
Boston, Estados Unidos, 21 de junho de 1994. A Argentina vencia a Grécia com facilidade em sua primeira partida na Copa do Mundo da FIFA. Aos 15 minutos do segundo tempo, Diego Armando Maradona deu uma das suas últimas contribuições para a história da competição: um chute impecável de perna esquerda, que entrou no ângulo direito do goleiro e ampliou a vantagem da sua seleção para 3 a 0. A comemoração — uma vibração em êxtase, correndo em direção à câmera de TV — foi vista pelo mundo inteiro e fechou com chave de ouro uma cena inesquecível. Ele acabara de marcar seu último gol em um Mundial.
Talvez por ironia do destino, 16 anos e um dia mais tarde, Maradona volta a ter os gregos pela frente. E, apesar de ter agora uma nova função na seleção argentina, todos se lembram do que ele fez dentro de campo nos idos de 1994. "Como esquecer aquele gol?", pergunta o atual capitão argentino, Javier Mascherano. "Eu devia ter uns dez anos e assisti ao jogo em casa, com a minha família. Foi um dos gols mais bonitos da argentina na história dos Mundiais. Aquela comemoração resumiu à perfeição o que o Diego sente pela seleção. Ele sempre expressou esse sentimento em tudo o que fez, desde como jogava dentro de campo até a maneira de celebrar."
Walter Samuel concorda. "O gol e a comemoração do Diego ficarão para sempre na memória de quem gosta de futebol", diz o zagueiro. "Foi um momento de alegria completa. Lembro que havia muita expectativa em torno daquela seleção, que infelizmente não conseguiu ganhar o título."
Não resta dúvida de que Diego Maradona é muito mais do que o técnico da seleção argentina. Ele é o centro de todas as atenções e pressões, além de motivar como poucos um grupo cheio de estrelas. "Entrar em campo e ver que a torcida adversária está gritando o nome do seu treinador já é começar a ganhar a partida antes do seu início", afirma Nicolás Burdisso. "Parece difícil de acreditar, mas o que o Diego gera em nós e nos adversários é muito especial."
Motivação para alcançar o objetivo
Vestindo um terno cinza de corte impecável, a pedido das filhas, Maradona descobriu como calar os críticos, impor o seu estilo e garantir duas vitórias em um Mundial em que as seleções favoritas estão em baixa. Gonzalo Higuaín, que recebeu o apoio do técnico apesar de não ter marcado gol na estreia, não hesita ao falar dele. "O Diego às vezes parece um jogador a mais no grupo", diz. "Ele se junta a nós nos treinos, bate faltas conosco e nos ajuda a relaxar. É muito importante ter alguém como ele nos incentivando, alguém que ganhou uma Copa do Mundo e pode nos dizer qual é a sensação."
"No começo, você se sente intimidado por ele, pelo que ele representa", reconhece Carlos Tévez. "Mas, com o tempo, você consegue relaxar e entender quem ele realmente é: um verdadeiro fenômeno."
Mas o que o próprio Maradona diz sobre o desafio contra os gregos? "Sempre serei um jogador de futebol, mesmo que agora me sinta responsável por esta seleção", declarou. "Eles estão arriscando tudo e tendo um desempenho espetacular nesta Copa do Mundo. O próximo passo é a Grécia. Tentaremos garantir a classificação para podermos comemorar depois da partida." Como a Argentina fez há exatos 16 anos e um dia.




