
Os gols são, certamente, um dos pontos fortes de Blas Pérez. Mas o experiente atacante de 31 anos costuma trazer algo a mais quando veste a camisa da seleção panamenha: mesmo que sua função principal não seja defender, é dando combate e brigando por todas as bolas que ele se tornou um exemplo para os demais companheiros na briga pela inédita vaga na Copa do Mundo da FIFA. Sua raça parece ter contagiado o grupo, e ele parece satisfeito e cada vez mais ciente desta dupla missão que exerce no time.
"Quando entramos em campo, entramos como se fôssemos um só. A nossa solidariedade é a nossa força", destaca ao FIFA.com o goleador panamenho, que disputa pela terceira vez as eliminatórias do Mundial. "Estamos trabalhando duro, muito duro. E há uma união, uma harmonia nesta seleção", completa.
Essa unidade levou o país centro-americano ao hexagonal final do torneio classificatório da CONCACAF para o Brasil 2014. A situação é bem diferente da de quatro anos atrás, quando os panamenhos despencaram no primeiro obstáculo, em um confronto contra El Salvador que o próprio Pérez relembra como um desastre total. "Temos uma mentalidade diferente agora", enfatiza o atual artilheiro da seleção e parceiro de ataque do grande Luis Tejada, maior goleador da história do país. "Acreditamos em nós mesmos e temos muitos jogadores experientes, como eu, que podem ajudar a mostrar o caminho para os mais jovens."
A ascensão do Panamá é um fenômeno relativamente recente. O selecionado apareceu em cena praticamente do nada em 2005, quando chegou à final da Copa Ouro e só foi derrotado pelos Estados Unidos nos pênaltis. Atual treinador da equipe, Julio Dely Valdés foi capitão daquela seleção e pegou gosto pelas grandes decisões. "Agora é a nossa melhor chance de chegar a uma Copa do Mundo", comenta o ex-jogador de Paris Saint-Germain e Málaga.
"Acho que ele está certo", concorda Pérez, que participou das edições de 2007 e 2009 da Copa Ouro, tendo sido artilheiro da primeira e integrante da seleção dos melhores da segunda. "Temos todas as razões para acreditar que este é o nosso ano", complementa, com a esperança de quem sonha em viajar pela primeira vez para participar do torneio máximo do futebol mundial. "Estamos tentando juntar tudo para alcançar o nosso sonho, para colocar o Panamá na Copa do Mundo."
Pérez começou a carreira nas categorias de base do Panamá Viejo, mostrando sempre um instinto goleador. Após uma breve passagem pelo Nacional de Montevidéu, foi para a Colômbia aos 22 anos e atuou por Envigado, Centauros, Deportivo Cali e finalmente Cucuta, onde teve o melhor período e marcou oito gols na Copa Libertadores, dois deles contra o Boca Juniors.
Lar, doce lar
A relação de Pérez com o futebol tem sido marcada por mudanças. Sem nunca ficar na mesma casa por muito tempo, ele já esteve em diferentes divisões do futebol mexicano, inclusive com uma boa temporada por empréstimo no Pachuca em 2009. O panamenho foi para a Espanha atuar pelo Hércules e chegou até mesmo aos Emirados Árabes antes de se estabelecer no Texas no ano passado.
Tendo viajado tantas vezes, Pérez conhece o valor de se sentir em casa, que é quando ele veste a camisa vermelha da seleção. "A gente pensa na família e nos vizinhos, todas as pessoas no país que estão contando conosco", destaca, de olho na possibilidade de levar o país à "terra prometida" que é a Copa do Mundo da FIFA. "Vamos continuar lutando por eles. É um dever nosso, e vamos dar o máximo. Temos chances verdadeiras."
O Panamá recomeça a luta por um lugar no Mundial no dia 6 de fevereiro ao receber a Costa Rica, recente campeã da Copa Centro-Americana. O jogo será no Estádio Rommel Fernandez, onde os panamenhos não tomaram nenhum gol na fase anterior das eliminatórias. "Teremos ter uma pequena vantagem", observa Pérez, otimista, mas cauteloso, nada disposto a subestimar um selecionado que já esteve três vezes na Copa do Mundo da FIFA. "O povo estará conosco, a multidão vai estar do nosso lado, e aqui na CONCACAF precisamos ganhar os pontos em casa. Esta é a nossa mentalidade: vencer em casa e roubar alguns pontos fora."
Para Pérez e muitos outros jogadores de uma seleção relativamente envelhecida, como o capitão Felipe Baloy e o próprio Tejada, o Brasil 2014 representa a última chance de chegar ao topo da montanha. "O momento é agora, a hora é agora", conclui o atacante, com uma certa ansiedade na voz. "Estamos aqui para aproveitar."

























