Godín: "As pessoas têm memória curta"
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"As coisas mudam rápido no futebol, e mais ainda em uma seleção, que não se reúne todos os dias", admite o resignado zagueiro Diego Godín, questionado sobre a situação atual do Uruguai. Em apenas cinco meses e quatro partidas, a Celeste deixou a disputa pela liderança das eliminatórias sul-americanas para posicionar-se na zona da repescagem, logo à frente do Chile, que hoje estaria na sexta colocação e, portanto, fora do Mundial.

Três derrotas, duas delas de goleada, e um empate nas últimas rodadas das eliminatórias foram responsáveis pelo retrocesso da equipe dirigida por Óscar Washington Tabárez. Após o último jogo da temporada, uma tranquilizadora vitória por 3 a 1 em amistoso contra a Polônia, o FIFA.com conversou com Godín, um dos líderes defensivos da seleção, para fazer um balanço do ano irregular que está acabando e trazer um olhar otimista para 2013.

"Nos últimos jogos das eliminatórias não estivemos bem", reconhece o zagueiro. "Marcamos apenas um ponto, e obviamente as coisas se complicaram. Agora teremos de buscar pontos fora de casa, além de ganharmos nos nossos domínios, mas esta seleção já conseguiu isso outras vezes. Já demonstramos que é possível. Estas eliminatórias são muito difíceis. Já as jogamos antes e nos classificamos, e sabíamos que estas seriam iguais."

O fantasma da repescagem
O zagueiro do Atlético de Madri sabe bem do que está falando. Com 63 partidas pela Celeste no currículo, é presença constante na seleção desde que Tabárez assumiu o comando, em 2006. Nas eliminatórias para a África do Sul 2010, o Uruguai só conquistou a classificação na repescagem, contra a Costa Rica, em um jogo impróprio para cardíacos. O fantasma de ter de voltar a disputar o passaporte no mata-mata reapareceu após os últimos resultados. "Queremos estar no Mundial, o resto pouco importa", assegura. "Claro que é interessante ficar nos quatro primeiros lugares, e vamos lutar até o fim para isso. Mas, se vier a repescagem, teremos de jogar. A nossa meta é ir ao Brasil."

Na hora de analisar os motivos do mau momento do Uruguai, chamam a atenção os 12 gols sofridos nos últimos quatro jogos. Como zagueiro de uma seleção conhecida tradicionalmente pela consistência defensiva, Godín analisa o problema com calma e frieza. "Ultimamente estamos saindo atrás no placar, o que leva a equipe a se desorganizar", aponta. "Uma das nossas maiores virtudes nos últimos anos, com uma Copa do Mundo espetacular, o título da Copa América e um bom início nas eliminatórias, era justamente a organização, a disciplina tática. Mas percebemos que essa organização desaparecia na hora de ter de buscar uma desvantagem, o que fez com que terminássemos perdendo, e perdendo feio."

Com os maus resultados, vieram também as primeiras críticas. O capitão Diego Lugano (com quem ele forma a dupla de zaga) e Diego Forlán (ex-companheiro de Atlético de Madri, atualmente no Internacional) são os principais alvos. Godín minimiza e pede para que os torcedores se lembrem de mais dos feitos recentes da seleção.

"Internamente estamos tranquilos, mas as críticas são recebidas com desconforto, pois as pessoas têm memória curta", chateia-se Godín. "Em dois meses você não pode se esquecer de tudo o que foi feito. No caso do Lugano, fala-se muito que ele não está jogando no seu clube. Já o Forlán nos deixou acostumados a um nível tão alto que, por ele não fazer gols nos últimos jogos, as coisas já começam a se complicar. É normal que haja críticas ou se fale de mudanças, mas o Tabárez já deixou clara a forma como ele vê a seleção com as renovações que fez."

A recente vitória contra a Polônia permitiu à seleção terminar 2012 com um astral melhor e recarregar forças para um 2013 que promete. O Uruguai disputará a Copa das Confederações da FIFA e buscará, é claro, carimbar a passagem para o Brasil 2014, começando em março nos confrontos contra Paraguai e Chile. "Precisamos ser fortes e nos manter bem física e tecnicamente", indica Godín. "Depois disso, não tem muito mistério. Tudo é momento, e é preciso conseguir resultados e somar pontos do modo que for."