Vidal: "Faço parte da melhor geração do Chile"
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Talento, personalidade e estirpe vencedora são atributos que servem bem para descrever o chileno Arturo Vidal. Revelado nas categorias de base do Colo Colo em 2005, com apenas 18 anos, este meio-campista multifuncional ganhou fama internacional dois anos depois, quando foi fundamental para a seleção que alcançou o histórico terceiro lugar na Copa do Mundo Sub-20 da FIFA no Canadá.

A partir desse momento, Vidal não parou de crescer. Primeiro, ao assinar com o Bayer Leverkusen. Depois, com sua consolidação na seleção principal e seu papel no conjunto que classificou o Chile para sua primeira Copa do Mundo da FIFA em 12 anos. A boa atuação na África do Sul 2010 e a grande temporada que fez logo em seguida na Alemanha, onde foi escolhido para a seleção do campeonato nacional de 2010-11, lhe permitiram dar o salto à poderosa Juventus.

Depois de seu time conquistar o título invicto da última temporada e voltar a fazer parte da seleção de um campeonato de primeira linha na Europa, Vidal sonha agora em dar uma vaga ao Chile no Brasil 2014, onde pretende estar competindo. Este foi um dos temas da conversa do FIFA.com com o jogador de 25 anos, que também falou do momento do futebol chileno e de sua carreira.

FIFA.com: Você acha que faz parte da melhor geração de jogadores chilenos da história?
Arturo Vidal:
Sim. Houve jogadores muito bons em várias épocas do passado, mas nunca antes houve tantos ao mesmo tempo. Vários de nós estão se destacando tanto nos principais campeonatos da Europa quanto na seleção e isto é uma novidade para nosso futebol. Fazer parte deste processo me enche de orgulho.

Acredita que o selecionado chileno tem o reconhecimento que merece?
Em Santiago, se comenta que faz muito tempo que não se viam resultados tão bons como os que a seleção vem obtendo nos últimos anos. Estamos tentando aproveitar ao máximo, mas também queremos deixar o nome do país na melhor posição possível.

O Chile se classificou para a última Copa do Mundo da FIFA depois de 12 anos de ausência e chegou às oitavas de final, mas não esteve à altura das expectativas na Copa América. Qual é o próximo objetivo?
Classificar-nos para a próxima Copa, é claro. E, uma vez conseguido isto, precisamos pensar em chegar ao ponto mais alto, ou seja, lutar pelo título. A África do Sul foi o primeiro Mundial deste grupo e serviu muito como experiência. Mas temos que ir com outra mentalidade ao Brasil.

Você parece ter certeza de que o Chile conseguirá a vaga para 2014...
Estou convencido de que temos time para conseguir isso. Não podemos ficar com a derrota para a Colômbia (3 a 1 em Santiago na última rodada das eliminatórias). Aquilo doeu muito, mas é preciso tirar uma média geral – e ela é positiva. Não é por acaso que chegamos a estar no primeiro lugar neste torneio classificatório (na sexta rodada). A ideia do grupo é se manter entre os três primeiros colocados até o final. Somos um elenco maduro e temos demonstrado isto.

No entanto, a seleção sofreu mais uma vez alguns problemas de indisciplina. Esta é grande pendência que vocês têm a resolver como grupo?
É um tema muito comentado. O futebol nos dá muitas coisas e qualquer um pode processar isso mal. É preciso amadurecer como pessoa, mas, pela posição que ocupamos, às vezes temos a obrigação de dar o exemplo. Não é uma tarefa fácil porque são necessárias algumas coisas que só se incorporam com o tempo.

Também não tem sido fácil lidar com a imprensa chilena, não é verdade?
Nisso influenciam vários fatores. Por um lado, o jornalismo chileno procura sempre detalhes distantes do futebol. Por outro, o jogador chileno costuma ser tímido. Assim, teme ainda mais falar e prefere manter distância para evitar problemas.

Mas, para você, parece ser o oposto. A que se deve isto?
Sim, é verdade. É uma coisa que tem a ver com a trajetória de cada um. No início, pensamos mais em vencer e depois vamos amadurecendo. Viver na Alemanha e na Itália me ajudou a crescer, pensar melhor nas coisas e poder me expressar adequadamente.

Também é possível notar que você está mais tranquilo dentro de campo. Seu temperamento jogou mais vezes a seu favor ou contra?
A favor. Sem este temperamento, não sei se poderia ter tido sucesso fora do Chile. Para render em campeonatos como o alemão ou o italiano, é preciso ter um diferencial. Em meu caso, parte deste diferencial é o temperamento.

Foi difícil controlá-lo?
Talvez o início, quando eu jogava no Colo Colo, tenha sido o período em que mais trabalhei a respeito, principalmente vendo os vídeos de meus jogos. Mas, quando fui para o exterior, estava mais tranquilo.

No Colo Colo, você teve Claudio Borghi como técnico. Quanto mudou entre aquele Borghi e o que está hoje à frente da seleção chilena?
O Claudio continua sendo o mesmo de sempre. É uma pessoa próxima ao grupo, que dá muita liberdade aos jogadores, no melhor sentido da palavra. Não existem muitos técnicos que tenham uma maneira de tratar assim, mostrando a você que foi um jogador tanto dentro quanto fora dos gramados. Essa proximidade nos inspira confiança.

Dá a impressão de que você responde a esta confiança aceitando jogar em várias posições – de volante, de ala, de meia-atacante e até mesmo de líbero. Em qual se sente mais confortável?
Não é nenhum segredo: minha posição é de volante que sai jogando. É como venho trabalhando toda minha vida e acho que é onde rendo melhor. Gosto da visão que se tem dali, que a bola passe por mim, de estar na transição entre o ataque e a defesa. Mas não tenho problemas em trocar de posição para ajudar minha seleção ou minha equipe. Tento adaptar-me o mais rápido possível.

Sente que está vivendo o melhor momento de sua carreira?
Acho que sim. Na Alemanha, fui bem, mas agora jogo em um dos clubes com mais tradição do mundo, que vem de ser campeão invicto e onde estou realizando tanto minhas expectativas quanto as das pessoas que me trouxeram. No lado pessoal, aqui está acontecendo algo parecido ao que vivi no Chile, já que a torcida mostra seu carinho por mim o tempo todo. Mas talvez sempre exista algo em que melhorar.

O atual momento da Juventus o surpreende?
Sabia que vinha para uma equipe que não estava obtendo bons resultados, mas também para um dos grandes da Europa. Quando aceitei, pensei que íamos poder mudar e lutar por um título, e foi o que aconteceu. Não demoramos muito em nos dar conta de que estávamos com tudo e continuaríamos assim até o final, mas admito que me surpreendeu que terminássemos invictos. O Campeonato Italiano é muito difícil.

Você acredita que a Juventus tem condições de repetir o título ou preferiria agora ganhar a Liga dos Campeões?
Sinto que, com os reforços que chegaram, estamos ainda melhores do que no ano passado e podemos tanto conquistar o bicampeonato quanto fazer uma boa Liga dos Campeões. Bom, corrijo: em um clube como a Juventus, sempre é preciso buscar o título!

No futuro, não gostaria de experimentar os campeonatos espanhol ou inglês?
Não pensei nisso. Repito que estou muito contente aqui e, se tivesse que ficar a vida inteira, faria isso feliz.

E o futebol, o deixa feliz? Continua gostando do jogo?
Claro que sim! E espero continuar adorando o futebol toda minha vida. Não só é o que sei fazer de melhor, como também é o que me dá alegrias todos os dias.