
Argentinos e uruguaios se conhecem muito bem. Divididos pelo Rio da Prata e com a paixão pelo futebol em comum, os dois finalistas da primeira Copa do Mundo da FIFA foram protagonistas de algumas das partidas mais importantes da história do esporte mais popular do planeta. A mais marcante delas para a nova geração de torcedores de ambos os lados ocorreu no dia 16 de julho de 2011, quando a Celeste surpreendeu a equipe de Lionel Messi nas quartas de final da Copa América, em plena Argentina.
Passados 15 meses daquela decisão por pênaltis (vencida por 5 a 4 pelo Uruguai) que encerrou o ciclo de Sérgio Batista como técnico da seleção, a Argentina volta a enfrentar o rival com feridas que ainda não cicatrizaram. "Se este jogo representa uma revanche para o grupo?", pergunta o goleiro Sergio Romero. "É claro que sim. Mas aquela derrota é uma espinha que vai ficar entalada na nossa garganta.".
Foi Romero o goleiro argentino daquela derrota nos pênaltis em Santa Fé, e a dor dele é fácil de entender. A Argentina já está há 19 anos sem títulos oficiais, e a Copa América de 2011, em casa, parecia a ocasião ideal para voltar a comemorar uma taça. "Fiquei chateado porque havia estudado todos os cobradores", lembra o guarda-metas da Sampdoria. "Tirando as cobranças do Forlán e do Scotti, saltei certo em todas. Foi doloroso."
Por outro lado, o arqueiro destaca que as eliminatórias representam um momento totalmente diferente. Neste novo cenário, a Argentina é a líder, está invicta jogando em casa e possui uma das melhores defesas da competição. Sem dúvida, o panorama é bastante favorável às vésperas do grande clássico contra a Celeste, que está apenas dois pontos atrás, mas precisa se recuperar depois de duas partidas sem vitória.
Um prêmio ao esforço
Goleiro de 25 anos de idade e pai de duas filhas, Romero conquistou o seu lugar na seleção com muito trabalho e dedicação. Campeão mundial sub-20 em 2007 no Canadá, o arqueiro também conquistou a medalha de ouro com a equipe olímpica em 2008 antes de virar titular da seleção principal, por opção do então técnico Diego Maradona.
"Costumam dizer que os goleiros alcançam a maturidade aos 28 anos, mas pessoalmente estou muito feliz porque, tanto na seleção como no meu clube, recebo a confiança dos treinadores", revela Romero. "O meu trabalho é muito claro: dar tranquilidade à defesa e fechar o gol, pois sabemos que, com os gênios que temos lá na frente, podemos desequilibrar a qualquer momento", complementa, em referência aos grandes atacantes da seleção Argentina.
Pelo visto, Romero tem cumprido bem o seu papel: com ele sob as traves, a Argentina sofreu apenas cinco gols. No total, o país levou seis gols e possui a defesa menos vazada das eliminatórias, ao lado da Colômbia. "O grupo está visivelmente tranquilo, estamos conseguindo bons resultados, respiramos tranquilidade e estamos muito confiantes", conta o goleiro, que,precisará de muita atenção para enfrentar Diego Forlán, Luis Suárez, Edinson Cavani e companhia.
"O Uruguai tem uma grande seleção", avalia Romero. "Não é por nada que acabou de realizar uma excelente Copa do Mundo e ganhou a Copa América, Mas não acho que existam grandes diferenças entre as seleções sul-americanas. O Chile, que enfrentaremos depois do Uruguai, também merece cuidado. Há duas rodadas derrotamos com autoridade o Paraguai, e todos esperavam uma vitória fácil sobre o Peru, mas, aos três minutos, já havíamos cometido um pênalti e o estádio vinha abaixo." Vale lembrar que Romero usou o seu reflexo para defender a cobrança e contribuir com o empate em 1 a 1 em Lima.
Prioridades claras
Em viagem a Buenos Aires para reencontrar a filha Chloé (nascida em setembro), Romero não hesita em responder à última pergunta do FIFA.com. O que é mais difícil: criar duas filhas ou defender a Argentina no confronto com os temíveis atacantes uruguaios?
"Não me preocupo tanto com a criação das minhas filhas, pois elas têm uma grande mãe, que ficou este tempo todo sozinha com elas", explica Romero. "Vai ser muito mais difícil estar embaixo das traves, no campo, contra o Uruguai. Ninguém deve ter dúvida de que vou fazer, como sempre, todo o possível para não sofrermos nenhum gol, para que a equipe vença e siga a caminhada rumo à Copa do Mundo. Queremos os seis pontos nestes dois jogos. Somos a Argentina, e temos de provar isso em campo e ganhar sempre.".







