Queiroz busca reforços no exterior
© Getty Images

Jogadores que atuavam no futebol europeu foram os destaques do Irã na campanha da classificação para a Alemanha 2006. Nomes como Mehdi Mahdavikia, meia do Hamburgo; Vahid Hashemian, ídolo do Hannover 96; e Ferydoon Zandi, responsável pela criação no Kaiserslautern, foram providenciais durante aquelas eliminatórias. Por isso, o atual técnico do selecionado, o português Carlos Queiroz, não vem poupando esforços para esquadrinhar o planeta em busca de talentos capazes de reforçar seu elenco. Afinal, o Irã busca regressar ao maior torneio do futebol mundial depois de oito anos de ausência.

O Irã já foi o país asiático com o maior número de atletas no exterior, mas hoje tem poucos jogadores de destaque atuando fora de seu território – Javad Nekounam, do Osasuna, é uma das exceções dignas de nota. Ávido por incrementar seu elenco com reforços vindos da Europa, o primeiro objetivo de Queiroz foi convencer os promissores Ashkan Dejagah, atacante do Wolfsburg, e Reza Ghoochannejhad, centroavante do Sint-Truiden, da Bélgica, a defender o Irã, já que eles haviam vestido as camisas dos selecionados de base de Alemanha e Holanda, respectivamente.

"Gostaríamos de tê-los na próxima convocação", disse o treinador ao FIFA.com no início deste ano, antes do mais recente compromisso pelas eliminatórias, contra o Catar. "Apesar de isto estar sendo muito difícil para nós, tenho confiança de que poderemos contar com os serviços de ao menos um deles."

Queiroz conseguiu convencer Dejagah, que retribuiu imediatamente os esforços do português marcando os dois gols do empate em 2 a 2 com os catarianos, resultado que deu a primeira colocação do grupo e a classificação ao Irã. Ainda que a convocação do jovem atacante de 25 anos tenha corroborado o plano de buscar talentos no exterior, o experiente treinador detalhou por que acredita que uma experiência na Europa é importante.

"A vantagem europeia não está apenas em um aspecto como os recursos financeiros, mas também em sua capacidade e suas condições de oferecer um alto nível de competitividade", analisou o ex-técnico do Real Madrid e de Portugal. "Todas as competições no continente, sejam de seleções ou de clubes, alcançaram um patamar muito superior às de outras regiões do planeta. Até mesmo o torneio interclubes sul-americano está muito abaixo dos padrões europeus. Aconselhar um jogador ou fazer com que ele treine não basta para possibilitar sua evolução. O nível das competições na Europa também ajuda nisso."

Novo reforço
Queiroz, porém, não é o primeiro técnico do Irã a se dar conta de que ter experiência na Europa pode ser muito importante nas eliminatórias asiáticas. Quando classificou o país para a Alemanha 2006, o croata Branko Ivankovic passou vários meses viajando para convencer Zandi – que também é alemão – a defender o conjunto iraniano e persuadir Hashemian a encerrar uma ausência autoimposta de três anos e voltar à seleção.

A recompensa pelo trabalho ficou logo evidente. Zandi se tornou titular absoluto e Hashemian ofuscou até mesmo o icônico Ali Daei, firmando-se como novo ídolo da equipe com seus gols decisivos rumo à classificação.

Esperançoso por essa experiência anterior e animado pelo êxito de Dejagah, Queiroz decidiu ampliar o contingente "europeu" de sua seleção. Entre as novidades, está o sueco Omid Nazari, que pode optar pela nacionalidade iraniana. Ele foi convocado para o elenco de 24 jogadores que estará à disposição para o encontro com o Uzbequistão, neste domingo, e a partida com o Catar, nove dias depois. No entanto, o meia do Angelholms ainda precisa ser liberado para defender o Irã. Assim, sua aguardada estreia no último dia 27 de maio, no amistoso contra a Albânia – que terminou com a derrota iraniana pelo placar mínimo –, acabou não acontecendo.

Independentemente da escalação final da seleção para a última fase das eliminatórias, Queiroz acredita que seu conjunto tem qualidade suficiente para estar no Brasil 2014. "A torcida iraniana realmente merece a classificação porque adora este esporte e vem mostrando muita paixão", disse. "Quando um país tem 78 milhões de torcedores, merece estar na Copa do Mundo."