
Ele pertence a uma geração de filhos de emigrantes espanhóis que procuraram na América Latina um futuro melhor. Depois de alguns anos fazendo a vida no continente americano, essas famílias – já um tanto ampliadas – regressaram a sua terra. Mas agora são seus descendentes que voltam a cruzar o oceano para encontrar uma oportunidade de brilhar no futebol.
Assim como seus companheiros Fernando Amorebieta e Andrés Túñez, Daniel Hernández viveu apenas uns poucos anos em sua Caracas natal, mas sua dupla nacionalidade lhe permite hoje vestir a camisa da Venezuela.
O goleiro, firme titular da meta da seleção vinotinto, se destaca também em seu clube, o Valladolid – um time modesto no futebol espanhol que, após voltar à primeira divisão nesta temporada graças à repescagem, protagonizou um excelente primeiro turno no campeonato nacional. "Ainda não conquistamos nada. O objetivo principal continua sendo a permanência e matematicamente ainda não a garantimos. Mas é verdade que estamos realizando um bom papel, a partir de um trabalho feito com humildade", diz o atleta de 27 anos em entrevista exclusiva ao FIFA.com.
Com 25 pontos, o clube branco e violeta ocupa uma posição intermediária na tabela – é o décimo colocado –, superando amplamente Celta e La Coruña, por exemplo, que subiram da segunda divisão em 2011/12. Mas, independentemente da pontuação, a equipe comandada pelo ex-jogador sérvio Miroslav Djukic arranca elogios após cada jogo por seu estilo trabalhado e de toques. "Acho que o segredo dos bons resultados é o clima bom que existe no elenco. Trabalhamos muito bem juntos, temos um grande apoio e nos identificamos com a filosofia que o professor nos propõe, que é a de dar o sangue em campo, jogar bonito e manter a posse de bola", explica o arqueiro.
Ágil e com muito reflexo, Dani se firmou como a primeira opção para a meta do Valladolid, mas mantém a tensão da concorrência. "Temos vários companheiros lutando por uma posição. Não me sinto nem titular nem reserva. Existe uma competição muito saudável e muito benéfica para a equipe", afirma este fã dos goleiros espanhóis, de quem assegura aprender muito. "De Iker Casillas, de Víctor Valdés, de Diego López... Na Espanha se trabalha muito bem com as categorias de base e se realiza um trabalho muito profissional com os arqueiros", elogia.
Ainda assim, ele reconhece que seus primeiros passos no futebol não foram sob o travessão. "Quando criança, gostava de jogar de atacante como todos os meninos, para marcar gols. Mas eu era ruim, um desastre. Assim, na escola me colocaram no gol e aos poucos fui melhorando lá", conta esse andarilho do futebol espanhol, que antes de chegar ao Valladolid jogou por Guadalajara, Real Madrid C, Rayo Vallecano B, Jaén, Huesca, Valência B e Múrcia, entre outros.
Fazer história
Agora, ele vem levando todo esse aprendizado à seleção venezuelana, pela qual já disputou oito partidas e chegou a ser convocado para a Copa América 2011, apesar de não ter jogado no conjunto que conquistou um histórico quarto lugar na competição.
"É um grande trabalho que está sendo feito. Jogamos um futebol muito bom e isso foi recompensado com bons resultados. Por isso terminamos com nosso melhor primeiro turno nas eliminatórias para a Copa. Temos uma excelente geração de jogadores. Muitos estão ganhando maturidade fora e essa formação se une nas concentrações com a experiência dos veteranos. Isso vem nos empurrando", analisa.
"Houve uma mudança de mentalidade no país em relação ao futebol. Acho que é um divisor de águas. Agora, é possível ver muita gente nas ruas com a camisa da seleção. O futebol começa a ganhar terreno no coração dos venezuelanos", opina Hernández.
Por isso, ele se sente especialmente motivado cada vez que veste as luvas para defender a meta de sua seleção, que, na metade da campanha classificatória, ocupa a quarta colocação na América do Sul, empatada em pontos com Uruguai e Chile. "Tenho muita vontade de colaborar e fazer algo histórico pela seleção. Estamos muito unidos ao redor desse objetivo, que é ir ao Brasil em 2014."



