Em alguns dias, o Fluminense que, rodada após rodada, entrava em campo sabendo que seguiria como líder e que só via sua vantagem sobre os concorrentes aumentar desapareceu. De repente, depois deste domingo, o Tricolor carioca, embora no topo da tabela, já nem sabe se pode se chamar de “líder” com tanta tranquilidade.
Depois de dois empates em casa, contra São Paulo e Palmeiras, o time de Muricy Ramalho foi a Campinas enfrentar o Guarani e deu a impressão de que sairia com uma vitória redentora, para afastar o vice-líder Corinthians – que goleara o Goiás por 5 a 1 no sábado - quando Emerson abriu o placar aos 11 minutos do primeiro tempo. Mas era a última boa notícia do dia.
Porque a primeira novidade desagradável veio por meio do próprio Emerson, que saiu com uma lesão na coxa aos 29 minutos. Era um golpe duro na esperança do Flu de aproveitar os contra-ataques. E, em seguida, já nem havia mais vantagem para isso: Baiano, de falta, decretou o empate aos 33. O jogo, então, ficou feio e parecia caminhar para um empate que, se não era ideal para o Fluminense, ao menos garantia uma invencibilidade de 15 jogos no Brasileirão, que vinha desde 23 de maio, quando a equipe caiu diante do Corinthians.
Só que outra falta batida por um veterano – dessa vez o zagueiro Fabão – surpreendeu aos 31 minutos do segundo tempo. Era o fim da série e, pior, o possível fim da liderança, já que o Corinthians agora tem um pontos a menos, 37 contra 38, em 18 jogos, contra 19 do Tricolor carioca.
“A gente não perdeu por 15 rodadas, mas sabíamos que uma hora isso aconteceria. Este campeonato é longo e complicado”, amenizou Muricy, com o conhecimento de causa de quem venceu três Brasileiros seguidos pelo São Paulo, entre 2006 e 2008. “Não gostei do jogo. Tecnicamente, não foi bom. Nós saímos na frente, mas perdemos o Emerson, um jogador fundamental para os nossos contra-ataques. Mas é assim mesmo. No futebol, não dá para achar que, quando estamos ganhando, não tem nada errado. Agora o negócio é trabalhar e se preparar, porque temos todo o segundo turno pela frente.”
Velhos problemas: O começo da tarde teve cara de redenção para o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari: em um minutos, entre os 35 e os 36 do primeiro tempo, o time abriu 2 a 0 sobre o Cruzeiro no Pacaembu., gols de Kléber (pênalti) e Mauricio Ramos. Mas veio a segunda parte e, com ela, não apenas a oscilação contra a qual o time tem lutado, mas também algo que vem atrapalhando o planejamento da equipe há tempos: as lesões do goleiro Marcos. Logo aos dez minutos, o ídolo se chocou com o centroavante Ernesto Farias e com Mauricio Ramos e lesionou o joelho esquerdo, o mesmo que passou por uma artroscopia em junho. Coincidência ou não, quatro minutos depois começou a reação dos cruzeirenses: Roger marcou de fora da área e, aos 19, o argentino Walter Montillo invadiu a área para marcar 2 a 2. O clima já era de decepção, mas ficou pior a cinco minutos do fim, com o gol de outro argentino, o estreante Farias. “Temos de comemorar, porque foi uma vitória histórica. Daqui a muitos anos, tem gente que ainda vai se lembrar desta virada”, comemorou o técnico Cuca.
Faltou gol: Com seus principais nomes ofensivos ou afastados, ou ainda entrando em forma, Flamengo e Santos fizeram um jogo movimentado em que faltou o gol na despedida do Maracanã antes de o estádio entrar em obras visando à Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. De um lado, os santistas não tinham nem Neymar, suspenso, nem Ganso, lesionado, e tinha Keirrison ainda buscando a forma física. Do outro, o Flamengo já tinha sua nova dupla de ataque, Deivid e Diogo, mas os dois claramente ainda abaixo do ideal físico. O resultado não podia ser outro: 0 a 0.
Que crise?: Outro sintoma do equilíbrio que toma conta do Brasileirão: a tendência é que qualquer fase, boa ou ruim, possa aparecer e sumir com facilidade e velocidade incríveis. O São Paulo, por exemplo, fadado ao desespero uma semana atrás, chegou à segunda vitória seguida – um 3 a 2 de virada sobre o Atlético Mineiro, fora de casa – e tem 25 pontos, a seis do G4. De repente, falar em ser campeão já não soa como absurdo. “Antes deste jogo, nosso objetivo era de nos livrarmos do rebaixamento. As chances de título são mais remotas, porque os dois primeiros colocados estão com aproveitamento alto, mas não descarto a possibilidade”, disse o capitão Rogério Ceni.
Tão alto, tão baixo: O Atlético Goianiense, apesar dos 4 a 1 sobre o Vitória em casa, continua na zona do rebaixamento. Mas pelo menos tem o líder de outra classificação: a dos artilheiros. Elias marcou dois e chegou a nove, igualando-se com o corintiano Bruno César.
Novo nove: Herói da final da Copa Libertadores, quando marcou um belo gol diante do Chivas, Leandro Damião tem recebido oportunidades no Internacional graças à lesão de Alecsandro e tem feito bom uso: ele fez o primeiro gol nos 2 a 0 sobre o Grêmio Prudente e chegou a quatro nos últimos seis jogos.
G4 logo ali: No sobe e desce que marca cada rodada do Brasileirão, a rodada foi pródiga – e de forma surpreendente – para o Atlético Paranaense. Com um homem a menos, aos 49 minutos, no último lance do jogo, Maikon Leite deu a vitória por 1 a 0 sobre o Avaí em Florianópolis. O Furacão subiu assim para o sétimo lugar com 27 pontos, mas a apenas quatro do grupo de times que tem 31, que vai do Santos, terceiro colocado, até o Cruzeiro, sexto.