Khalfan mira viga
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A seleção do Catar está a um passo da fase final das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. Afinal, o país só precisa de um ponto diante do Irã no próximo dia 29 de fevereiro em Teerã para terminar na segunda colocação do Grupo E.

Os catarianos esperam avançar à quarta e última etapa da competição preliminar e, com isso, manter vivas as esperanças de participar da festa máxima do futebol mundial. Ibrahim Khalfan, astro de 24 anos do selecionado, concedeu uma entrevista exclusiva ao FIFA.com em que fala sobre as suas ambições pessoais e a trajetória do Catar nas eliminatórias.

Ponto final
Enquanto a equipe iraniana já garantiu presença na fase seguinte, Catar e Bahrein vêm brigando forte pela segunda vaga do Grupo E. Às vésperas da última rodada, os catarianos levam ligeira vantagem, com nove pontos contra seis dos vizinhos. Embora um empate com o Irã lhes seja suficiente, Khalfan alerta para a importância de uma vitória. "É um jogo decisivo", destaca o meia-atacante. "Ainda não garantimos a nossa classificação e tudo vai se decidir dentro de campo. Sabemos perfeitamente que o Irã é uma grande equipe, difícil de se dobrar em casa. É por isso que devemos dar o máximo e não deixar a oportunidade escapar das nossas mãos. Determinação não falta e esperamos estar à altura da ocasião."

Khalfan e os companheiros têm consciência de que esse último compromisso será muito difícil, considerando o retrospecto entre os dois países em eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA. Atualmente, o saldo é de três vitórias para os iranianos contra apenas uma do Catar. No jogo de ida, as duas seleções empataram em 1 a 1. Além disso, o conjunto persa parece decidido a conservar a primeira colocação da chave e brindar a torcida com mais um triunfo, o que certamente renderá um duelo tenso em Teerã.

Moral em alta
Contudo, o selecionado catariano cresceu ao longo da campanha na terceira fase. Nas duas primeiras rodadas, o país teve de se contentar com empates diante de Irã e Bahrein, mas conquistou duas importantes vitórias contra a Indonésia. Com o placar novamente igualado na visita ao Bahrein, assumiu a vice-liderança do grupo e ficou muito perto da classificação à fase final. "Todos os nossos jogos na chave foram bons", avalia Khalfan. "Não perdemos, o que nos mantém confiantes. Depois dos dois primeiros empates, éramos obrigados a ganhar duas vezes dos indonésios e conseguimos graças à nossa determinação. O primeiro jogo em Jacarta não foi fácil, considerando o clima local, mas mostramos que éramos capazes de vencer em qualquer situação. Na partida de volta, confirmamos ganhando por quatro gols de diferença. Contra o Bahrein era um clássico, e acho que o empate foi um bom resultado para nós. Agora temos o destino nas mãos. Em suma, todos estão satisfeitos e esperamos concluir a nossa trajetória com chave de ouro."

O Catar registra agora duas vitórias, três empates, oito gols marcados e apenas três sofridos. Khalfan, por sua vez, estufou as redes adversárias em três oportunidades, o que faz dele o artilheiro do selecionado. O balanço é mais que honroso, considerando o alto nível da atual edição das eliminatórias. Além disso, a esta altura da competição, as equipes não medem esforços para se garantirem na etapa decisiva.

Sonhando grande
Nos últimos 12 anos, a seleção catariana alcançou a fase final das eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA em três ocasiões. O torneio classificatório à edição de 1998, porém, terminou com sabor amargo para o Catar, que passou a sonhar com a vaga depois de uma meteórica ascensão, mas acabou eliminado pelo experiente conjunto saudita ao perder pelo placar mínimo em Doha.

Agora, o sonho do torcedor catariano é novamente possível. Khalfan concorda que o futebol nacional está em plena evolução. "Devemos passar pelo último teste no Irã e, se nos classificarmos, seremos tão ambiciosos quanto os outros adversários", antecipa o meia. "Teremos a oportunidade de jogar grandes partidas e de lutar para conseguir uma das vagas no Brasil. A nossa ambição é legítima. Adoramos desafios e apostamos na nossa determinação. Vamos nos preparar da melhor maneira possível para mostrar do que somos capazes."

No Catar, os últimos meses de 2011 foram marcados pela vitória do Al Sadd na Liga dos Campeões da Ásia e pelo terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes da FIFA no Japão. Khalfan relembrou os momentos de consagração. "O desempenho do time foi excepcional", diz. "O título continental e o terceiro lugar no Mundial de Clubes demonstraram que o futebol catariano é competitivo em todos os níveis. Temos de aproveitar esses sucessos e transmitir aos nossos parceiros a confiança que adquirimos com o Al Sadd. Todos sabem do grande orgulho que tomou conta dos nossos compatriotas por ocasião dessas vitórias. Sabemos que o mesmo vai acontecer se nos classificarmos à Copa do Mundo, porque é um sonho que perseguimos há anos."

Sede de vitória
Khalfan foi eleito o Melhor Jogador da Ásia em 2006, prêmio que lhe elevou à condição de astro logo no início da carreira, aos 18 anos. O meia já conquistou diversos títulos com o Al Sadd e sempre se mostra muito à vontade atuando pela seleção. Tudo isso teve uma influência determinante no psicológico do catariano, que passou um tempo longe dos gramados por conta de uma lesão. "Agradeço a Deus pelo sucesso dos últimos anos", vibra. "A vitória na Liga dos Campeões e o terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes me fizeram um bem enorme depois que me contundi. Espero continuar jogando bem nas eliminatórias para o Mundial. Estou muito motivado com o que está em jogo e farei tudo para ser digno do meu país."