
Geralmente o primeiro nome de uma pessoa diz pouca coisa sobre ela. Afinal, ninguém escolhe como vai se chamar, já que esta é uma decisão que na maioria das vezes cabe aos pais da criança quando ela nasce. O mais comum é que o bebê seja batizado em homenagem a um parente próximo ou simplesmente com um nome que seja considerado bonito pelos progenitores.
No caso de Edson Buddle, no entanto, a escolha do nome teve uma motivação completamente diferente. Ele foi batizado com o mesmo nome do melhor jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, também conhecido simplesmente como Pelé.
"É isso mesmo", admitiu Buddle com um sorriso em entrevista exclusiva ao FIFA.com. "O meu pai [o ex-futebolista Winston Buddle] era um grande fã do Pelé. Obviamente, não tive chance de me opor ao nome. Mas acredito que é uma grande honra quando um pai batiza o filho com o nome de alguém tão incrível."
Depois de receber o nome do Rei do Futebol, o destino do jovem Edson parecia já estar decidido: ser jogador de futebol. "O meu pai na verdade queria apena que eu jogasse futebol quando eu era criança", explicou Buddle. "Ele certamente nunca imaginou que eu chegaria tão longe. Mas ele fica muito feliz com isso."
Copa do Mundo da FIFA 2010 foi o auge
O jogador de 30 anos já disputou mais de dez jogos pela seleção dos EUA, marcando três gols. O mais impressionante é que se passaram sete anos entre a sua primeira convocação, em 2003, e a segunda, em 2007.
"Foi realmente decepcionante ficar tanto tempo de fora", comentou ele. "Mas não é o fim do mundo. Dessa forma pude me concentrar mais em mim mesmo. Eu apenas não estava jogando bem o suficiente para jogar pela seleção entre a primeira e a segunda convocação. Mas continuei trabalhando para evoluir e agora estou de volta. Estou muito feliz com isso."
O fato de o seu retorno ter acontecido justamente antes da Copa do Mundo da FIFA 2010 foi para Buddle como se ele estivesse vivendo o "sonho americano", um ideal segundo o qual qualquer pessoa pode alcançar riqueza, liberdade e igualdade nos EUA. "Foi algo grandioso", afirmou. "Normalmente sou apenas um espectador, mas daquela vez também estava participando. Claro que eu gostaria de ter jogado mais, mas nunca me esquecerei de como fui parte da seleção que foi para a Copa do Mundo. Foi um dos melhores momentos da minha carreira."
Outro dos seus melhores momentos poderá acontecer em breve. Pelas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, o atacante e a seleção americana precisarão passar por Antígua e Barbuda, Guatemala e também pelo país dos seus pais, a Jamaica. "É um desafio", disse Buddle. "Cada uma dessas equipes tem condições de derrotar as outras. Obviamente, espero continuar sendo convocado."
Bom conselho do treinador da seleção
Mas além do seu pai e de Pelé, Buddle também está seguindo os passos de outro dos seus ídolos. Trata-se do treinador da seleção dos EUA, o alemão Jürgen Klinsmann, que está no cargo desde julho de 2011. "Ele é incrível e antigamente era o meu ídolo", declarou o jogador. "Eu tinha no meu quarto um pôster da seleção alemã que ganhou a Copa do Mundo 1990. Posso aprender muito com ele. Sempre o ouço muito bem porque sei quem ele é e qual a sua capacidade."
"O Bradley e o Klinsmann são muito parecidos", prosseguiu Buddle comparando o ex-técnico dos EUA, Bob Bradley, ao atual. "Eles têm a mesma experiência como treinadores, mas o Jürgen foi um jogador fora de série. Ele atuava no mais alto nível como atleta e sabe do que está falando por experiência. Talvez esta seja a maior diferença."
Com tanta admiração pelo ex-atacante germânico, não é de espantar que Buddle tenha pedido conselhos ao treinador quando decidiu deixar os EUA para atuar na Alemanha. "Conversamos em Los Angeles e ele recomendou que eu fosse jogar na Alemanha", disse o jogador. "Trata-se de um desafio para mim. E é isso que importa na vida."
Em cerca de um ano no Ingolstadt, da segunda divisão alemã, Buddle atuou em 31 partidas e marcou nove gols. Apesar do bom rendimento, ele retornou para o Los Angeles Galaxy, clube onde já havia atuado entre 2007 e 2010. "Estou contente por ter voltado para a MLS e para o meu clube, que foi tão importante para a minha carreira."
Tal pai, tal filho
Atuando no próprio país, Buddle quer alcançar o seu último grande objetivo: jogar a Copa do Mundo da FIFA 2014. "Seria legal disputar mais uma Copa do Mundo", confirmou ele ao FIFA.com. "Em última análise, quero pelo menos ser parte do processo. Na vida é preciso se colocar diferentes desafios. E depois você precisa superá-los."
Alguns desafios Buddle já superou com sucesso, como conquistar fama através do seu futebol, voltar à seleção americana e jogar uma temporada em gramados alemães. No entanto, ele com certeza continuará estabelecendo grandes objetivos para a sua carreira. Pensando no futuro, ele já tirou até mesmo uma licença para atuar como treinador e quer comandar equipes juvenis quando pendurar as chuteiras. "Eu estaria passando aos garotos as experiências que acumulei", disse.
Além disso, Buddle também continuaria seguindo os passos do pai, que também atuou como técnico das divisões de base depois de deixar os campos. É como diz o ditado: tal pai, tal filho...



