
A Tanzânia caiu em um dos grupos mais difíceis da segunda fase das eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA 2014, ao lado da Costa do Marfim, selecionado africano de melhor classificação no Ranking Mundial, e do Marrocos, que já disputou quatro Mundiais. Apesar de nunca ter chegado perto de se classificar para o principal torneio do futebol, os tanzanianos não se intimidaram com esta tarefa. Agora, após as duas primeiras rodadas, eles ainda seguem com plenas chances.
Comandando o conjunto está Kim Poulsen, um dinamarquês de 43 anos que assumiu depois da saída do compatriota Jan Børge Poulsen no início de 2012. O ex-técnico do Horsens e do Viborg já havia treinado clubes em Cingapura, mas este é seu primeiro grande desafio. O FIFA.com falou com ele sobre suas impressões e os planos para o futuro.
FIFA.com: Você ficou satisfeito com os dois primeiros jogos da Tanzânia na segunda fase das eliminatórias, em junho?
Kim Poulsen: Sim, acho que, com uma equipe renovada e jovem, jogamos nossa primeira partida fora de casa contra a Costa do Marfim e tivemos uma boa atuação, mesmo perdendo. Depois, na Tanzânia, vencemos a Gâmbia jogando bem em minha opinião, mantendo o bom desempenho da estreia. A vitória foi muito importante para os jogadores. Estamos em segundo lugar no grupo, com um triunfo e uma derrota. Acho que podemos estar bem contentes. Claro, sabemos que nosso próximo adversário, o Marrocos, é muito difícil, mas com essa seleção jovem começamos uma nova caminhada e esperamos chegar bem longe.
Há potencial no grupo?
Trouxemos muitos jogadores das categorias de base para a seleção e passamos mais ou menos um mês juntos porque jogamos um amistoso com o Malaui antes de viajar à Costa do Marfim. A seguir, enfrentamos a Gâmbia e finalmente Moçambique (pelas eliminatórias da Copa Africana das Nações 2013). Empatamos com os moçambicanos pela primeira vez, mas infelizmente perdemos nos pênaltis. Ainda assim, foi uma boa atuação. Isso me mostrou que há potencial nesta equipe. Se tivermos o tempo adequado para nos preparar, acho que podemos entrar em uma nova era.
A derrota para Moçambique deve ter sido um golpe. Mas agora a Tanzânia tem bastante tempo antes do próximo jogo pelas eliminatórias da Copa do Mundo contra o Marrocos, que será em março, em casa...
É claro que foi decepcionante, mas todos sabemos que, quando um jogo vai para os pênaltis, é uma questão de sorte. Só perdemos na nona cobrança. Esta era uma boa oportunidade de nos classificar para a Copa Africana, já que a campanha era curta. Com certeza gostaríamos de ter passado para a última fase, mas o futebol é assim. Temos um amistoso marcado para 14 de novembro e, depois, disputaremos a Copa Desafio da CECAFA (Conselho das Federações de Futebol da África Central e Oriental, na sigla em inglês) entre 24 de novembro e meados de dezembro. Isso significa que passaremos muito tempo juntos com o grupo. É bom como preparação.
O fato de quase todos os jogadores da seleção atuarem no futebol tanzaniano é uma vantagem?
Acho que existem prós e contras. Por um lado, jogadores que atuam no exterior, em campeonatos de alto nível, podem contribuir para a seleção quando convocados. Quando enfrentamos a Costa do Marfim, era como ver um jogo da "Família Tanzânia" contra a seleção do Campeonato Inglês! É claro que dá para ver a qualidade e a vantagem, mas se seus jogadores só estiverem jogando em divisões inferiores na Europa, a história pode ser diferente. A Tanzânia não tem jogadores em equipes da elite dos campeonatos europeus. Sou da opinião de que, se convocamos esses atletas, eles precisam ter um nível que faça a diferença para a seleção. Só contamos com poucos jogadores em clubes de outros países africanos e eles também podem ser convocados para nossos períodos de concentração. Dá para olhar essa questão pelos dois lados.
Quais são seus objetivos para a Tanzânia?
Meu sonho e o dos jogadores é nos classificar para a Copa Africana de 2015. É algo que a Tanzânia não consegue em muitos, muitos anos. Sei que isso é bastante ambicioso, mas acredito que é realista, se trabalharmos adequadamente dentro e fora do campo. Para mim, a vontade de vencer é importante, mas a vontade de estar preparado é tão importante quanto. Esta é a frase com a qual gosto de trabalhar. Às vezes, as pessoas sonham, mas acham que podem montar um time poucas semanas antes de um jogo e ainda assim ir bem. Não. A vontade de vencer é importante, mas a de estar preparado é fundamental. Também começamos um projeto de formação no sub-17 e no sub-20, treinando regularmente e trabalhando no desenvolvimento dos jovens. Já trouxemos alguns jogadores do sub-20 para a seleção nacional. Se conseguíssemos nos classificar, seria um feito enorme para o país.