Evolução da Vinotinto anima Arango
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Foram anos e anos de espera - e de derrotas às vezes acachapantes - até que Juan Arango enfim mudasse de tom ao falar sobre a seleção venezuelana. Do costumeiro ar de decepção do passado, ele - que defende a Vinotinto há 15 anos - e seus compatriotas agora se orgulham em comentar a boa fase da equipe, quarta colocada nas eliminatórias sul-americanas para o Brasil 2014.

Maior jogador e exemplo para todos os companheiros em seu país, o meia do Borussia Mönchengladbach, da Alemanha, mostrou esta nova faceta ao conversar com o FIFA.com em Madri, durante o período de concentração organizado pelo técnico César Farías tendo em vista os duros jogos de março pelas eliminatórias, contra Argentina, fora, e Colômbia, em casa. Nada, no entanto, abala a confiança do capitão venezuelano.

FIFA.com: Capitão e integrante de longa data da seleção, como você vê este momento de auge da Venezuela
Juan Arango: O futebol da Venezuela cresceu bastante nos últimos anos, o que está sendo demonstrado com resultados nestas eliminatórias. Sabemos que o torneio é complicado, mas o nosso grande sonho é ir a uma Copa do Mundo, e pouco a pouco estamos avançando no caminho correto. Faltam sete jogos complicados, sete finais. Simplesmente vamos trabalhar para conseguir os resultados apropriados 

Quando acha que ocorreu a virada para que a Venezuela decolasse no mundo do futebol? 
Quem está trabalhando com este grupo acreditava firmemente nas possibilidades coletivas e nas capacidades individuais dos jogadores. E pouco a pouco foi possível construir um grupo competitivo com esses fatores. 

Os muitos jogadores venezuelanos que atuam no exterior também contribuem… 
Sim, obviamente. Há dez ou 12 anos havia pouquíssimos jogadores fora do país, e o campeonato nacional não era nada forte. Agora, quase todos nós que estamos na seleção jogamos no exterior, o que é uma vantagem importante dentro do grupo. Dá um impulso à qualidade da seleção e faz com que o grupo seja mais competitivo 

Você conhece bem o treinador César Farías, com o qual estreou como profissional aos 17 anos na segunda divisão. Qual é a contribuição dele à seleção? 
Desde o momento em que chegou, já deu muito à seleção. Mas é preciso lembrar que já na época de (José Omar) Pastoriza a seleção vinha melhorando. Eu diria que desde 1999 o futebol venezuelano vem crescendo exponencialmente. Pastoriza era um treinador que fazia questão de que a equipe se posicionasse bem em campo. Depois chegou Richard Páez, que apostava em um bom toque de bola. Farías aproveitou o melhor dos dois lados, do que deixaram Pastoriza e Páez, e agora segue somando. Acima de tudo, está fazendo um grande trabalho ao buscar e incorporar jogadores jovens. 

Um processo longo, mas sólido… 
O processo está se consolidando em um bom caminho. Os passos corretos estão sendo dados, e os resultados comprovam. Os jovens estão respondendo em campo, se esforçam muito, e esperamos cumprir com o nosso objetivo. 

Essa elevação da qualidade é apoiada por uma torcida que de uns anos para cá está muito entusiasmada com a Vinotinto, apesar do beisebol… 
O apoio popular é bastante visível. Já faz vários anos que o público nos apoia com muita intensidade, o que é importante também para os jogadores, que percebem e se sentem mais motivados. 

Com toda a sua experiência dentro do grupo, de que você se sente mais orgulhoso pessoalmente em todo este processo? 
Ainda não me sinto orgulhoso de nada. Sentirei orgulho se conseguirmos nos classificar ao Mundial. Aí sim, seria o homem mais feliz da Terra! Mas por enquanto é preciso seguir trabalhando para não sair do caminho nem dar passos em falso em prol desse objetivo com que todos sonhamos que é o Brasil. 

Nesse caminho rumo ao Brasil, Argentina e Colômbia serão os próximos adversários pelas eliminatórias. Como são encarados esses confrontos?
Vai ser complicado porque são duas das seleções que estão em melhor fase. Serão dois jogos difíceis, mas se quisermos chegar ao Brasil teremos de obter bons resultados em todas as ocasiões. Tanto a Argentina quanto a Colômbia demonstraram muita força ao ganharem as últimas partidas. Tanto ofensiva como defensivamente são equipes muito fortes. Mas nós também temos as nossas armas e vamos tentar obter bons resultados 

Para concluir, como se sente no futebol alemão? 
Estou bastante bem. Já estou lá há duas temporadas jogando bastante bem e não me queixo. No primeiro ano tive algumas complicações, mas me acostumei. Já entendo o idioma, mas falar é muito complicado. E a temperatura é um pouco difícil, mas vamos nos acostumando. 

Gostaria de jogar em algum outro país? 
(risos) O futebol dá muitas voltas, vamos ver o que acontece.