
A nomeação de Choi Kang-Hee como novo treinador da Coreia do Sul, após a súbita dispensa de Cho Kang-Rae no mês passado, pode ter causado surpresa no país. No entanto, a decisão talvez não devesse ter chamado tanta atenção, dada a tendência da Federação Sul-Coreana nos últimos anos de confiar as rédeas do selecionado a treinadores nacionais.
Em 2008, o predecessor de Cho, Huh Jung-Moo, tinha o desafio de dar uma marca própria ao conjunto após os sete anos de influência holandesa sobre o estilo de jogo sul-coreano. Agora, em compensação, Choi tem a sua disposição todos os recursos para manter a consistência do trabalho que vinha sendo realizado antes de sua chegada.
Por outro lado, o ex-técnico do Jeonbuk Motors, atual campeão nacional, recebeu uma espécie de missão de resgate. A Coreia do Sul está empatada em dez pontos com o Líbano e precisa de ao menos um empate em casa com o Kuwait, que tem oito, para garantir sua passagem à última fase das eliminatórias asiáticas para o Brasil 2014.
A situação não é tão desesperadora quanto a que os sul-coreanos enfrentaram na campanha para os Estados Unidos 1994, quando tiveram de esperar até o último minuto da partida decisiva para saber seu destino. Apesar disso, Choi terá sobre si a pressão de evitar uma eliminação que também poderia significar o fim prematuro de sua passagem pelo comando do selecionado de seu país.
Depois de fazer o Jeonbuk passar de uma equipe sem muita tradição a uma das forças a serem respeitadas no país em apenas seis anos, Choi prometeu à torcida do clube que voltaria. Contudo, isso seria somente após ele comandar a seleção de forma bem-sucedida à próxima Copa do Mundo da FIFA. Por ora, o técnico não parece interessado em pensar em nada além e se concentra exclusivamente na tarefa que tem por diante.
"A prioridade é lutarmos unidos como equipe contra o Kuwait no dia 29 de fevereiro. Tudo estará em jogo em uma única partida", disse Choi, em uma coletiva de imprensa em Seul, no começo deste mês. "Vamos encará-la como se fosse uma final. Preciso escolher os melhores jogadores, independentemente da idade que tenham ou do clube que defendam. O mais importante é convocar as peças certas, que possam ter seu melhor desempenho."
Choi não deve fazer mudanças substanciais no elenco que herdou de Cho, principalmente agora que tem pouco mais de um mês para se preparar para o compromisso com o Kuwait. É compreensível, porém, que o técnico de 52 anos chame alguns dos nomes de destaque do Jeonbuk, comandados seus nos títulos sul-coreanos de 2009 e 2011.
"Estou pensando em convocar quatro ou cinco jogadores do Jeonbuk", adiantou. "Praticamente já decidi a lista provisória de 30 atletas, que é mais do que suficiente para nos prepararmos para a partida contra os kuwaitianos. Depois disso, poderei analisar o próximo passo e a transição natural para a nova geração de atletas."
Lee nos planos
Apesar de admitir que uma renovação seja inevitável, Choi não abre mão de um veterano. "Lee Dong-Gook é o melhor atacante do Campeonato Sul-Coreano, ainda que possamos chamar Park Chu-Young ou Ji Dong-Won, que jogam na Inglaterra", explicou o técnico.
"Fiquei sabendo de que há controvérsia quanto às condições dele, mas quem mais você escolheria se fosse o treinador da seleção?", questionou. "Ele foi eleito o melhor jogador do campeonato nacional duas vezes em três anos enquanto eu estava à frente do Jeonbuk e é o primeiro nome que tenho em mente neste momento."
Na verdade, parece irônico que um atacante com um retrospecto tão bom no Campeonato Sul-Coreano — 115 gols em 278 jogos, um a menos do que o recorde de Woo Sung-Yong, ídolo histórico no país — não tenha conseguido estar à altura das expectativas vestindo a camisa de sua seleção.
Mas, depois de se recuperar de um prolongado declínio, que incluiu uma malfadada passagem pelo Middlesbrough, da Inglaterra, Lee viveu uma fase extraordinária sob o comando de Choi, balançando a rede nada menos do que 51 vezes nas últimas três temporadas, em que brilhou ao lado do brasileiro Eninho rumo ao título deste ano.
A questão é se o atacante conseguirá marcar gols pela Coreia do Sul quando o país mais precisa. Há pouco mais de sete anos, a Coreia do Sul estava um ponto à frente do Líbano na penúltima fase das eliminatórias para a Alemanha 2006 e só lhe restava um jogo — contra Maldivas, em novembro de 2004.
Na ocasião, Lee não decepcionou: marcou na vitória em Seul por 2 a 0, que classificou a Coreia do Sul. Na abertura da fase seguinte, fez um gol no triunfo sobre os kuwaitianos pelo mesmo resultado. Assim, não foi surpresa alguma que ele tenha voltado a balançar a rede na goleada por 4 a 0 sobre os mesmos adversários quatro meses depois, quando os sul-coreanos garantiram sua vaga na Alemanha. Assim, no próximo dia 29 de fevereiro, Lee será um nome familiar diante de um adversário que não lhe é nada estranho, em uma situação que ele conhece bem.











