
Ao longo da última década, Gana demonstrou ser uma das seleções mais equilibradas e promissoras da África. O calcanhar de Aquiles, porém, era a posição de centroavante, onde Asamoah Gyan viveu gloriosos períodos de alta, mas também alguns dolorosos momentos de baixa. No entanto, apesar das notórias falhas do jogador de 27 anos em cobranças de pênaltis – primeiro, na África do Sul 2010 e, mais recentemente, na Copa Africana de Nações – a torcida ganesa sempre suou frio quando o dinâmico jogador não estava em campo.
Agora que Gana ruma a um período crucial em 2012 – as eliminatórias para o Brasil 2014 e também para a Copa Africana do ano que vem começam para valer –, essa é uma situação com a qual os torcedores dos Estrelas Negras terão que aprender a viver. Afinal, Gyan anunciou que deixaria de defender a seleção em fevereiro deste ano, quando a busca do título continental parou na semifinal. Independentemente de ele decidir voltar em algum momento, há uma sensação geral no país de que é preciso encontrar um substituto à altura do atacante, atualmente emprestado ao Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos.
No entanto, este vem sendo um problema de difícil solução para o selecionado ganês. "Por ora, Gyan ainda é o melhor atacante de Gana", disse Emmanuel Clottey, um dos talentosos jovens com potencial para liderar o ataque do conjunto nacional. Porém, junto ao atleta do Berekum Chelsea, outros três jogadores lutam pela vaga no setor ofensivo: o herói do título da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA, Dominic Adiyiah, o atacante do Olympique de Marselha Jordan Ayew e uma máquina de fazer gols no Campeonato Ganês chamada Emmanuel Baffour.
Cara nova
Desde que ganhou a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro na consagração de Gana como a primeira seleção africana a vencer o Mundial Sub-20, Adiyiah é considerado o seguinte na linha sucessória da posição. No entanto, ele parece não conseguir fazer sua carreira deslanchar desde que foi para o Milan, assim que aquele torneio acabou. Difíceis passagens por empréstimo em clubes da Sérvia, da Turquia e da Ucrânia não impediram o atleta de 22 anos de marcar 15 jogos por seu país, mas seu rendimento foi limitado e ele acabou não sendo convocado para o grupo que foi à Copa Africana deste ano.
Já Ayew – filho do ídolo histórico Abedi Pelé e irmão do craque André Ayew – vem vivendo bons momentos no Campeonato Francês, ainda que não tenha conseguido se firmar com a camisa da seleção. A competição continental era a chance que o jogador de 20 anos tinha de brilhar, mas ele não foi capaz de balançar a rede nos 270 minutos em que esteve em campo.
Isso fez com que as esperanças se voltassem para a mais nova promessa do ataque de Gana. Trata-se de Emmanuel Baffour, nome que está na ponta da língua da torcida nos últimos tempos. O jogador de 23 anos, que defende o New Edubiase United, marcou 20 gols em 25 jogos no campeonato nacional, ficando a apenas dois do recorde histórico de Ishmael Addo na competição.
Quase desconhecido fora de seu país, o atacante acredita que ser artilheiro o projetará devidamente ao centro das atenções. "Estou aproveitando minha temporada. Meu segredo é treinar intensivamente e seguir à risca as instruções do técnico. Além disso, fui abençoado com duas qualidades de um bom atacante: movimentação e finalização. Marcar 20 gols é um feito e tanto e quando eu quebrar o recorde, ficarei mais do que feliz", disse Baffour.
Apesar de ter entrado na lista provisória de convocados para o torneio continental do início do ano, ele acabou não sendo chamado, para a consternação geral do país. Mas o jovem garante que não perdeu o sono com a decisão do técnico à época, Goran Stevanovic. "Não fiquei decepcionado de jeito nenhum. Sou um jogador novo, que ainda está aprendendo. Estava esperando de provar que mereço uma chance", afirmou.
Baffour, um fã da destreza do atacante Zlatan Ibrahimovic, do Milan, foi convocado pela primeira vez em fevereiro, para o amistoso contra o Chile. Agora, afirma que seu objetivo é se manter na disputa. "Sempre ficarei empolgadíssimo com uma oportunidade de jogar pela seleção", disse. "Foi uma ótima experiência e fiquei satisfeito com minha atuação. Estou esperando com ansiedade para ter novas chances de exibir meu talento e ajudar a equipe."
Amigos com uma missão
Baffour e Clottey são bons amigos, já que ambos jogaram nos juniores do Mighty Victory. Agora, esta dupla poderia realizar o sonho de atuar lado a lado no ataque de Gana. Clottey, artilheiro do campeonato de seu país em 2007, também vem mostrando serviço pelo Berekum Chelsea, atual campeão nacional. Enquanto Baffour monopoliza as atenções dentro do país, Clottey recebeu críticas muito favoráveis na Liga dos Campeões da África. Seus cinco gols até o momento – três deles em uma mesma partida, contra ninguém menos do que o tricampeão continental Raja Casablanca, do Marrocos – não passaram despercebidos entre a elite do futebol.
Aos 24 anos, o ex-craque olímpico deu a volta por cima de uma suspensão de um ano imposta pela Federação Ganesa em julho de 2009, por ser escalado de forma irregular. Porém, desde que voltou à ação, ele vem jogando como se estivesse em uma missão. Com três convocações para a seleção, Clottey garante que amadureceu depois de passagens discretas pelo Wacker Innsbruck, da Áustria, e pelo Odense, da Dinamarca, onde jogou ao lado do camaronês Eric Djemba-Djemba.
"Como um jogador que não atua no exterior, sempre é uma injeção de ânimo vestir a camisa da seleção. Isso me inspira a seguir em frente e sonhar grande. Quando a porta se abrir para mim novamente, passarei por ela de cabeça erguida", afirmou sobre a possibilidade ocupar o vazio deixado por Gyan.