Taylor: "Uma montanha para escalar"
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Sete meses depois de assumir o comando da seleção do Bahrein, o inglês Peter Taylor começa a engrenar no cargo. Logo na sua primeira experiência como técnico no exterior, o treinador já levou o país do Golfo a uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Árabes de dezembro no Catar. No entanto, a classificação à Copa do Mundo da FIFA é um objetivo bem mais complicado.

O Bahrein chegou à repescagem intercontinental para a Alemanha 2006 e a África do Sul 2010, mas atualmente está apenas em terceiro lugar no Grupo E das eliminatórias asiáticas, dependendo quase de um milagre para seguir no caminho rumo ao Brasil 2014.

Após uma carreira de treinador na Inglaterra, com passagens por Leicester, Hull, Bradford e seleção inglesa sub-21, Taylor assinou contrato como técnico do Bahrein em julho de 2011 e obteve o primeiro êxito quase que imediatamente, quando os barenitas venceram o torneio de futebol da primeira edição dos Jogos do Conselho de Cooperação do Golfo.

Apesar de ter chegado sem saber quase nada sobre o futebol do pequeno país, Taylor manteve o bom desempenho e levou a seleção a mais um triunfo nos Jogos Pan-Árabes no final do ano passado. "Tivemos uma série de grandes resultados, apesar de ter sido complicado no início, pois eu nunca havia atuado como treinador fora da Inglaterra. Tive de conhecer as pessoas com quem trabalharia, mas o melhor foi que todos me ajudaram a fazer o meu trabalho, inclusive os próprios jogadores", destacou, em entrevista ao FIFA.com.

Taylor não esconde a falta de familiaridade inicial com o futebol do Bahrein. "Quando recebi a oferta, fui para a internet saber mais. Também fui ajudado por um amigo meu que tinha trabalhado como treinador no Japão e tinha uma ideia melhor do nível do futebol do Bahrein. Fiquei motivado o suficiente para aceitar."

Tarefa complicada
Apesar dos dois êxitos regionais, a campanha do Bahrein nas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 vem sendo pouco convincente. Faltando um jogo para o fim da terceira fase das eliminatórias da Ásia, a seleção está em terceiro no grupo, atrás de Irã e Catar. O último jogo, em casa contra a Indonésia dia 29 de fevereiro, é um duelo vital para o país do Golfo. Para chegar à quarta e última fase, o Bahrein precisa ganhar de goleada e esperar que o Irã derrote o Catar na outra partida.

O treinador não tem ilusões sobre a magnitude do desafio pela frente. "Temos uma montanha para escalar", ressalta. "Precisamos vencer a Indonésia, e o Irã tem de vencer o Catar. Não é uma situação ideal. Esperávamos estar onde o Catar está agora, com a melhor chance de classificação."

Taylor diz que a derrota por 6 a 0 diante do Irã é a principal responsável pela situação complicada. "Cometemos um monte de erros naquele jogo", admite. "Tivemos um jogador expulso aos 34 segundos e nos defendemos mal, deixando que eles fizessem gol à vontade."

No entanto, os problemas vão muito além do desempenho ruim. “Não temos um atacante de ofício, e ainda temos muitos jovens inexperientes no plantel", explica. "Essas coisas nos afetaram claramente, não só contra o Irã, mas em outros jogos também. Não marcamos muitos gols nas eliminatórias. Desperdiçamos muitas das possibilidades que criamos. Acredito que simplesmente precisamos melhorar nesse aspecto e tenho total certeza de que os jogadores mais jovens podem crescer nos próximos jogos."

Hora de passar o bastão
As carreiras dos jogadores barenitas que levaram o país a duas repescagens intercontinentais das eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA estão chegando ao fim, e Taylor sabe bem que é necessário formar um novo grupo para manter o mesmo nível. "Quando falo com os dirigentes no Bahrein, tenho a impressão de que eles ficam felizes ao verem tantos jogadores jovens no grupo", afirma. "Na minha opinião, eles deveriam ter chamado esses jovens em 2006 e 2010. Precisamos trazer essas caras novas imediatamente. Esses rapazes precisam ganhar experiência. A experiência é a coisa mais importante, e com o tempo eles vão conseguir."

O ex-ponta do Tottenham e do Crystal Palace tem grandes expectativas para o futebol do Bahrein. "Será uma decepção não passar das eliminatórias para a Copa do Mundo, mas vamos ter de começar a preparação para sediar a Copa do Golfo, em janeiro do ano que vem. A melhor coisa do futebol aqui são os jovens. Eles dão tudo de si quando percebem que têm a chance de entrar para a seleção. O futuro parece promissor."