Se existe alguma personalidade no planeta que não precisa de apresentação, é Diego Armando Maradona. O argentino foi para muitos o melhor jogador de todos os tempos e agora, aos 50 anos, se prepara para um desafio diferente: disputará a sua quinta Copa do Mundo da FIFA, desta vez como treinador.

Maradona, que ergueu o troféu como jogador e capitão em 1986, colocou a sua condição de ídolo em risco para voltar a levar a Albiceleste ao topo do futebol mundial. Desde a tristeza na final de 1990, os argentinos nunca mais chegaram aos jogos decisivos da competição.

A carreira de Maradona como treinador teve os seus primeiros capítulos em 1994, logo depois da suspensão por doping na Copa do Mundo da FIFA do mesmo ano. Naquela oportunidade ele assumiu o comando técnico do Mandiyú, uma equipe humilde da província de Corrientes. Ocupou o cargo por 12 partidas, com uma vitória, seis empates e cinco derrotas.

Depois de abandonar o clube, tentou a sorte no Racing de Avellaneda, considerado um dos cinco grandes do futebol argentino. No clube conhecido como "Academia" também não teve o êxito esperado e desistiu depois de duas vitórias, seis empates e mais cinco derrotas.

Dieguito voltou a jogar futebol e se aposentou com a camisa do Boca Juniors em outubro de 1997. Mais onze anos se passaram até que a seleção voltasse a bater à sua porta.

Em outubro de 2008, depois de acompanhar o selecionado olímpico em Pequim, Maradona recebeu uma oferta concreta da AFA para substituir Alfio Basile, que havia pedido demissão após o primeiro turno das eliminatórias. A Argentina só havia vencido uma das sete partidas mais recentes e passava por uma fase angustiante.

Apesar da falta de tempo para conhecer o grupo e colocar mãos à obra, o eterno camisa dez aceitou o desafio. "É muito difícil deixar a minha marca quando vejo os jogadores três dias antes de cada partida", explicou ao FIFA.com, qualificando-se não como treinador, mas como "selecionador" da Argentina.

O restante da fase de eliminatórias foi dramático, com alguns bons momentos, mas também fiascos históricos como a goleada sofrida por 6 a 1 diante da Bolívia e a derrota em casa por 3 a 1 para o Brasil. Mesmo assim, teve saldo positivo com a classificação conquistada no mítico Estádio Centenário em Montevidéu.

Foram quatro vitórias e quatro derrotas pelo torneio classificatório sul-americano. Depois, o selecionado recuperou a regularidade e conquistou resultados positivos em amistosos fora de casa contra França e Alemanha sem tomar um gol sequer.

"Joguei a Copa do Mundo e estive em duas finais", relembrou Maradona, que terá na África do Sul a chance de colocar as suas palavras em prática. "Sei como chegar, como administrar o grupo, como treiná-lo. Sei como falar com os jogadores. Tenho crédito para falar do assunto. Não cheguei em oitavo, nono, nem voltei na primeira fase. Disso eu entendo."