
Por Christian Karembeu
Uma final de Copa do Mundo da FIFA é um momento aguardado durante toda uma vida. Quem joga futebol sempre sonha em viver esse instante, quando se tem a chance de entrar para a história. As duas seleções há muito tempo tinham anunciado que o objetivo era conquistar a Copa do Mundo, e elas foram atrás do sonho. Por ter estado na França 1998, sei o que se sente dentro do túnel antes da partida mais importante da sua carreira.
Ao contrário da minha experiência com a seleção francesa na final contra o Brasil, no entanto, não havia agora uma equipe amplamente favorita no caso da Espanha e da Holanda. Quando entramos em campo no Stade de France, sabíamos que estávamos enfrentando um monumento do futebol: a seleção brasileira, então tetracampeã do mundo e eterna favorita. Talvez tenha sido o que aliviou um pouco a pressão sobre nós naquele confronto. O fato de não termos nada a perder, reforçado pelo nosso desejo de fazer uma boa exibição porque estávamos jogando diante do nosso público, nos ajudou a fazer uma partida perfeita.
Sem dúvida foi isso o que faltou nesta final para que uma das duas seleções se soltasse totalmente: a inexistência de um favorito. As duas seleções nunca haviam conquistado o título máximo do futebol e não queriam, de modo algum, perder essa oportunidade histórica. Também não havia uma grande diferença de experiência entre as duas. Assim, nenhuma delas entrou em campo com um prognóstico realmente melhor, mesmo considerando-se que o título de campeã europeia desse um pouco mais de confiança à Espanha. Por isso, os espanhóis talvez tenham começado melhor o jogo e dominado a maior parte do primeiro tempo. Os holandeses sofreram no início, mas reagiram depois do intervalo. Pode ter sido sido o tempo necessário para digerir a pressão da situação...
Obviamente, em uma partida tão disputada, o primeiro gol é crucial. Durante a prorrogação, porém, não se pode pedir que os jogadores partam todos para o ataque. Vivi muitas vezes essa situação na minha carreira, principalmente em 1998, nas oitavas de final contra o Paraguai e nas quartas de final contra a Itália, mas em um caso como esse um técnico nunca manda que um jogador entre em choque com o adversário. O essencial é manter a base defensiva. Quando a disputa é tão importante, pode-se entender que seja mais seguro não perder do que correr todos os riscos para vencer. A Holanda ruiu com a expulsão de John Heitinga, um dos pilares da sua defesa. A Espanha soube tirar proveito disso. Ela foi mais sólida e mais objetiva. Essa é a marca dos grandes.


