Após a inevitável pausa de inverno, recomeça neste fim de semana a disputa do Campeonato Russo, que está passando por um momento histórico. Para permitir que o próximo certame se desenrole no mesmo período das principais ligas europeias, a temporada atual foi ampliada. Após o final da disputa de todos contra todos em turno e returno, a tabela foi dividida em dois octogonais. O principal é formado pelos clubes que ficaram nas oito primeiras posições após o final do segundo turno; o outro conta com os times que ficaram nas oito últimas colocações.

Enquanto o octogonal de cima vale título e classificação para as competições europeias, o de baixo é uma luta fratricida contra o rebaixamento. Os times começam a disputa com a pontuação da primeira fase e se enfrentam dentro de cada grupo em dois turnos, totalizando 14 partidas para cada equipe.

Após duas rodadas desta rara fase final, o FIFA.com analisa o que vem por aí nas próximas 12 semanas, com destaque para o Zenit de São Petersburgo, que aparece como favorito a repetir o título conquistado na última temporada.

Em busca do bicampeonato
Mesmo com seis pontos de vantagem sobre o vice-líder CSKA, o Zenit está longe de ter o título garantido. O time de São Petersburgo não poderá contar até o fim da temporada com o armador português Danny, que sofreu uma contusão grave no joelho. O retorno de Andrei Arshavin, que foi emprestado pelo Arsenal, é uma tentativa de tapar o buraco, mas ainda é cedo para dizer se ele vai repetir as boas atuações que o levaram ao futebol inglês.

O Zenit começa 2012 recebendo o CSKA para o grande confronto da rodada. Os dois times vêm de resultados positivos na Liga dos Campeões: o clube de São Petersburgo bateu o Benfica, e a equipe de Moscou conseguiu um empate com gosto de vitória diante do Real Madrid. No entanto, sem jogadores como Roman Shirokov, Danko Lazović e o arqueiro Vyacheslav Malafeev, o dono da casa vai a campo bastante desfalcado.

Os outros favoritos
O CSKA é sem dúvidas o principal concorrente do Zenit, mas duas derrotas nas duas primeiras partidas do octogonal final, antes da interrupção do inverno, fizeram a equipe da capital perder o líder de vista. Recuperados de lesão, Keisuke Honda e Tomas Necid ajudarão a compensar a perda de Vagner Love para o Flamengo em um negócio de 10 milhões de euros. Além disso, o time conta com Seydou Doumbia, artilheiro do campeonato até o momento.

Os também moscovitas Dínamo e Spartak vêm logo atrás, respectivamente a sete e oito pontos de distância do líder, mas ainda acreditam na possibilidade de chegar ao topo. O Dínamo foi o time que mais investiu na última janela de transferências, gastando principalmente para contratar junto ao Anzhi de Makhachkala o húngaro Balázs Dzsudzsák. Já o Spartak adquiriu Diniyar Bilyaletdinov, ex-Lokomotiv, para dar mais força ao plantel.

Quem corre por fora
Famoso pelos gastos milionários, o Anzhi chamou a atenção durante a pausa de inverno pelas mudanças fora de campo. O time do brasileiro Roberto Carlos tirou Yury Krasnozhan do Lokomotiv antes do final do ano passado, mas o treinador pediu demissão no meio de fevereiro sem ter dirigido a equipe em nenhuma competição. Para o lugar dele, chegou o experiente holandês Guus Hiddink. Treze pontos atrás do Zenit, o time deve concentrar as forças em uma vaga na Liga dos Campeões, para a qual basta tirar uma diferença de sete pontos.

À frente do Anzhi, no entanto, ainda estão o Rubin, que hoje ocuparia a terceira e última vaga na Liga Europa, e o Lokomotiv.  Sem um atacante de confiança, os dois times precisarão acertar mais a pontaria se quiserem subir na tabela.

Contra o rebaixamento
Na metade de baixo, oito times tentam evitar de qualquer modo as quatro últimas posições, que significam descenso automático ou uma repescagem contra times da segunda divisão. Os 11 pontos de vantagem sobre a zona do rebaixamento deixam o Krasnodar em boa posição. Por outro lado, o Rostov, que vem logo depois, está apenas cinco pontos acima do lugar onde ninguém quer estar.

Quem está em situação realmente complicada é o Tom. O time da longínqua cidade de Tomsk é o lanterna da competição e está a dez pontos de sair da zona do descenso. Mesmo assim, vale lembrar que cada confronto é literalmente um jogo de seis pontos. Clube que mais se movimentou na última janela de transferências, inclusive com muitas contratações por empréstimo, o Tom claramente acredita nas próprias chances.

Contratações destacadas
De volta do norte de Londres, Arshavin e Roman Pavlyuchenko serão cruciais para as respectivas equipes. O técnico do Zenit, Luciano Spaletti, espera que o ex-Arsenal possa se entender com o goleador Alexander Kerzhakov. Já Pavlyuchenko chega para dar mais potência ao ataque do Lokomotiv. Transferido do futebol holandês para o CSKA, o jovem nigeriano Ahmed Musa tem a chance de comprovar todo o potencial demonstrado na Copa do Mundo Sub-20 da FIFA do ano passado.

Por outro lado, ainda não se sabe se Dzsudzsák vai justificar os 19 milhões de euros investidos, mas o Dínamo espera que ele e o vigoroso meio-campista Christian Noboa, contratado junto ao Rubin, possam ajudar o time a conquistar uma vaga na Liga dos Campeões, ou até algo mais.

Mesmo com tantos novos jogadores, possivelmente a maior contratação tenha sido a do técnico Guus Hiddink, que volta ao país após ter uma boa passagem pela seleção russa. Por sinal, a chegada de Christopher Samba, que estava defendendo o Blackburn na Inglaterra, dará ao time do Anzhi a solidez e a organização que são marcas do treinador holandês.

Para ficar de olho
Samuel Eto'o teve um bom começo de temporada na Rússia, marcando mais de dois gols a cada três jogos pelo Anzhi, mas é o também africano Doumbia que vem sendo o atacante mais produtivo da liga. Infernizando as defesas adversárias com velocidade e boa conclusão, ele poderá ajudar o CSKA a encostar no Zenit se mantiver a mesma média de gols.

Por sua vez, o time de São Petersburgo aposta no zagueiro português Bruno Alves para manter a estatística de defesa menos vazada. Com destaque também para os laterais Nicolas Lombaerts e Alexander Anyukov, a retaguarda pode ser fundamental para que o time compense a ausência de Danny e concretize o sonho do bicampeonato.