
Ausente de todas as edições da Copa do Mundo da FIFA desde a aventura no México em 1986, a Argélia desejava colocar um ponto final nos 24 anos de jejum. Para atingir esse objetivo, o comando da seleção foi entregue em 2007 a um homem que conhecia como ninguém os segredos do cargo: Rabah Saâdane.
O técnico argelino não é nenhum novato, pois já havia treinado a equipe nacional em 1981, 1986, 1999 e 2004. Assistente de Mahieddine Khalef na Espanha 1982 e comandante na competição de quatro anos depois, ele pode acima de tudo se orgulhar de ter disputado todas as campanhas da Argélia no principal torneio do planeta desde a independência do país, em 1962. Currículo mais do que suficiente para se constatar que ele era o homem ideal para levar a Argélia à África do Sul. E Rabah Saâdane simplesmente provou que era mesmo.
Mas o caminho até a Copa do Mundo da FIFA 2010 não foi dos mais tranquilos. Sorteada em um grupo difícil ao lado de Zâmbia, Ruanda e do eterno rival Egito, a equipe argelina teve de disputar uma partida de desempate no Sudão contra os faraós para escrever uma nova página na história do seu futebol. Rabah Saâdane espera acrescentar outras à frente de uma seleção que para ele não guarda mais segredos. Ele revelou alguns deles ao FIFA.com.
A praticamente 100 dias do início da Copa do Mundo da FIdFA África do Sul 2010, como você imagina a organização do torneio?
Acho que vai dar tudo certo! O governo da África do Sul tem uma grande responsabilidade ao receber a primeira Copa do Mundo no continente africano. Imagino que ele tenha feito todo o possível para honrar a África. Ao mesmo tempo, o Comitê Organizador, que trabalha em estreita relação com a FIFA, tem se mostrado otimista. Por isso, acho que não há nenhum motivo para se preocupar.
Você prevê então uma bela Copa do Mundo?
Acho que será uma Copa do Mundo maravilhosa. Ainda mais que as condições climáticas serão favoráreis, pois estaremos no inverno. Isso influenciará o desempenho e a qualidade de jogo das equipes. Elas deverão estar melhores.
Você classificou a Argélia após 24 anos de ausência do país na competição. Qual foi a sensação no momento do apito final da terceira partida contra o Egito, no dia 18 de novembro, no Sudão?
Uma imensa alegria. Porque eu tinha sido o último treinador que havia classificado a Argélia para uma Copa do Mundo, a de 1986. É claro que eu preferiria que meu país tivesse provado novamente as alegrias da Copa do Mundo mais cedo, mas é uma grande felicidade que ele tenha retornado ao torneio comigo. E além do mais ele será na África do Sul, a primeira Copa do Mundo organizada no continente africano. É algo simbólico.
Qual foi o momento mais importante da classificação?
Quando vencemos o Egito por 3 a 1 em Blida, depois a Zâmbia por 2 a 0 em Chililabombwe, em junho de 2009, demos um grande passo para conquistar a vaga. Estávamos então em primeiro lugar, com sete pontos, três à frente do segundo colocado. Esse famoso mês de junho, com essas duas vitórias seguidas, foi para mim o ponto crucial da nossa classificação.
O acaso quis que vocês caíssem em um grupo complicado ao lado de Inglaterra, Estados Unidos e Eslovênia. Como você avalia as chances da Argélia na competição?
Certamente, são três grandes seleções. Mas a meta da nossa jovem equipe era antes de tudo participar desta Copa do Mundo. Portanto, vamos jogar sem pressão, pois a missão já foi cumprida. Agora, é claro que também temos algo a provar e faremos de tudo para sair de lá com o melhor resultado possível, sem remorso. O objetivo é se divertir jogando contra as melhores seleções do planeta, a começar pelas do nosso grupo. E então dar o nosso máximo até o fim independentemente do resultado. Estar presente já é maravilhoso.
A Argélia acabou de disputar a Copa Africana de Nações 2010, na qual teve um desempenho surpreendente, enfrentando dificuldades no início e terminando em quarto lugar. Quais lições você tirou do campeonato?
A Copa Africana de Nações 2010 foi realmente rica em lições. No início, porém, estava preocupado em relação ao clima e à repercussão que um possível fracasso a três meses da Copa do Mundo poderia causar. No final das contas, jogamos o máximo de partidas e fizemos um estágio preparatório de mais de um mês. Isso permitiu unir ainda mais o grupo e aprimorar tanto a tática quanto a técnica. Saímos do torneio muito mais fortes.
Do que você mais gostou na sua seleção?
Evoluímos principalmente no aspecto coletivo, conseguimos melhorar a nossa posse de bola. Em partidas de eliminatórias, sob pressão, o importante é o resultado, em detrimento da maneira de atuar. Já na Copa Africana de Nações, apesar das condições climáticas, pudemos conservar a bola e fazê-la girar. Mas não apenas isso. Soubemos também variar com eficiência o nosso sistema de jogo e utilizar jogadores em posições que não eram exatamente as que eles preferiam, especialmente no ataque. Isso é naturalmente muito interessante para a disputa da Copa do Mundo e, mais amplamente, para o futuro da nossa seleção.








