A final disputada nesta terça-feira fechou com chave de ouro a primeira edição do Torneio de Futebol Feminino dos Jogos Olímpicos da Juventude, disputado em Cingapura por seis países de todos os continentes. O Chile derrotou a Guiné Equatorial em uma partida marcada pela garra e pela habilidade e que acabou em uma dramática decisão nos pênaltis.

Entre diversas jogadoras talentosas, quem mais brilhou foi a chilena Romina Orellana, que abriu o marcador de falta e também converteu o pênalti decisivo. "A vitória foi inesquecível para nós e estou muito feliz por termos superado esta batalha difícil e conquistado o título", afirmou a atleta de 15 anos ao FIFA.com depois de receber a medalha de ouro da ex-jogadora americana Brandi Chastain na cerimônia de premiação. "Este sucesso marca um bom começo para a nossa carreira, e espero que eu possa subir uma faixa etária na seleção."

As duas equipes começaram a decisão com cautela. Afinal, já se conheciam do confronto da primeira fase, vencido por Guiné Equatorial por 4 a 1. As representantes da África logo aceleraram o ritmo, mas quando pareciam estar dominando o jogo acabaram cometendo uma falta no lado esquerdo do ataque chileno. Autora do gol de honra do confronto da fase de grupos, também de tiro livre, Orellana mostrou a sua qualidade ao mandar uma bomba sem chances para a goleira.

Nossas jogadoras ganharam uma experiência preciosa no torneio. Elas são o nosso futuro
Rodrigo Valdes, técnico do Chile

A Guiné Equatorial empatou no segundo tempo em cobrança de falta de Judit Ndong, e o placar ficou no 1 a 1 até o apito final. Depois de sobreviver ao ataque africano nos instantes derradeiros, o selecionado chileno parecia mais confiante para as cobranças de pênaltis. E foi mais uma vez Orellana que teve a última palavra — ou melhor, a última bola. Depois do erro de Justina Alene, a jogadora chilena converteu o penal decisivo que garantiu a medalha de ouro.

"Este jogo era um grande desafio para nós porque havíamos perdido delas na fase de grupos, mas aprendemos com os erros da última vez e nos preparamos para a revanche", afirmou a chilena. "Conseguimos jogar bem no contra-ataque e criar as nossas chances. Jogamos uma ótima partida."

"As nossas meninas mostraram do que são capazes", afirmou ao FIFA.com o técnico do Chile, Rodrigo Valdes. "As jogadoras ganharam uma experiência preciosa no torneio e serão a base da nossa seleção para o Sul-Americano Sub-17 em 2012. Elas são o nosso futuro. A Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA no nosso país há dois anos nos deixou um legado futebolístico duradouro, e vencer os Jogos Olímpicos da Juventude foi a segunda grande conquista da história do nosso futebol feminino."

Promessas africanas
A seleção de Guiné Equatorial chegou à decisão como franca favorita depois de ter goleado o Chile. As africanas tiveram as melhores chances da segunda etapa, com Felicidad Avomo e Veronica Nchama muito perto de virarem o jogo. Apesar da perda do ouro, Judit Ndong foi uma das maiores revelações do torneio, encantando a torcida com fintas rápidas e finalizações precisas.

"Com toda a pressão para ganhar o ouro, algumas das nossas jogadoras ficaram nervosas e não jogaram tão bem quanto costumam", afirmou a capitã Ndong, que terminou o torneio no topo da artilharia com cinco gols ao lado da companheira Avomo. "Tentei animá-las à medida que o jogo se intensificava no segundo tempo, mas pagamos pela nossa falta de compostura. Perdemos chances demais. Precisamos aprender a lição se quisermos progredir em nível internacional. Para vencer uma partida você nunca pode perder a esperança e precisa lutar até o final."