogador com quem já joguei é definitivamente o [Cristiano] Ronaldo. E eu diria que o Barcelona é a equipe mais difícil de enfrentar e também o [Lionel] Messi. É difícil lidar com a forma de ele jogar. Mas toda a equipe, Xavi e [Andrés] Iniesta, me impressionaram muito.

O Barcelona é provavelmente o melhor time do mundo no momento. Mas por quê?
Acho que o mais difícil quando se joga contra o Barcelona é o fato de a equipe jogar sem um atacante. Quando um time joga sem atacantes, movimenta a bola por todo o campo e fica com a posse, o que deixa os adversários bastante frustrados. E, obviamente, os jogadores do Barcelona são muito bons tecnicamente, têm um conhecimento muito grande do futebol e sabem o que estão fazendo. Eles vêm fazendo isso há anos e anos. Mesmo quando você consegue prever o que vai acontecer, eles ainda assim conseguem fazê-lo acontecer. É preciso admitir que formam uma grande equipe.

Você já enfrentou o Messi em várias ocasiões. Como é para um zagueiro enfrentar alguém como ele?
Ele é um grande jogador. Acredito até que não seja apenas ele, mas sim uma geração de jogadores que está no Barcelona — Xavi e Iniesta, por exemplo. Acredito que é um dos melhores times de todos os tempos. Em minha opinião, os gols que o Messi já marcou e os títulos que conquistou fazem dele o que é.

Você parou de defender a seleção da sérvia. Essa foi uma decisão final ou existe alguma chance de voltar?
Tomei uma decisão, mas obviamente só fiz isso depois de pensar muito. Foi uma decisão muito complicada, difícil de anunciar, mas, uma vez tomada, não é algo que eu esteja pensando em mudar agora. Sempre estarei à disposição da seleção se ela precisar de mim para qualquer coisa. Continuo torcendo por meu país, mas acredito que é hora de dar chance aos jogadores mais jovens. Joguei pela sérvia por quase dez anos e gostaria de dar uma oportunidade para os mais jovens se desenvolverem e mostrarem o que sabem. Tenho certeza de que temos atletas talentosos que podem me substituir e espero que nos classifiquemos para a Copa do Mundo.

Você tem algum sonho de se tornar técnico ou de trabalhar com futebol quando se aposentar?
No fundo, fico pensando: "o que vou fazer quando parar de jogar bola?" É difícil dizer. Acredito que alguma coisa relacionada ao futebol. Não tenho certeza, mas sou muito competitivo e fico pensando que há uma grande possibilidade de eu tentar ser treinador. Ainda tenho muito tempo para me concentrar em só jogar futebol. Acho que posso continuar fazendo isso e tenho alguns anos para pensar no assunto. Mas acredito que vou ficar no futebol. Ele é minha vida!