Iraque de Zico na briga por um lugar ao sol
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A seleção iraquiana vem buscando se reencontrar com a glória vivida no passado, já que foi uma das representantes da Ásia no México 1986. Como a primeira participação do país em torneios classificatórios para o Mundial aconteceu na caminhada rumo à Alemanha 1974, ainda que sem sucesso, a conquista da vaga para as disputas em solo mexicano apenas 12 anos depois foi considerada um grande feito.

Na briga por um lugar ao sol pela décima vez, os iraquianos seguem tentando repetir o feito, ainda não realizado pela atual geração. Os mais experientes esperam que o país retome a boa fase que lhe garantiu o título de campeão asiático em 2007 para garantir o direito de disputar a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

Longa ausência
Os iraquianos foram eliminados de forma bastante precoce na corrida por uma vaga nas duas últimas edições do Mundial. Desta vez, após chegarem à última fase do torneio classificatório, eles esperam finalmente garantir passagem. A esperança da torcida é alimentada pelos resultados obtidos na terceira etapa das eliminatórias.

Após sofrer uma dolorosa derrota por 2 a 0 em casa diante da Jordânia, poucos dias depois da contratação do brasileiro Zico como técnico, o Iraque conquistou cinco vitórias consecutivas, quatro delas sobre China e Cingapura, e uma sobre os próprios jordanianos em Amã, capital do país adversário. Com isso, os iraquianos chegaram aos 15 pontos e 14 gols marcados, ficando com a primeira colocação do grupo.

"Superamos todas as dificuldades e fizemos aquilo que era esperado de nós", apontou o treinador em entrevista exclusiva para o FIFA.com. "A última fase exige ainda mais esforço por parte dos jogadores. Precisamos estar prontos para cada partida, acreditar em nossas chances e então mostrar do que somos capazes dentro de campo."

Largada ruim
Apesar de Zico ter contado com bastante tempo para preparar a equipe, o ex-craque sabe que o curto período entre o fim da temporada no país e o início das eliminatórias afetou negativamente os objetivos e a forma física dos jogadores. Já nas duas primeiras rodadas, a seleção iraquiana deixou escapar uma vitória que parecia certa contra a Jordânia em Amã e, apesar de ter contado com um tempo de descanso mais longo que os adversários, acabou ficando apenas no empate com Omã jogando em casa.

As impressões do treinador brasileiro após os dois jogos foram contrastantes. Depois do ponto conquistado na Jordânia, Zico disse ao FIFA.com que aquilo não podia ser considerado um mal resultado. "Ainda que tenhamos criado diversas chances de gol, jogamos contra uma equipe muito concisa, que atuava em casa", observou. "Foi um bom início, que nos dá a confiança necessária para seguir crescendo."

Já o empate trazido de Doha não agradou. "Não apresentamos o futebol que poderíamos, em especial no meio-campo", desabafou Zico à época. "Não conseguimos realizar o jogo que esperávamos. Esse empate confirma que estamos em um grupo muito equilibrado, no qual é impossível prever qualquer resultado."

Expectativa em alta
Ainda com a cabeça nos excelentes resultados da terceira fase, os iraquianos retomaram a confiança na seleção nacional, contribuindo para que a base da equipe não fosse alterada. Para se classificar para o maior evento do futebol, o Iraque conta com o capitão Younis Mahmoud, artilheiro do combinado iraquiano e segundo maior goleador das eliminatórias asiáticas, com sete gols até aqui.

Na partida contra a Jordânia, Mahmoud deu o passe do gol marcado por Nashat Akram. Já no segundo compromisso, o jogador sofreu e converteu uma penalidade máxima, insuficiente para que sua seleção obtivesse a primeira vitória na atual fase da competição.

O jogador não conseguiu disfarçar a decepção após o empate com Omã. "Infelizmente, não estávamos em nosso melhor nível", apontou. "Cometemos erros e eles marcaram muito cedo. Mas pressionamos e conseguimos igualar o marcador. Deixamos passar diversas oportunidades de gol. Acredito que foi um resultado bom para Omã e ruim para nós."

Próximos desafios
Com apenas dois pontos conquistados em seis possíveis, os iraquianos precisam agora virar a página e tirar as lições necessárias desses dois primeiros compromissos para não repetir os erros contra adversários mais fortes tecnicamente. A comissão técnica precisará saber trabalhar com o psicológico dos jogadores, que enfrentam ninguém menos do que o Japão no dia 11 de setembro e então retornam a Doha no dia 16 de outubro, desta vez para encarar a Austrália.

Os dois confrontos são considerados de extrema importância. Em Saitama, onde os japoneses golearam Omã e Jordânia por 3 a 0 e 6 a 0 respectivamente, Zico sabe que seus comandados terão de fazer de tudo para não sair derrotados. Além disso, um mero empate daria ânimo renovado para buscar a vitória sobre os australianos, de quem o Iraque precisará ganhar a qualquer custo se quiser se manter na disputa.

Campeão da Copa Asiática de Seleções 2004 com o Japão, Zico, que também esteve à frente dos nipônicos na Alemanha 2006, fez uma declaração que chamou atenção no início desta fase do torneio classificatório. "Este grupo conta com equipes de alto nível, mas que estão a nosso alcance", disse, com confiança. "Para mim, o Iraque pode derrotar o Japão."

Recentemente, Zico tem se dedicado a preparar o grupo, terceiro colocado na última Copa das Nações Árabes, apesar da ausência de diversos nomes importantes. Com o término do Campeonato Iraquiano, o técnico convocou todos os jogadores para um período de concentração antes do desafio diante dos japoneses. Com isso, o Iraque entra na nova temporada no auge de sua forma técnica e física, esperando com isso obter um bom resultado que abriria de forma considerável seu caminho rumo ao Brasil.